
Bom, está na hora de dar o meu parecer para todos vós, sobre o que eu achei afinal de Homem Aranha 3.Sinceramente? É bom, mas poderia ter sido melhor.
Por Sergio Mentorbreak Fiore
A história mostra que terceiras partes de uma trilogia ou série de filmes é sempre a mais perigosa, porque o diretor e toda a equipe ganham mais confiança, ficam mais à vontade para fazer coisas na produção que eles acreditam serem sábias e garantias de sucesso absoluto, o que ás vezes não acaba acontecendo, e o que era para ser um tiro certeiro, acaba sendo um tiro certeiro…no próprio pé.
Claro que há exceções, como o A Vingança dos Sith para Star Wars ou o Retorno do Rei para O senhor dos Anéis, mas como estamos falando de filmes baseados em quadrinhos, lembramo-nos logo de filmes com Batman Eternamente e X-Men:O Confronto Final, que foram terceiras partes de séries e que não foram tão bem quanto às duas primeiras.A diferença entre estas duas e a mais recente sequência de Homem Aranha nos cinemas é o fato de que não houve mudanças de diretor. Sam Raimi prosseguiu capitaneando a série, ao contrário de Tim Burton que cedeu gentilmente seu lugar à Joel Schumacher e Brett Ratner, que assumiu os mutantes quando Bryan Singer jogou tudo para o alto (e avante hehehe) e decidiu assumir (ui) Superman O Retorno.
Por isso, a situação é mais grave aqui.Sam Raimi, que é um conhecido fã do personagem, e que estabeleceu um padrão de qualidade acima da média, especialmente no segundo filme, poderia facilmente entregar à audiência ansiosa um produto final que viesse a superar os antecessores, correto? Errado, e se você não curte SPOILERS, e não viu o filme ainda, não leia daqui para frente (eu sempre quis dizer isso):
Até a metade do filme, ele é excelente, impecável, mas a partir daí, parece que ele foi embebedado por Joel Schumacher e retirado da cadeira de diretor.
Primeiro, Sam Raimi tem um defeito chato de tudo que ele mostra nos filmes, ou quase tudo ele mostra de forma exagerada. Se Peter Parker é azarado, ele vai mostrar à exaustão esse fator.Quem lembra do começo do segundo filme, sabe exatamente o que estou dizendo.Esse exagero fica evidente nas cenas em que Peter é tomado de vez pelo simbionte.Não bastasse o polêmico visual emo, ele fica passeando pelas ruas fazendo poses que deixariam Zé Bonitinho envergonhado.Percebam que esta sequência é na verdade uma tentativa de recriar a cena em que Peter está sem poderes e curte a liberdade ao som de Raindrops Keep Fallin’ On My Head , de B.J.Thomas, vista no segundo filme.
Só por isso, você já ficaria enojado. Mas não pára por aí, não.O que dizer então dele na boate, provocando Mary Jane, tocando piano e dançando como se estivesse no Moulin Rouge? Eu juro que fiquei esperando a Nicole kidman descer do teto.Não tem justificativa de estar alterado pelo simbionte que desculpe esta cena. Antes ele chegar bêbado e arrumar brigas, seria mais crível do que esse momento ridículo.Mas,infelizmente, os problemas não se resumem à Tobey Maguire.
James Franco, o Harry Osborn, está excelente como sempre, mas o que os roteiristas criaram para ele (uma amnésia de memória recente após o primeiro duelo com Peter neste filme) foi extremamente forçado,e na minha humilde opinião, teria sido mais interessante se essa amnésia tivesse sido fingimento dele para manipular o ex-amigo e a ex namorada.Diga-se de passagem, a aparição relâmpago de Willem Dafoe é excelente, quando acaba reativando a memória do filho, que reassume o posto de um dos vilões da trama.
Por falar em vilões, eu fiquei surpreso.O Homem-Areia, que acreditava que seria jogado para escanteio num filme com Venom e Duende Verde, acabou sendo o melhor aproveitado pelo roteiro.Thomas Hayden Church, cuja única base de interpretação que conhecia dele era a de vilão em George o Rei da Floresta, de fato me surpreendeu. Ao passo que Venom, apesar do visual loucamente fiel e estar muito bem feito, acabou sofrendo pelo fato de não ser exatamente o favorito do diretor, e ficou sendo praticamente o terceiro reserva da seleção de vilões neste filme.
Esse tipo de conflito entre personagem/diretor já aconteceu por exemplo no terceiro X-Men, quando Brett Ratner excluiu Noturno da trama por não gostar do personagem.Isso é um erro, pois nessa postura vaidosa quem sai perdendo é o filme, e quem está assistindo.Mas voltando aos vilões, houve um excesso que acabou trazendo aos espectadores ecos do tenebroso Batman & Robin, com excesso de vilões e cenas absurdas, talvez o ponto mais grave do filme, com Peter e Harry, lutando juntos para salvar Mary Jane. Como entender que, após passarem metade do segundo filme pra cá se estranhando, eles lutem juntos como se estivessem jogando uma partida no Playstation 2 (que, num consenso da equipe 100Grana, parece que foi para justificar um videogame que esta cena serviu)? Tudo bem, Harry já sabe que o pai dele se estrepou sozinho, mas havia ainda a questão M.J, que estava sendo disputada pelos dois amigos.Se ele chegasse na cena e dissesse algo do tipo: “Estou aqui pela Mary. Não estou nem aí pra você”, seria mais aceitável.
E para finalizar as queixas, algo que me incomodou sempre nos três filmes e que neste foi dum exagerado e desproposital mau gosto: Quando o Aranha chega no cerco dos vilões e é ovacionado pelo povo, uma bandeira E-N-O-R-M-E dos Estados Unidos atrás dele é brandida.Tenha paciência, nós sabemos que Nova York fica na América e que o Aranha é americano.Nós sabemos disso há anos então qual a necessidade que esses caras têm de ficar colocando essa propaganda subliminar do Imperialismo Ianque no filme? Graças a Deus que a Marvel é anti-Bush.
Mas como no meio do chumbo sempre tem ouro, vale aqui destacar as participações sempre impecáveis de Rosemary Harris, J.K.Simmons, Bill Nunn, e Elizabeth Banks respectivamente como Tia May, J.J.Jameson, Joe Robertson, e Betty Brant. Aliás, Jameson e Betty têm suas melhores cenas neste filme. Topher Grace até que tenta, mas não consegue se livrar daquela cara de palerma dos seus tempos de That’s 70′s Show. Bryce Dallas Howard conseguiu ficar mais estonteante que Kirsten Dunst na pele de Gwen Stacy, mas seu papel se resume mais a de um bibelô em perigo. James Cronwell infelizmente também quase não aparece com seu Capitão Stacy. Cliff Robertson aparece pouco mas emociona mais uma vez com o seu Tio Ben.
Faltou foi sentido de bom senso mesmo, e que venha um quarto para redimir essa coisa. E não fiquem triste, ainda há uma esperança vinda dos sete mares…
Henshin!!!