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100Grana viu e recomenda: Rambo II – A Missão

Prepare a faixa, o coturno e a faca. Saiba como a série Rambo mudou de um grande drama de ação para tornar-se a mãe de todos os exércitos-de-um-homem-só do cinema.

Por Vinicius Passos

Como você já leu aqui, no roteiro original do primeiro longa metragem, assim como no livro em que foi baseado, John Rambo morria no fim da história. Se tivesse sido assim, até hoje o filme seria lembrado como um ótimo trabalho de Sylvester Stallone. Mas se não fosse por Rambo II, hoje em dia certamente o personagem não estaria tão entranhado no inconsciente coletivo.

Para acompanhar, ouça o tema de Rambo II – A Missão, por Jerry Goldsmith. Repare que é o mesmo do primeiro, mas com nuances militares e asiáticas, combinando com a trama:

A trama

Desta vez, Rambo deve voltar ao tenebroso Vietnã a pedido de seu mentor e amigo, Coronel Trautman, para fotografar os campos onde a milícia local mantinha os prisioneiros americanos desde a Guerra no país, terminada 10 anos antes (o filme se passa em 1985). As fotos dos campos vazios serviriam como forma de comprovar à opinião pública americana que os Estados Unidos não deixaram ninguém para trás, como esclarece o burocrático e repugnante Marshall Murdock, oficial de chefia da missão. Em troca, Rambo ganharia a liberdade, já que estava preso devido à destruição causada na cidade de Hope, nos eventos do primeiro filme.

De uma base na Tailândia, Murdock ( que se esforça para parecer um exímio e experiente combatente frente a Rambo), envia o combatente ao Vietnã, onde é acompanhado e se afeiçoa a uma guerreira local, Co Bao (a belíssima Julia Nickson Soul). Nos campos, a verdade: Ainda existem prisioneiros vivos e pior, oficiais do Exército Soviético por trás do esquema. Rambo tenta fugir com um deles, mas Murdock ignora o pedido e o abandona à própria sorte, prevendo o que uma revelação dessas poderia causar à América.

Após ser capturado pelos soviéticos e a morte de Co Bao, Rambo volta toda energia à vingança contra Murdock e ao resgate dos prisioneiros. E é aí que o filme ganha consistência, de todas as formas possíveis.

Truculência vs. Denúncia

O roteiro, uma parceria de Stallone com James Cameron (diretor de O Exterminador do Futuro), divide opiniões até hoje. Enquanto Cameron se esmerou nas cenas de ação, Stallone firmou pé na crítica social e política ao governo americano. Mas isso foi distorcido ao longo da História e para piorar, eram os anos 80 da América de Ronald Reagan, o presidente americano, que declarou: “Rambo é um republicano”. Uma idéia que Sylvester Stallone sempre rejeitou.

Soldadinho de Reagan? Stallone diz “NÃO”.

O fato é que, de modo superficial, a imagem icônica de Rambo, com a faixa vermelha, coturno, faca, arco e flecha e com uma metralhadora gigante na mão, se fortaleceu como símbolo da violência descerebrada e sem sentido do cinema da época, além da supremacia militar americana, ofuscando a idéia humanitária que Stallone queria passar. Mas como depende do ponto de vista do espectador, quem quer ver apenas a embalagem “brucutu” da obra, tem de sobra.

Detalhe importante que sempre passa batido: Segundo a ficha militar de Rambo que vemos no início deste filme, o personagem é do estado americano do Arizona, com origem alemã e indígena, dois dos povos mais historicamente odiados pelo “homem branco americano”, com o agravante de ser sobrevivente do fracasso da Guerra do Vietnã, ou seja, é sempre deixado à margem da sociedade. Como a situação do filme propicia que ele volte ao front, seu habitat natural, ele torna-se útil novamente, revertendo a situação de Rambo I. No entanto, como ele mesmo diz em certo momento a Co Bao, ele está lá por ser “dispensável”.

Veja agora a esse trecho do filme Rambo II, no qual podemos ver um pouco da ideologia do Rambo numa conversa dele com a personagem Co Bao:

DUBLAGEM ORGINAL!!!

Sutileza zero

Como é de costume nas produções em que dirige ou escreve o roteiro, Stallone leva o personagem ao inferno e o faz voltar para a redenção (como em Rocky), carregando uma mensagem forte consigo. Mas o que com outros autores seria subtexto, Stallone transfere o miolo da idéia geral para a boca de seu personagem, o que soa um tanto panfletário. Para fazer isso entrar sem rejeição no público médio americano, Stalllone carregou nas tintas fortes: Soviéticos diabólicos, vietnamitas idem, mocinha lutadora porém submissa, além de tornar Rambo quase um super-herói bélico. A fórmula, iniciada com Braddock, de Carlos Ray “Chuck” Norris, lançado um ano antes, foi clonada ad nauseum por acaso ou de propósito no resto da década, até por Schwarzennegger em Comando Para Matar.

Curiosidades:

  • Os produtores Mario Kassar e Andrew Vajna chegaram a considerar um parceiro para a jornada de Rambo, com John Travolta no Papel. Stallone, que havia dirigido Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite Continuam, vetou a idéia. Ainda bem. Calcule se isso chega a aparecer no Vietnã:
Não durava dois segundos na guerra, a gazela.
  • Dolph Lundgren chegou a ser aceito para um papel no filme, porém Stallone achou melhor não repetir a mesma cara de vilão de Rocky IV, do mesmo ano de 1985.
  • Aqui vale um pouco de História: De 1959 a 1975 houve o confilto conhecido como Guerra do Vietnã, tão discutido e mostrado em inúmeros filmes, os mais notáveis sendo Platoon, de Oliver Stone e Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola. Em linhas gerais, o conflito se deu quando os EUA intervieram na política interna do Vietnã do Norte, quando o país pendia para um governo comunista, já prevendo que o mesmo poderia acontecer em outros países, ameaçando o domínio americano/capitalista na Ásia. Apoiando belicamente ao Vietnã do sul, os Estados Unidos enviaram mais de 500.000 soldados foram ao campo de batalha sem ter como vencer por conta do território inóspito, o qual os oponentes conheciam muito bem. Na volta para casa, os soldados obviamente não tiveram recepção de heróis, sendo extremamente mal vistos pela sociedade americana.

Rambo virou ícone pop e isso veremos mais pra frente aqui no Especial Rambo. Não perca!

Este DVD é um oferecimento da FOXVÍDEO LOCADORA e pode ser alugado clicando na imagem abaixo:

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14 comentários em “100Grana viu e recomenda: Rambo II – A Missão

  1. jon travolta lutando muay tay ??

  2. quando eu voltar pro brasil eu vou alugar tudinho!
    outro bom filme sobre o vietnã é um chamado a namorada do soldado estrelado por nosso conhecido jack bauer

    uma vez eu vi tava passando no intercine é bem legal

  3. Sei que Rocky Balboa já foi, mas eu quero um especial de cada Rocky!

    fiz uma caricatura dele http://img219.imageshack.us/img219/8783/rocky2ji2.jpg

  4. O filme é bacana!!!
    Agora com certeza não acho panfletário a idéia que Vovô Stay tenta passar pela boca do personagem. O Rambo I não foi assim!
    Os personagens que o imortalizaram o Stalone fizeram sucesso justamente pq tinham um “cativente” e controverso jeito de vencer uma batalha e de viver.

  5. caco ficou show!!

  6. ja q o post é vi e recomendo!! Lisos acabei de ver DC nova fronteira É muuiiiiito foda !!

  7. Caco, já fizemos uma crítica de Rocky Balboa na época do lançamento do filme aqui no Brasil. Dá uma olhada:

    http://100grana.wordpress.com/2007/02/12/100grana-viu-rocky-balboa/

    Mas até que esse especial do Rocky não é uma má idéia…

  8. Calma Wall-!,

    O papo é Rambo… E não te preocupa que assim que o DVD for lançado nós faremos a crítica aqui no 100Grana ;)

    abraço!

  9. Eu assisti tbm!

    Nao sei. Vou ter q assistir de novo!

  10. bradock veio depois de rambo ,não antes,vcs erraram e feio.

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