100Grana viu e recomenda: Planeta Terror!!!
“Todo talento inútil um dia servirá pra alguma coisa”!!!
Por Igor Oliveira
Liso, um aviso caso você esteja com muita pressa e não pode ler todo o texto abaixo: se você não tiver mais nada importante pra fazer no próximo fim de semana (entenda-se: trabalhar ou qualquer outra atividade que vá afetar seu bolso), vá ao Cine Estação (e for morador de Belém e proximidades) assistir Planeta Terror. Passa nos dias 23 (20h) e 24 (10h e 20h). É a grana do ônibus mais 5 reais de entrada ou 2,50 a meia. Assista e depois venha ler o texto aqui.

Se você tá com tempo, então vamos lá.
Antes de falar do filme, uma curiosidade: alguém lembra daquele filme chamado Prova Final? O título original é The Faculty, foi lançado em 1998 (na onda de filmes de assassinos e adolescentes como Pânico, Lenda Urbana, Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado) e tinha no elenco Elijah Wood (o assassino canibal de Sin City) e Josh Hartnett (o assassino conquistador do início de Sin City). A história era sobre um grupo de universitários adolescentes (dãã!) que enfrentava professores dominados por invasores alienígenas. Tais invasores eram inseridos pelo ouvido e precisavam de muita umidade para se desenvolver, razão pela qual os “vilões” faziam fila nos bebedouros. Lembraram? Pois é, foi durante a produção desse filme que o diretor Robert Rodriguez começou a falar da idéia de um filme sobre zumbis, gênero do qual ele sentia muita falta, mas que sabia que ia voltar em grande estilo (é… pode aparecer um Resident Evil 3 na vida, mas acontece). E ele queria fazer parte disso.

É desse filme que estou falando…

Robert Rodriguez atrás da câmera esperando os zumbis voltarem.
Esse retorno começou a tomar forma em 2003, quando Rodriguez foi assistir a mais uma sessão dupla de filmes organizada pelo amigo Quentin Tarantino e percebeu que ele tinha o pôster “dois-em-um” dos filmes Dragstrip Girl e Rock All Night, ambos de 1957. Rodriguez então sugeriu que também fizessem um filme “dois-em-um”. Tarantino topou na hora e disse que deveria ser chamar Grindouse. Aliás, sempre que penso nessas conversas entre Rodriguez e Tarantino, imagino os dois empolgados como nerds falando de muita cultura pop, como a maioria de nós. Com a diferença que eles têm muita grana para bancar essas paradas…

O pôster que inspirou a arte de Grindhouse. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
A razão do título é a seguinte: Grindhouse é um termo na indústria cinematográfica que se refere às salas de cinema especializadas em exibir filmes B feitos por pequenas companhias. Como não tinham grana pra investir na qualidade do filme, tais companhias buscavam atrair o espectador com estratégias como frases apelativas (“Uma aventura quente!”), meia-entrada e sessões conjuntas, onde se assistia a dois e até três filmes pelo preço de um. E os filmes exibidos eram produções bem do tipo B, daquelas que apelam para muita violência e sexo. É a era dos exploitation films (filmes de exploração), uma parte tão bacana da cultura pop que logo vai ganhar uma matéria só sobre isso aqui no 100grana.

Grindhouse. Cinema tosco, barato e muito divertido!
Portanto, Grindhouse é um filme dois-em-um. A parte do Tarantino se chama Death Proof (cuja tradução é À Prova de Morte) e a de Rodriguez se chama Planeta Terror. O filme foi lançado em abril de 2007 nos EUA e obteve baixa bilheteria. Ao que parece, o público não estava preparado para assistir dois filmes de uma tacada só. Então o lançamento no resto do mundo se deu de forma separada, com um filme por vez. No Brasil, À Prova de Morte deve chegar em 31 de março, enquanto Planeta Terror chegou em Novembro do ano passado e, três meses depois, aparece em Belém.

O cartaz feito seguindo o estilo dos filmes B de terror dos anos 70
Dêem uma olhada no trailer:
TRAILER de PLANETA TERROR ( Com direito até aquela narração clássica):
Essa narração, não sei porque, lembrou o falecido “Cine Nazaré”…
Falando em trailer, Tarantino e Rodriguez chamaram alguns amigos para fazerem trailers falsos de alguns filmes ao estilo grindhouse. Ao todo, fizeram quatro. Na Estação das Docas, passou somente um: Machete (facão em espanhol) estrelando “Danny Trejo”. Todo mundo cai na gargalhada. O trailer é muito bom e vale como um curta-metragem. Há rumores antigos de que saia realmente um filme solo do personagem. Vamos torcer para que passem os outros quando Death Proof passar aqui. Se passar…

Pense num “caboco bronco”… ELE É MACHETE!
O filme começa com Cherry Darling (Rose MacGowan, da série Charmed), uma moça que se define cheia de talentos inúteis, saindo do emprego de dançarina go-go. Logo depois, um encontro liderado pelo comandante Muldoon (Bruce Willis, Duro de…ah, você sabe quem é) e o guerrilheiro-engenheiro-químico Abby (Naveen Andrews, o Sayid de Lost) termina em confusão e, como resultado, todo mundo começa a ter coceira, inflamações e não demora muito começa a mudar o apetite pra carne humana. A partir daí, vários personagens se unem para tentar sobreviver ao problema: um caminhoneiro de passado misterioso (Freddy Rodriguez, do remake Poseidon e A Dama D’água), uma médica (Mary Shelton, de Sin City) casada com um doutor bastante ameaçador (Josh Brolin, de O Gângster), um xerife linha-dura (Michael Biehn, o pai de John Connor no primeiro Exterminador do Futuro) e o dono de uma lanchonete que busca servir o melhor churrasco do país (Jeff Fahey, ator veterano da TV e de alguns filmes não muito conhecidos, como Scorpius Gigantus).

E chega o primeiro lugar da corrida!

Metraca na mão e faixa na cabeça? Já vimos isso antes…
Assim como em Sin City, em Planeta Terror os homens são durões e casca-grossa e as mulheres são lindas e letais. Como o filme é uma homenagem ao terror da grindhouse dos anos 70, é esse o cenário para se investir num conteúdo sensual e violento de forma apelativa e engraçada. Isso significa cenas de ação absurdas e hilárias (e algumas nojentas), daquelas feitas para todo mundo rir. Ou seja, o exagero não está ali à toa (o que inclui falhas de projeção e som, como se o rolo do filme fosse muito velho), porque chama a atenção e diverte, assim como era o objetivo nos anos 70 (mas ainda vale muito hoje). A ironia é que o próprio estilo de filmar de Rodriguez é exagerado e cômico. É só lembrar de A Balada do Pistoleiro e Um Drink no Inferno, só pra citar dois exemplos.
Duas gostosas com pouca roupa, uma moto envenenada e uma explosão ao fundo. Sacou a fórmula? Clique para ampliar.

As gêmeas mexicanas: mais um dos fetiches do filme.
O roteiro do filme, embora cheio de absurdos propositais, tem muitas referências á cultura pop. De George Romero até Exterminador do Futuro, além de auto-referências como o já citado Um Drink no Inferno e Kill Bill. Lembra do que falei sobre como imagino Rodriguez e Tarantino conversando? Pois é…

Oh, baby… Você me acha engraçada?
Por isso, liso, é que voltamos a pedir pra você ir assistir ao filme. Não é somente por sua representação ao homenagear os exploitation films que até agora influenciam demais a cultura pop (que vai de Bruce Lee a Jason Voorhes, como poderão ler aqui no 100Grana em breve), nem porque o ingresso do filme é até barato e o Cine Estação não tem as falhas do Moviecom. É principalmente porque realmente o filme é muito divertido. E isso é o que importa. Agora vamos torcer para que À Prova de Morte chegue por essas bandas.
Planeta Terror
Cine Estação, na Estação das Docas
Sessões:
Dia 17/02 (domingo), às 18h (ou seja, já foi)
Dia 23/02 (sábado), às 20h
Dia 24/02 (domingo) às 10h e 20h
Ingresso: R$ 5,00 inteira e R$ 2,50 meia
Agradecendo a dica do leitor liso Rodrigo Nogueira! Valeu, velho!
Até mais e continuem visitando o 100Grana.com!
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esse filme é maneiro pra carilha!!