A coletânea intitulada MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 artistas conta com vários ilustradores de renome do mercado nacional. E tem paraense envolvido, lógico: Otoniel Oliveira.
Otoniel, que já tem no currículo os álbuns Encantarias e Belém Imaginária, participa agora desta obra comemorativa dos 50 anos de carreira do maior quadrinhista do Brasil, Maurício de Sousa, ilustrando uma pequena história da personagem Marina.


A belíssima ilustração feita em aquarela da personagem Marina.
Fizemos uma pequena entrevista com ele e você confere abaixo:
100Grana: Como foi o contato para desenhar na coletânea?
Otoniel: Eu conheci o Sidney Gusman que editou o livro quando do lançamento da Belém Imaginária e da Encantarias. Quando o Ney e eu fomos ao HQMix nós o conhecemos pessoalmente. Ele é um ótimo profissonal e um grande conhecedor de quadrinhos, foi uma honra ter recebido o convite dele.
2 – Quanto tempo levou o processo?
Foram quatro páginas, não demorou muito. Demoro mais ou menos um dia pro desenho e a arte-final e mais um pra pintar em aquarela cada página, que foi a técnica dessa história. O mais demorado foi o roteiro, definir o que conteria a história e fazer as várias versões de esboço da trama.
3 – E o roteiro, foi seu ou de outra pessoa?
O roteiro foi meu mesmo. Foi uma grande oportunidade poder contar uma história do Universo do Mauricio de Sousa sem uma restrição editorial a não ser a sinceridade com a homenagem que estava fazendo. Desenhei com meu próprio estilo os personagens e tentei definir na trama de que forma a leitura do Mauricio foi importante pra mim. Quando estava fazendo os primeiros esboços estava meio chateado com tudo parecer uma emulação mal feita do que as histórias da Mônica fazem tão bem, então meio que influenciado pelo filme Conta Comigo do Rob Reiner que estava passando quando pensava no roteiro, eu fiz uma história sobre ser criança mesmo quando se cresce, que é algo que eu tenho até hoje quando leio as obras dele.
4- Você escolheu a Marina, ou ela foi sugerida por alguém?
Quando o Sidney falou comigo ele disse que me enviaria uma lista de personagens. Eu disse que já tinha uma em mente, a Marina. Podia pegar qualquer um, os autores podiam até repetir os personagens, eu creio, foi uma liberdade de trabalho incrível! Mas eu escolhi a Marina. O Chico Bento e o Austronauta seriam segundas opções, mas eu acho que eles seriam logo escolhidos, então pensei num personagem que eu gostasse muito e que não fosse tão popular assim. O Sidney gostou da sugestão e eu adoro a Marina! O cabelinho dela, o fato dela ser uma personagem relativamente nova e pouco conhecida em comparação aos cinco principais, e na ideia que eu tinha da história, a característica dela ser uma desenhista foi uma grande saída.
5- Qual era sua relação com “A Turma da Mônica” quando era criança, colecionava ou só curtia de vez em quando?
Eu li muito turma da Mônica na minha formação. Eu lembro que uma das primeiras revistas que eu considerei um tesouro da minha coleção foi um especial de 30 anos da turma da Mônica, que entre os extras que explicavam a trajetória e o processo criativo do Mauricio e que tinha historinhas de todas as épocas da turma até então. Eu adorava aquela revista, que era em formatão. Pena que eu era pequeno e acabei perdendo o tesouro. Não compro todo o mês, mas eu leio a turma até hoje, tanto pra estudar a linguagem quanto pra me entreter. O legal é que quando pergunto aos meus alunos de Publicidade e Propaganda o que eles leem de quadrinhos eu ouço a resposta da maioria ser algum personagem do Maurício. Bem mais dos que respondem algum mangá ou comics, é bom ver um autor brasileiro ser líder do share of mind dos leitores.
6- Fale um pouco sobre o início da sua carreira.
Sempre desenhei quadrinhos, era a forma mais legal e mais prática deu colocar minhas ideias de histórias pra fora. Fazia quadrinhos antes de saber ler, versões do Conan, de herois de guerra e do 007 que eu gostava. Tinha que pedir pras minhas irmãs e cunhados escreverem os textos pra mim. O ruim era quando um cunhado escrevia errado o que eu pedia, como não sabia ler pra comprovar, tinha que acreditar na palavra dos outros. Aprendi a ler pra ler quadrinhos e poder finalmente me emancipar dos escritos dos outros. Daí pra frente tive que aprender a desenhar e fazer arte-final pras minhas histórias e posteriormente pintar. Aprendi tudo por necessidade. Fiz propaganda, marketing e agora ministro aula de quadrinhos além de fazer meus projetos de HQ e trabalhar com ilustração. É bom ganhar dinheiro com isso hoje, é bom trabalhar com o que se gosta, apesar de no Brasil ainda ser difícil.
7- Quais as influências do teu trabalho como desenhista?
Tanta gente. Todo o mundo que eu leio ou assisto de uma forma ou de outra me influencia. Pra citar alguns de hoje em dia: John Buscema, Renoir, Hayao Miyazaki, Márcio Nicolosi, Ivo Milazzo, e por aí vai.
8- Quais são seus próximos projetos?
Tenho algumas coisas engatilhadas, a maior parte em pré-produções. Mas dos que estão pra sair tem o Brasil 1500 do roteirista Fábio Fonseca que fiz com o Andrei Miralha, O Pretérito Mais que Perfeito de vários artistas que saiu como exposição aqui em Belém e terá uma versão impressa em breve, Garota Quadrinhos e outras tiras com a Karla Nazareth, Os Ativistas, e Estação das Chuvas que sairão primeiro na internet. Pros outros projetos espero levantar fundo pra produção, e nesse sentido os quadrinhistas brasileiros não são diferentes dos autores de teatro e cinema, que precisam de patrocínio e editais.
Em seu blog, mais precisamente neste post aqui, Otoniel contou um pouco mais da experiência.

Os personagens da capa foram retratados por Laudo (Louco), José Aguiar (Magali), Laerte (Franjinha e Bidu), Manoel Magalhães (Astronauta), Samuel Casal (Penadinho), Benett (Jotalhão), Raphael Salimena (Horácio), Ivan Reis (Cebolinha), João Marcos (Cascão), Christie Queiroz (Mônica), Fábio Cobiaco (Anjinho) e Erica Awano (Chico Bento).
MSP 50 – Mauricio de Sousa por 50 Artistas com 192 páginas custará R$ 98 (na versão com capa dura) e R$ 55 ( versão com capa cartonada). O lançamento acontece na XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, neste fim de semana (dias 12 e 13).










Essa foi boa, grande otoniel
É quase como seu eu conhecesse o Otoniel. Cara, se você vier aqui ler, eu sou a namorada do Deilton =)
O primeiro contato com o trabalho do Otoniel foi uma revista contando uma lenda sobre o surgimento da noite. Muito dez.
Com relação ao trabalho do Maurício, bem… eu praticamente aprendi a ler nos quadrinhos da Turma. Eu folheava antes mesmo de saber o que estava dentro dos balõezinhos brancos. E passei minha infância lendo. Há muitos anos não compro as revistas, mas não consigo passar por uma dando bobeira numa mesa ou sofá sem devorar todinha. Começando pela tirinha final.
Parabéns ao Maurício pelo trabalho de qualidade, parabéns ao Oto pela oportunidade de fazer parte da homenagem!
Parabéns Otoniel. Ser desenhista e participar de uma homenagem ao grande Maurício de Souza não tem preço.
Já estava com vontade de adquirir esta revista, agora com um paraense no meio, tenho uma obrigação.
heheh muito boa mestre Otoniel! parabéns!
acho que 100% da galera que lê ( e não lê) quadrinhos no Brasil começou a ler as historinhas de Mauricio e é muito legal saber que Otoniel tá no projeto.
já vou me preparar pra comprar o meu xP