O Halloween, como todos já sabem, existe há centenas de anos. Segundo a crença dos antigos, na noite de 31 de outubro acontecia o encontro entre o mundo espiritual e material. Mas esse acontecimento ganhou o mundo ao ser levado pelos irlandeses para os EUA, onde virou uma tradicional festa infantil que povoa cenas de seriados e produções americanos. Aqui no Brasil, foi introduzida principalmente pelas escolas de idioma, sendo um fenômeno ainda recente.
Por Adaucto Couto
Mas vamos ao que interessa: nem as fogueiras da Inquisição foram capazes de dar um fim a bruxos, feiticeiras, magos e derivados que hoje estão mais do que presentes na cultura pop. Aqui vai um apanhado de exemplos, baseados em lembranças quase verdadeiras.
Uma das primeiras bruxas de que me lembro é a Samantha, do seriado “A Feiticeira” (Bewitched, 1964-1972). Inesquecível aquela torcidinha no nariz para usar sua magia. O maridão, James, mesmo sabendo dos poderes da esposa, prefere se virar sem eles. Mas ela sempre dá um jeito de usá-los pra facilitar a vida do casal. Resultado: conflito inevitável e divertido.

Outra lembrança da infância é a da Malévola, de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty), animação da Disney de 1959, que assisti em um relançamento no bom e velho Cine Palácio. Nunca esqueço o vozeirão da Heloísa Helena, a dubladora brasileira, nem do momento em que Malévola se transforma em um dragão, ou quando prende o príncipe e o mostra já velho, indo salvar a princesa, conservada pela magia que a adormeceu.

O Universo Disney, aliás, é rico em bruxas e bruxos: a Rainha Má, de Branca de Neve (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937); Mickey Mouse dando uma de “Aprendiz de Feiticeiro” ao roubar o chapéu de seu mestre, Yen-Sid em Fantasia (idem, 1940) e – apesar de não ser bruxo, vale a citação – o demônio Chernabog, no mesmo filme, que atormenta os aldeões na noite de Halloween em “Uma Noite no Monte Calvo”; Madame Mim e seu já clássico duelo com Merlin em “A espada era a Lei” (The Sword in the Stone, 1963); Úrsula, de “A Pequena Sereia” (The Little Mermaid, 1989); Jafar, de Aladim (Alladin,1992); Dr. Facilier, de “A Princesa e o Sapo” (The Princess and the Frog, 2009).
Animes/mangás
E o mestre Hayao Miyazaki também contou sua história de bruxas: em “Serviço de Entrega da Kiki” (Kiki’s Delivery Service, 1989), ele mostra a bruxinha Kiki chegando aos 13 anos. Como manda a tradição, ela tem de deixar a casa dos pais e se estabelecer em outra cidade. Um belo conto sobre os desafios de crescer e andar pelas próprias pernas.
É também de Miyazaki o premiado “A Viagem de Chihiro” (Sen to Chihiro no Kamikakushi, 2001). A mimada Chihiro é obrigada a fazer um pacto com a bruxa Yubaba para poder salvar os pais, transformados em porcos, e evitar que sejam devorados.

A bruxa Yubaba e a jovem Chihiro
O mestre japonês nos presenteou depois com o também premiado “O Castelo Animado” (Hauru no Ugoku Shiro, 2004), baseado na obra da escritora inglesa Diana Wynne Jones. Sofia é uma jovem sem maiores ambições, até que conhece Howl, um feiticeiro dono de um castelo mágico, e depois acaba sendo transformada em uma velha por uma bruxa invejosa. O cultuado grupo CLAMP fez sucesso em todo mundo com o shoujo Sakura Card Captors (Card Captor Sakura, 1998), que teve origem no mangá de mesmo nome lançado originalmente em 1996. Sakura Kinomoto é uma estudante de 10 anos que um dia desperta, acidentalmente, Kerberos, o guardião das Cartas Clow, e, sem saber que tinha poderes mágicos, convoca a carta Vento e dispersa as demais.
Mas antes das aventuras de Sakura, o CLAMP já fazia sucesso com as Guerreiras Mágicas de Rayearth (Maho Kishi Reiāsu, 1994), também originado de um mangá publicado a partir de 1993. Durante uma excursão escolar, Hikaru Shidou, Umi Ryuzaki e Fuu Hououji são convocadas para salvarem o mundo mágico de Zephir. Lá, o Guru Clef explica que Princesa Emeralde havia sido raptada pelo sumo-sacerdote Zagard e que as três foram convocadas para se tornarem as Guerreiras Mágicas de Zephir.
E já que estamos falando de anime, um dos mais divertidos que assisti foi Maho Tsukai Tai! O bacana é que foi um dos poucos trabalhos que respeitou o fato do som não se propagar no espaço: a Terra foi invadida por seres alienígenas chamados posteriormente de Bells. Com o tempo, todos acabam se acostumando com a presença daquelas esferas, mas Takeo Takakura, presidente do Clube de Magia do Colégio Kitahonashi, não acredita nas intenções pacíficas das Bells e, com ajuda dos demais membros – Aburatsubo, Sae, Nanaka e Akane – quer combater os invasores. Só que nem mesmo os integrantes do grupo – com exceção de Sae – o levam a sério. Mas, como diria aquela velha chamada da Sessão da Tarde, “essa turminha acaba se metendo numa grande confusão”.
Ainda na seara dos animes, temos “Record of Lodoss War”, série de fantasia medieval criada por Ryo Mizuno, com adaptações para o mangá, anime e jogos de computador. No OVA de 13 episódios, lançado em 1990, o guerreiro Parn é enviado pelo povo da sua vila para descobrir o motivo dos ataques de criaturas malignas ao lugarejo. Juntam-se a ele, posteriormente, o mago Slayn, o clérigo Etoh, o anão Ghim, a elfa Deedlit e o ladrão Woodchuck. Mais RPG impossível. Nessa campanha, a inimiga do grupo é a misteriosa Karla, a Bruxa Cinzenta, bem como Ashram, o Cavaleiro Negro, e Pirotess, a bela elfa negra, além do bruxo Wagnard. A trilha sonora, tanto do OVA, quanto da série de TV, lançada em 1998, são excelentes.
Simbad
Outro mestre que “trabalhou” com bruxos foi Ray Harryhausen. Numa época em que não havia computação gráfica, o cara fazia estragos com o stop motion, que até hoje nada deixa a dever para muitas produções cheias de efeitos especiais. Quem nunca assistiu um dos filmes da série Simbad?
Em Simbad e a Princesa (The 7th Voyage of Sinbad, 1958), o marujo segue para uma ilha cheia de monstros para salvar sua amada princesa da maldição de um bruxo maligno. Em A Nova Viagem de Simbad (The Golden Voyage of Sinbad, 1974), o marinheiro vai atrás da desconhecida ilha de Lemuria, sendo seguido pelo feiticeiro Koura, que tenta atrapalhá-lo de todas as maneiras – especialmente com criaturas fantásticas, como a estátua da deusa Shiva, num dos momentos clássicos do filme. Mas o melhor de todos, a meu ver, ainda estava por vir: Simbad contra o Olho do Tigre (Sinbad and the Eye of the Tiger, 1977). Um príncipe é transformado em babuíno por uma poderosa bruxa e Simbad precisa ajudá-lo a voltar à forma normal para assumir o trono. Difícil descrever qual a melhor cena de ação, mas fiquemos com a batalha contra o tigre de dentes-de-sabre.
TV dos anos 80
Um clássico da TV dos anos 80 e até hoje reprisado é Caverna do Dragão (Dungeons & Dragons, 1983, baseado no RPG de mesmo nome), onde um grupo de amigos vai passear em uma montanha russa e acaba parando em um mundo de fantasia medieval. O desafio em cada episódio é encontrar um portal que os leve de volta para casa. Entre os bruxos presentes temos o atrapalhado Presto, o vilão Vingador e, claro, o enigmático Mestre dos Magos.

E falando em anos 80, eis que temos a Feiticeira, guardiã do Castelo de Greyskull em He-Man, e também mãe da personagem Teela. No mesmo desenho, uma das vilãs é a Maligna, aliada mais competente do inimigo número 1 de He-Man, o Esqueleto. Opa! E não esqueçamos do Gorpo!
E ainda tem a She-Ra, versão feminina – e irmã gêmea – de He-Man, onde havia a Madame Riso, uma espécie de Gorpo de saias.
Livros/cinema
Alguém assistiu a animação de As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa? Lembro que foi em uma manhã de domingo, na Globo. Passei um bom tempo tentando lembrar o nome daquele desenho, até que em 2005 foi lançado o filme – no original The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe. Nessa obra, temos a Feiticeira Branca.

A Feiticeira Branca na versão cinematográfica de As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa
Um personagem que não é bruxo, mas vale ser citado é Jack, o rei da Cidade de Halloween de O estranho mundo de Jack (Tim Burton’s The Nightmare Before Christmas, 1993).
Em 1997 chegava às livrarias de todo mundo Harry Potter e a Pedra Filosofal da britância J.K. Rowling. Além de fazer crianças e adolescentes ficarem nas filas para compra de livros, Rowling nos apresentou um universo rico, onde o mundo dos bruxos convive com o dos “trouxas”, e o mostra o dia-a-dia da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O garoto Harry Potter é “aquele que sobreviveu” ao ataque de Lord Voldemort. Sucesso nas livrarias, a saga gerou uma rentável franquia nos cinemas.
Quadrinhos
Nos quadrinhos, recordo do Mandrake, personagem criado pelo Lee Falk em 1934. Mandrake era um ilusionista sempre bem vestido, que combatia o crime com seus poderes hipnóticos. Tinha uma noiva, a princesa Narda, e um companheiro inseparável, o gigante Lothar.

Mas foi em 1985, através das mãos de Alan Moore, Steve Bissette e John Totleben, que surgiu um dos magos mais carismáticos dos quadrinhos: John Constantine, cujo visual foi inspirado no roqueiro Sting. Coadjuvante da revista Monstro do Pântano, ganhou um título mensal três anos depois: Hellblazer.
Em 1987 era lançada a série Livros da Magia, de Neil Gaiman. Timothy Hunter, ou apenas Tim, é um garoto inglês que pode se tornar o maior mago do mundo. Um belo dia, cruza com quatro dos maiores magos do Universo DC: Mister Io, Vingador Fantasma, Doutor Oculto e John Constantine. A missão deles? Apresentá-lo ao mundo da magia e em seguida oferecer-lhe a escolha de trilhar ou não os caminhos místicos.

Uma curiosidade: dez anos depois, era lançada a série Harry Potter, cujo personagem principal lembrava muito Tim: inglês, órfão, cabelos com corte semelhante e óculos parecidos. Logo veio a suspeita de um possível plágio, desmentido pelo próprio Gaiman.
Para encerrar esse longo papo, temos a contribuição de outra lenda viva dos quadrinhos para o mundo pop dos magos: em parceria com outra lenda das HQ’s, Jack Kirby, Stan Lee criou, em 1964, a Feiticeira Escarlate. Filha de Magneto, Wanda é uma mutante cujos poderes são a magia e manipulação da realidade.
Ainda nos anos 60, mas agora em parceria com Steve Dikto, Lee cria o Doutor Estranho, alter ego de Stephen Strange, bem-sucedido e arrogante cirurgião. Vítima de um acidente que o deixa impedido de trabalhar, ele vai parar no Himalaia, onde aprende a dominar os poderes místicos e se torna o maior mago do Universo Marvel.

Na década de 90 a DC Comics lançou Batman: O Longo Dia das Bruxas uma minissérie escrita por Jeph Loeb, com arte de Tim Sale. Foi publicada originalmente em 1996 e 1997. No Brasil, foi lançada pela Abril e em 2008 pela Panini.
Na história, enquanto Batman, o capitão Jim Gordon e o promotor público Harvey Dent trabalham lado a lado para terminar com as atividades ilegais de Carmine Falcone, uma série de assassinatos vinculados ao mundo da máfia se desenrolam em Gotham City. O vilão misterioso, apelidado “Holiday” (feriado), está matando membros das mais importantes famílias de mafiosos vinculados aos Falcone, a cada feriado ou dia comemorativo. Sim, bem parecido com o plot de Batman, O Cavaleiro das Trevas. Por sinal a frase “Eu Acredito em Harvey Dent” vem dessa minissérie.











Os Livros da Magia: melhor HQ ever.
Esse ano gastei $3 dólares e 17 centavos com doces e quadrinhos de super-heróis… happy hallowen!!!
Vcs eskeceram d citar MUN-HA!
“O d vida etrena…”
belo trampo, parabens!
@apolo: concordo… e ainda serviu pra criaçao do pastiche hairy potter!
@zureta: pois é… infelizmente. Quando surgiu o “Hairy Poker”, a primeira coisa que me veio a cabeça foi “um garoto mago de óculos com uma coruja? Já vi isso antes…”
Neil Gaiman e John Bolton foram escrachadamente furtados pela J.K. Rowling…