Nosso liso convidado, Marcelo Gabbay, esteve lá na presença da maior lenda viva da música pop e conta como foi. E mais uma porrada de fotos exclusivas.
De frente para Paul McCartney: uma viagem mágica e misteriosa!
Por Marcello Gabbay | Fotos de Michele Campos
Foram exatos vinte anos de espera. Em janeiro de 1990, durante as férias escolares assisti o filme “Febre de Juventude” (I Wanna Hold Your Hand), produzido por Steven Spielberg, na Sessão da Tarde da Globo e de alguma forma aquilo me pegou de jeito. Era um ano especial, uma década da morte de John Lennon, duas da separação dos Beatles, cinquentenário de John e Ringo. A mídia despejou uma penca de filmes, relançamentos, Lps (é, faz tempo!). Um desses produtos foi o documentário “Imagine”, que eu vi no Cinema 2, da São Pedro, em Belém.
Para fechar o ano Beatle, Paul McCartney fez uma apresentação histórica no Maracanã, e o “Paul in Rio” virou episódio dos quadrinhos de Chico Bento e transmissão da Globo, que eu vi na casa da minha tia.

O velho Macca tirando onda de moleque aos 68 anos.
De lá pra cá, são vinte anos, quase duzentos Lps, vídeos, livros – muitos! Outro dia me toquei que são duas décadas, não de fanatismo, mas de estudo sobre os Beatles. Estudo musical, sociológico, espiritual, porque, hoje a figura de Paul McCartney me toca como a de um professor, um mestre, um parente, e isso é o que dizem vários beatlemanícos.
Quando saiu a notícia dos shows no Brasil, depois de boatos ridículos como parceria com Roberto Carlos, show num cruzeiro pelo Nordeste, e coisas do gênero, cancelei todos os compromissos financeiros. E a bomba veio: 350 Reais por uma meia-entrada na pista prime do Morumbi. Cartão de crédito emprestado a postos, eu fui um dos sortudos que entrou por acaso no site da Ingresso.com antes da hora e conseguiu fazer a compra antes.

Gabbay (de óculos, à direita) a poucos metros do ícone de várias gerações.
Depois que eu descobri no Youtube e nos sites dos fã-clubes que a distância da tal pista prime poderia ser equivalente até a 100 metros, fiquei murcho. E me convenci: “o importante é estar lá, não importa a distância!”. Mentira, importa sim. E qual não foi a minha surpresa ao perceber que, depois de uma manhã e uma tarde de sol escaldante na fila e depois de sair correndo pelas catracas do estádio que nem um adolescente no show dos Jonas Brothers, o palco estava lá, pertinho, pertinho! Convulsões de júbilo! Paraenses se encontrando! E mais quatro horas de espera, a cerveja e a água cada vem mais inflacionadas passando de 2 para 5 Reais num piscar de olhos.
Tudo isso seria recompensado às 21h35 em ponto. O estádio foi abaixo quando o pequeno senhor de 68 anos, Paul McCartney, chegou no palco. No meio da gritaria eu sussurrei baixinho “Ai, meu Deus!”. O som estava perfeito, o repertório lindo, e ele, meu professor, meu amigo, meu irmão mais velho, uma simpatia, fiquei orgulhoso dele! E às vezes, quando ele fazia um movimento especial, uma forma de se esticar no microfone pra alcançar uma nota mais alta, um jeito de balançar a cabeça, de repente lembrava que aquele senhor era o mesmo Paul jovem dos anos 60, era um dos Beatles, tão distante e tão próximo.

Paul na hora da homenagem a George Harrison, cantando Something
O mesmo que conheceu John Lennon, George Harrison e Ringo Starr tão intimamente, o mesmo que cantava no Lps de casa. O mesmo das capas de disco que eu folheava nas prateleiras da Mesbla e da Visão, ou da secreta lojinha do Paulo Brasil na Avenida José Malcher, gueto de colecionadores de disco, já no final dos anos 90, e onde eu comprei tantos Lps usados que um dia ele – o Paulo Brasil – desceu do depósito no sótão com um brinde especial pro menino estranho que frequentava a loja, um compacto em 14 polegadas de “Goodnight Tonight”, do Paul McCartney, um disco raro distribuído apenas para disk jockeys e rádios.
É, eu estava a poucos metros de um beatle, de verdade, em carne e osso! Uma experiência que me deixou calado durante as quase três horas de show, soterrado no meio da multidão acotovelada. E eu pensei, esse foi o momento ideal. Minutos antes do show, já no estádio, meu primo místico me disse: “Tudo na nossa vida convergiu pra esse momento”. Nas outras turnês, não era possível ver Paul se deixando emocionar de verdade – com direito a olhos marejados e voz embargada – cantando uma homenagem sincera a John Lennon. A canção “Here Today” foi o ápice da noite. Na despedida, Paul levou um tombo na beira do palco, fiquei apreensivo, “coitado!”. Mas, elegantemente, ele se levantou no mesmo pé e ergueu os braços no último adeus à massa de quase 60 mil pessoas.
Galeria de belíssimas imagens do show:
Este slideshow necessita de JavaScript.
Agora, em casa, aquele momento é lembrança, história pros netos, como dizem. O ingresso pequenino foi emoldurado, tietagem pura! Mas as fotos… Outro grande presente da modernidade, e do talento da esposa querida, Michele Campos, a autora cuidadosa dessas imagens fantásticas, que vão lembrar pra sempre dessa viagem mágica e misteriosa!
É queridos, não há Youtube que compense a experiência de estar lá. E olha que ainda faltam duas prestações a pagar, mas outro investimento assim, acho que só quando os quatro Beatles se reunirem de novo… The dream goes on…
Nota do Editor:
Very, very, very, very special thanks a Marcelo Gabbay e Michele Campos pela mais do que bela reportagem.










O show foi emocionante, pra dizer o mínimo. Eu estava lá, mas como um bom 100grana, estava na arquibancada laranja, bem mais barata.
Mister Gabbay. Que matéria linda, emocionante. Realmente, deve ter sido uma experiencia fabulosa. Tive que me contetar com o show pela tv. Fazer o quê?
Um abraço
Ahh… Eu fui nos dois dias! E até agora quando me lembro do show fico arrepiada!
Alias, sou do RJ, mas minha familia é aí de Belém e eu amo essa terra! Fui agora em outubro e pretendo voltar em janeiro. =D
Sem palavras para descrever…Foi o show do ano.
Adorei a materia ! Atraves de suas palavras viajei no tempo e tambem me senti quase presente no show!!! Parabens.
Cecy