7 Comentários

100Grana viu Tudo Entre Nós – John e Paul após os Beatles

Hoje, faço um review de um filme pouco divulgado, mas muito interessante para quem é fã dos Beatles. E ainda faço um trocadilho bacana no título.

Eu já perdi a conta de quantos filmes abordam de alguma forma a trajetória dos Beatles. Seja num musical (Across The Universe), focando os fãs (Febre de Juventude), a vida a dois de um dos membros (John & Yoko), ou até mesmo contando a história do assassino de um deles (Capítulo 27 ), parece que sempre alguém tem um jeito de contar algo novo sobre o quarteto no cinema.

E aí tivemos Tudo Entre Nós (Two Of Us), filme televisivo de 2000 , dirigido por Michael Lindsay – Hogg, o mesmo cara responsável pelo filme “Let It Be”. O filme merece destaque, primeiro pela sinopse: Usando de licença poética na maior parte do tempo, o filme mostra o reencontro de Paul McCartney com John Lennon em Nova York, 1976, seis anos após o fim do grupo. Sem se falarem desde então, Paul seguia fazendo shows com sua nova banda, a Wings, enquanto Lennon fazia sua campanha pela paz e, ao mesmo tempo, optava pela vida familiar e reclusão. É nesse cenário que Paul decide fazer uma visita ao antigo parceiro, em seu lendário endereço no edifício Dakota.

Nesse reencontro, sobram velhas histórias, uma cantoria juntos, passeios pelo Central Park (disfarçados, obviamente) e, como era de se esperar, a roupa suja também é lavada. Lennon ainda se ressente pelo tratamento dado a sua esposa, pelo fato de Paul querer sempre dominar as decisões do grupo até o fim da banda, ao passo que Paul cobra de John a ausência dele na época, em como ele privilegiava a companhia de Yoko e parecia querer colocá-la na banda e o fato de se exilar. Paul alfineta até mesmo o estilo de John, que diz que faria algo melhor com “Yesterday”, ao que Paul responde: “Você teria acabado com ela, pondo alguém gritando no refrão”.

O dia em que o encontro se passa não poderia ser mais coincidente: nesse mesmo dia, Lorne Michaels, criador e apresentador do famoso humorístico Saturday Night Live (no ar até hoje), ofereceu ao vivo um cheque de 3 mil dólares para que o quarteto aparecesse no programa. Oficialmente, os dois cogitaram a aparecer no show e só não o fizeram porque estavam muito cansados. No filme, existem algumas diferenças por questões da dita licença poética, mas nada que estrague o filme.

Falando nele, a estrutura da produção do canal VH1 em parceria com a Viacom é bacana. Embora interajam com várias pessoas como taxistas, fãs, garçons, policiais, etc., a maior parte das cenas se focam apenas nos dois dividindo a cena, o que dá ares de teatro ao desenrolar da trama. E é engraçado que a fotografia, pelo que notei, coloca os dois protagonistas, mesmo dividindo um mesmo espaço, em enquadramentos separados, como se quisesse enfatizar o distanciamento entre eles, e isso vai mudando no desenrolar da história, mesmo que em algumas cenas esse  formato se repita.

Os atores foram bem escolhidos. Embora force um pouco o sotaque, Aidan Quinn consegue fazer um Paul McCartney convincente, com todos os trejeitos e aquele olhar de “O que eu falo agora?” que Paul sempre faz. A cena em que Paul está na porta do apartamento, pouco antes de bater, visivelmente desconfortável sem saber se deveria estar ali, sou só elogios para a performance. E Jared Harris, a ser visto em breve nos cinemas como o vilão em Sherlock Holmes 2, fica bem contido, cínico (o modo como ele trata os fãs, não importa a idade, é impagável) e sereno como Lennon. Só não é perfeito porque a voz não sai muito parecida, mas também não se pode forçar a natureza. A caracterização dos personagens também ajudou bastante nesse propósito.


Eu sou meio avesso a filmes feitos para a TV, mas eu acredito que Tudo Entre Nós ganha pontos por todo o cuidado que teve. Como um texto diz no começo do filme, é uma forma de homenagear o grupo por sua contribuição para os fãs e para música e, mais do que isso, merece destaque por trazer uma história original em meio a tantas outras que já vieram e ainda aparecem nos cinemas.


E é um filme que abre a discussão: Se as coisas não tivessem caminhado para aquele trágico 8 de dezembro de 1980, haveria uma reunião dos Beatles?  Como seria o futuro? Querem saber? Continuem lendo o 100Grana que falarei mais sobre isso.

Veja um trecho de Tudo entre Nós:

7 comentários em “100Grana viu Tudo Entre Nós – John e Paul após os Beatles

  1. 30 anos sem John.

    Não vi esse filme. Na verdade nunca ouvi falar, mas me interessei. Aquele sobre o assassino do John Lennon (Capítulo 27) é ridículo, sensacionalista, dispensável.

  2. Mentorbreak voltou!

  3. Na verdade eles dois se reencontram 2 anos antes da estória desse filme. Em 1974 eles participaram de uma sessão informal de gravação e chegaram a tocar juntos uma última vez.

  4. Bom post Mentor, apesar de se tratar de um filme bem ruim.
    O único atrativo é o fato de ser o reencontro dos dois.
    Tive uma decepção semelhante ao ver “Um tiro para Andy Warhol”

  5. Esse John Lennon tá parecendo uma versão magra do Jack Black!

  6. Até hoje não assisti esse filme, já procurei em várias locadoras daqui da minha cidade e nunca achei. Vou recorrer a Saraiva pra ver se vende.

    Mentorbreak voltou! [2]

  7. Já ia esquecendo… é uma ficção!

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