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Psicólogos forenses fazem críticas à DC Comics

Artigo publicado em jornal analisa estereótipos na criação de vilões insanos.

Polêmicas tem sido um prato cheio em discussões nos quadrinhos da Marvel e DC atualmente. Seja pela mudança do Homem Aranha Ultimate para um jovem latino e negro, seja pelos anúncios recentes de personagens com opção sexual diferenciada, ou mesmo a falta de personagens que representem com coerência estas parcelas da sociedade, agora, um grupo de psicólogos escreveu um artigo publicado no The New York Times.

Segundo os psicólogos forenses H. Eric Bender, Praveen R. Kambam e Vasilis K. Pozios,  há um certo exagero na concepção de personagens insanos, e ressaltam especialmente o universo do Batman neste caso. Leiam uma parte do texto a seguir:

“Histórias em quadrinhos há muito tempo contaram com transtornos mentais para conduzir os seus vilões mais memoráveis. Tomem por exemplo a linha Batman, em que o Coringa, Harley Quinn e outros “criminosos insanos”  são residentes de hospital forense de Gotham City, o Asilo Arkham.

Introduzido em 1974, o Arkham grosseiramente confunde os conceitos de hospital psiquiátrico e de prisão. Pacientes são chamados de “presos”, vestidos com macacões laranja e algemas, enquanto um profissional de saúde mental funciona como o “guardião”. Até mesmo a antiquada palavra “asilo” implica que os doentes são trancafiados sem tratamento e pouca esperança de reunir a sociedade. Contraste isso com mundo real e os  hospitais psiquiátricos, onde os pacientes são tipicamente incapazes para um julgamento ou julgados inocentes por razões de insanidade. Estes indivíduos não são presos, desde que não tenham sido condenados por crimes e não são presos.

Verdade, alguns dizem, “são apenas histórias em quadrinhos.” Mas tais imprecisões podem perpetuar estereótipos prejudiciais. Segundo um estudo nacional constatou em 2006, 60 por cento das pessoas acreditavam que uma pessoa com esquizofrenia, como descrito em uma vinheta, seriam violentos  com os outros – apesar do fato de que, de acordo com o escritório do Surgeon General, “Há muito pouco risco de violência ou dano a um estranho de contato casual com uma pessoa que tem um distúrbio mental. ” Tais estereótipos por sua vez podem levar à discriminação para as pessoas com transtornos mentais, que podem evitar o tratamento por medo de serem rotulados como “lunáticos”.

É por isso que a DC Comics deve aproveitar a oportunidade com os novos 52 (a reformulação controversa do universo DC, falarei dela em breve aqui) para tomar a frente na transformação de representações de saúde mental em quadrinhos. Para começar, os escritores devem parar de interligar a violência com transtornos mentais para explicar o comportamento criminal. Além disso, descrições precisas de sintomas devem ser emparelhadas com a terminologia correta para descrevê-los. Por exemplo, os escritores podem se referir ao Coringa, freqüentemente descrito como falta de empatia e ser um mentiroso patológico, como “psicopata”, ao invés de “psicótico”. Nos quadrinhos, estes e outros termos psiquiátricos são trocadas casualmente, e em psiquiatria, são radicalmente diferentes.

Em resposta, Jim Lee e Dan DiDio, co-editores da DC, publicaram no blog oficial da editora, que o objetivo das histórias  escreveu que “nós queremos que as aventuras ressoem no mundo real, refletindo as experiências de nossos leitores diversos.” Para realmente isso acontecer, eles deveriam começar por reintroduzir suas representações de saúde mental”.

Eu até concordo que os termos corretos deveriam ser melhores utilizados, mas pedir isso numa mídia que, como tantas outras, se vale de muita licença poética para contar histórias, é complicado. Agora convenhamos, quadrinhos só devem ser levados a sério até o aspecto de arte gráfica e bons roteiros, mais do que isso é bobagem,  da última vez que vi alguém analisando quadrinhos e escrevendo sobre isso, um psicólogo chamado  Frederick Wertham soltou o livro A Sedução do Inocente e um monte de HQ foi pro saco!

18 comentários em “Psicólogos forenses fazem críticas à DC Comics

  1. “Segundo um estudo nacional constatou em 2006, 60 por cento das pessoas acreditavam que uma pessoa com esquizofrenia… seriam violentos com os outros”

    Pô, daí já acho que isso é problema de quem é mal informado e não dos quadrinhos.

    Eu quando leio meus gibis, vou atrás de diversão e não de conhecimento.

    Continuem dando trela pra essa cambada de desocupado e daqui a pouco os físicos vão escrever artigos assim, os geográfos também, os historiadores, matemáticos….

    Meu saco, viu!

  2. Fala sério… mais um imbecil ataque do “politicamente correto”.

  3. Fala sério… mais um imbecil ataque do “politicamente correto”.[2]

  4. Achei bem interessante e relevante o comentário do texto (que afinal, é de quem? Fontes, please!)

    Acho que trazer conceitos reais da psicologia pro universo dos quadrinhos pode tornar as histórias muito mais interessantes e ajudar a derrubar preconceitos.

    @Mentorbreak, você falou em arte, eu leio Neil Gaiman, Garth Ennis, Alan Moore e J. Michael Straczynski, e não consigo pensar em suas obras como outra coisa. Até a Turma da Mônica, pra mim, é arte. Hoje não tão refinada quanto as histórias que o Maurício de Sousa escreveu nos anos 70, mas ainda assim, arte.

    E uma dos grandes baratos da arte não é levar à reflexão?

    Acredito que é preciso diferenciar o moralismo, o “politicamente correto” ou como o Lobão diz, a “paumolescência” de uma discussão saudável que pode ampliar os horizontes dessa “cultura pop”.

    É muito fácil simplesmente taxar um psicólogo de chato (a maioria são chatos mesmo!) e se fechar pro que eles têm a dizer. ;)

  5. NA boa, quando se lê algum obra, dá claramente pra saber o q é informação e o q é licença poética.A parte de informação costuma ser mínima e quem lê não tá buscando isso, apenas diversão, pois não se trata de nada técnico.
    Como disseram aí em cima, a culpa é do público ser desinformado msm. Ou vão ter q colocar q usar uma roupa de morcego não te torna um super-herói em todo canto de página agora?

  6. Eh incrível como eles conseguem expor o que pensam e não deixam que o povo simplesmente CURTA o que é arte…

  7. Mais um fdp querendo dar uma de Sr.Fodão fazendo essas críticas de merda, acho que deveriam parar de falar sobre o lado técnico das artes, parar com essas críticas de filmes, HQs e até músicas em que o crítico só quer falar bonito e mostrar o seu conhecimento. Será que é tão difícil ler ou ver alguma coisa e apenas curtir? Uma coisa é o cara ver um filme ou ler uma HQ e falar ” a não gostei muito do herói, achei a história fraca… roteiro não tá muito legal…” e outra coisa é ficar falando essas merdas de intelectual…. HQs e filmes são coisas pra se divertir, artes que atravessam essa barreira do realismo que proporciona diversão pra gente. Aí um doido vai ler um gibi e falar de estereótipos prejudiciais depois… pqp.

  8. Cara, meu irmão foi diagnosticado com esquizofrenia a alguns anos e já tentou me matar duas vezes. As vezes ele ta completamente normal, mas as vezes ele simplesmente surta e ninguém sabe o que pode acontecer. Acho que os quadrinhos não estão tão errados assim.

  9. @Apolo o texto foi publicado no The New York Times, tá la no início da matéria. E eu não me fechei, eu até concordei que deveriam usar os termos corretos, mas eu acho que ´tem um certo exagero aí ;)

  10. @Apolo, isso aí é politicamente correto dos mais chatos… os caras tão reivindicando que o a psiquiatria seja fielmente retratada nos quadrinhos! Mas pombas, são só revistas em quadrinhos, meu saco!
    Imagina se os pilotos de avião começassem a boicotar Topgun, etc… não dá!
    A arte já leva a reflexão sem que chatos acadêmicos se intrometam….

  11. Claro que HQs são puro entretenimento. Mas acho válido esclarecer certos conceitos que são mal inseridos nas histórias.

    Até porque muita gente lê e depois acha que entende do assunto, quando na verdade ta falando bobagem.

  12. É por isso que chamam de “ficção”, são coisas que não existem ou não aconteceram… Alguém avisa para estes tais psicólogos, por favor?

  13. Os graduados não sabem a diferença entre ficção e realidade, não sabem o que é distração e divertimento. Isso é para chamar atenção não trabalham

  14. Como diria Heath Ledger, why so serious?

  15. Concordo com o Apolo, acho que se as pessoas vão usar um termo, devem pelo menos evitar exageros ou troca termos equivocados.

  16. Eu não sei, mas quando você pega uma obra como quadrinhos,filmes,etc a equipe que a idealizou a obra deve ter cuidado ao pesquisar em diversas fontes antes de lançá-la,pois pode passar informações errôneas ou distorcidas …exemplos disso: falhas jurídicas em novelas e afins, falhas de pesquisas econômicas,sociais,etc de determinados paises em determinados desenhos,filmes,etc…Off.: Divertir também é informar…

  17. Acho que essa cultura dos quadrinhos (incluindo obras baseadas em quadrinhos – filmes, games, animações, etc) está numa fase de transição. Já perdeu muito da ingenuidade daquelas primeiras histórias do Superman lá em Action Comics, ganhou muito mais cientificismo e seriedade pra tratar de vários assuntos, mas ainda tem muito do absurdo, do mágico, do surreal. Acho que não são realistas, mas talvez se aproxime do Realismo Fantástico.

    Acho que o próprio público não entende bem o que quer em relação a isso. Muitos aplaudem o que segue fortemente esta tendência, como os rumos que o Batman vem tomando, mas ainda assim torcem o nariz pro Superman sem aquela sunga vermelha, ou pro Homem-Aranha com um uniforme mais verossímil, por exemplo.

    Entendo que seja uma porrada meio difícil de digerir. Mas são mudanças que sempre existiram lentamente, desde que os quadrinhos surgiram, e que acredito que o público vá assimilar com o tempo.

    Quanto a visão psicológica, com respeito a opinião dos colegas, acho que vocês só tiveram essa reação porque veio “de fora” (nem acredito nisso, esses psicólogos devem ser grandes fãs de quadrinho pra pesquisar sobre isso). @zureta, ninguém falou em boicote! Se um autor de HQ simplesmente recria o Arkhan ou se preocupa em usar termos mais corretos de uma maneira interessante e inteligente, ninguém presta atenção. Ou até agrada a maioria. Tipo “ei intelectual, não fale mal dos meus quadrinhos”. Aliás, usar a palavra “intelectual” de forma pejorativa, pra mim, é complexo de inferioridade.

    H.P. Lovecraft, entre tantos, escrevia contos totalmente absurdos, mas o que o tornou famoso foram os avançados termos técnicos e referências científicas que fazem o leitor “acreditar” mais, ampliando a experiência da leitura.

    Não sou a mãe Diná, mas não precisa ser uma charlatã pra perceber que quadrinhos, por um bom tempo, não serão realistas (no sentido artístico da palavra), inclusive os de super-heróis. E nem que essa mídia está mudando.

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