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Especial Homem-Aranha 3 – Crítica por Brunno o Bruto

Meus caros amigos lisos, está na hora de dar o meu parecer sobre o terceiro filme do Homem-Aranha: Foi a maior decepção de todos os tempos. Confira aqui o porquê.

Por Brunno o Bruto

Fiz uma análise das principais cenas do filme Homem-Aranha 3 para tentar entender como Sam Raimi e a Sony Pictures Entertainment conseguiram transformar um filme que tinha tanto potencial para ser de longe o melhor filme de super-herói de todos os tempos na maior decepção de todos os tempos.

Como todos meus companheiros aqui já falaram das poucas partes positivas deste filme eu só me dirigirei aqui as partes negativas.

Se você gostou do filme ou não gosta de opiniões contrárias, é melhor nem ler o que escreverei a seguir.

Preparado? Então vamos lá:

Simbionte: A piada já começa na chegada do simbionte a terra, que ocorre dentro de um meteorito, que coincidentemente cai no mesmo local em que Peter (Tobey Maguire) e Mary Jane (Kirsten Dunst) estão.

O pior é que Peter não nota a presença do simbionte nem mesmo quando ele se prega na traseira de sua moto. Depois o simbionte passa bom tempo no cubículo onde Peter mora, ainda sem que ele note. O espertinho só reaparece quase na metade do filme para se apossar de Peter no exato momento em que nosso herói está fora de si, com os nervos à flor da pele (que coincidência, não?).

O que o simbionte esteve fazendo esse tempo todo no apê de Parker? Talvez jogando Playstation 2, vendo TV, curtindo a paisagem nova ou simplesmente descansando da viagem. Onde está o famoso “sentido de aranha” que sempre o alerta o nosso herói de um perigo? Uma falha grotesca de Sam Raimi (aliás, para um cara que fez um filme sem sentido, esquecer que o Aranha tem sentido é normal).

E antes que vocês venham com aquela história de que “o simbionte não é detectado pelo sentido de aranha” aí vai a “Prova dos Nove”:

Durante as Guerras Secretas (em 1985) foi onde Peter encontrou o Simbionte pela primeira vez

Agora você deve estar se perguntando: “Então por que Venom não é detectado pelo sentido de aranha?” Eu Respondo: Após o convívio com Peter, o simbionte encontrou uma maneira de bloquear o Sentido de Aranha. Simples assim!

Outra piada é que o simbionte fica por cima da roupa do aranha, podendo ser retirado por Peter Parker como uma roupa comum quando ele bem entender. Se ele estava com raiva, usava o uniforme negro, se não, ele tirava o uniforme negro. E os poderes do simbionte então?! Nenhum dos poderes que constam nos quadrinhos aparecem neste filme, pelo menos não quando Peter Parker o usa. A única coisa que fica evidente mesmo no filme é que Peter fica mais agressivo, e até isso só ocorre em alguns momentos do filme.

Lado negro de Peter: Esse aí causou as maiores polêmicas do filme. Era pro cara ser agressivo, insensível, frio, rude, maquiavélico e não ficar dançando, tocando piano, jogando o cabelo pra frente do rosto e etc.

Duas cenas que retratam o que eu estou falando: A primeira ocorre quando Peter Parker sai na rua e banca o John Travolta (vulgo Tony Manero) em Os Embalos de Sábado à Noite (com direito à rodadinha, rebolada e tudo mais). Quando vi aquela cena, a primeira coisa que me veio na cabeça foi a música dos Bee Gees. Pensou o mesmo que eu? Então som na caixa, DJ:

A segunda foi quando Peter Parker virou Gigolô de Boate, com direito a piano (Elton John Total), dança em cima do balcão, estala os dedos e por fim manda um tango morto de canalha.

Essa cena é tão deprimente que chega a beirar o ridículo. Por falar em ridículo, quando eu vi esta cena eu não podia deixar de me lembrar disto aqui:

Os Vilões: O modo em que Venom é abordado no filme é a prova de quanto Sam Raimi gosta, ou melhor, não gosta deste personagem. Começando pela sua criação, que foi através de uma daquelas coincidências: Eddie Brock Jr. (da onde veio esse “JR.” no nome dele? Das revistas em quadrinhos é que não foi), que foi interpretado por Topher Grace, tinha acabado de perder o emprego de fotógrafo no Clarim Diário e coincidentemente entra na mesma igreja em que Peter está tentando tirar o simbionte de seu corpo. O motivo para Eddie Brock estar lá é para pedir a Deus que mate Peter Parker (Um motivo melhor poderia ser colocado. No desenho animado, por exemplo, ele vai até a igreja perseguindo uma foto que incriminasse o Homem-Aranha).

Um dos melhores vilões do Aracnídeo nos quadrinhos, no filme seu papel foi de um mero coadjuvante

Fora isso, Venom, que nem mesmo se intitula como Venom durante o filme, tem aparições rápidas e pouco mostra o visual de seu uniforme negro, como sua aranha branca no peito, por exemplo. Nem mesmo o terror psicológico, característica marcante do personagem nos quadrinhos para atormentar a vida Peter Parker faz-se presente neste filme.

Já o Homem-Areia, que eu acreditava que seria jogado para escanteio num filme com Duende Verde e Venom, acabou sendo o que mais se destacou entre os três super vilões. Também Sam Raimi fez de tudo para que o seu vilão preferido conquistasse e comovesse o público. Mas nem mesmo ele escapa das coincidências que estão presentes por todo o filme.


O Homem-Areia foi o vilão mais bem aproveitado no roteiro

Uma delas ocorre quando Flint Marko (Thomas Haden Church) está sendo perseguido pela polícia e invade uma área de testes para partículas físicas (Pelo menos é o que esta escrito na placa do muro que ele escala) e cai exatamente onde será realizado o experimento. O Mais engraçado é que os cientistas que estão realizando a experiência (que ninguém sabem quem são ou pra que estão fazendo aquilo) notam que a uma “mudança na massa do silicone” e pensam que é um pássaro. Bom eu não sou em gênio em Física mais sei que massa tem haver com peso. Marko no mínimo deve pesar uns 90 kilos, então para ser um pássaro tinha que ser um bem gordo. O que vale mesmo é ver os efeitos visuais da desmoleculização (ô palavrinha difícil) de Flint Marko e sua transformação.

Outra coincidência ocorre quando Flint Marko, após ter se tornado o Homem-Areia, anda muito tranqüilamente (para um fugitivo da polícia) pelas ruas de Nova York quando é reconhecido por dois policiais. Para fugir dos policiais bastou somente ele atravessar a rua para coincidentemente encontrar um caminhão de areia no qual poderia se esconder.

Já o Duende Verde Jr. (Harry Osborn), que foi interpretado por James Franco, em nenhum momento do filme assumiu o legado de seu pai Norman Osborn (o primeiro Duende Verde) que foi interpretado brilhantemente por Willem Dafoe no primeiro filme. O soro experimental deixou Harry com os mesmos poderes (super força, por exemplo) mais sem a insanidade de Norman. Harry persegue Peter apenas por vingança pessoal por achá-lo culpado pela morte de seu pai.

Esse é o Duende Verde? Tá mais pra praticante de Snowboard. Ou uma versão branca e granada do Rocket Racer, vilão do Aranha.

E ainda tem a roupa ridícula de Harry, que não parece em nada com a do Duende Verde e sim com uma versão mais cara da roupa do Rocket Racer (você não sabe quem é esse ai, então clique aqui e descobre).

E pra finalizar…

Mostrarei mais alguns erros, absurdos, contradições e coincidências que tornaram este filme a maior decepção de todos os tempos.

Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard) apesar de ser um “tesouro”, como disse Dan Passos em sua crítica, e de deixar Kirsten Dunst no chinelo com sua estonteante beleza, no filme não passa de um bibelô em perigo, praticamente uma versão feminina do Jimmy Olsen.

Gwen também foi protagonista de uma cena onde o nexo passou longe: acontece um acidente onde uma viga de ferro derruba uma parte de um andar de um prédio. Gwen que é colega de Peter, está neste prédio e além de estar em perigo ela está sendo ao mesmo tempo, fotografada pelo namorado Eddie Brock Jr. (Topher Grace), vigiada pelo pai, Capitão Stacy (James Cromwell), e no final ainda é salva pelo Homem-Aranha (fala sério, Sam Raimi).

Outra decepção acontece quando Peter descobre que o assassino de seu tio, Ben Parker, não foi Dennis Carradine e sim Flint Marko (Homem-Areia).

Este absurdo feito por Sam Raimi foi uma tentativa infeliz de causar o mesmo “elemento vingativo” de Batman de 1989. Onde, no filme, o Coringa é o assassino dos pais do Batman. O Homem-Aranha não precisa de nenhum “instinto vingativo” para perseguir um bandido comum, muito menos um super vilão, basta que ele ofereça algum perigo a sociedade. Essa mudança drástica na história do Aranha abre uma série de possibilidades. Uma delas é: Mesmo se Peter impedisse a fuga de Dennis Carradine no estádio (você pode ver isso no primeiro filme) Peter poderia não evitar a morte de seu tio Ben Parker, já que seu assassino foi Flint Marko. Isso poderia acarretar mudanças no caráter de nosso herói aracnídeo, podendo até transformá-lo em um Anti-Herói Violento ou até mesmo em um Super vilão.

Batman de 1989

Outra decepção acontece quando Venom e Homem-Areia decidem unir forças para derrotar o Homem-Aranha. Essa cena é tão clichê quanto a que ocorreu em Batman Eternamente, onde os antagonistas foram Charada e Duas Caras. Olha esse papo morto de escroto: “Eu quero matar o Aranha. Você quer matar o Aranha. Juntos ele não terá chance. Interessado?” Mais clichê que isso só o que vem a seguir.


“Você quer pegar o morcego, eu quero pegar o morcego. Juntos ele não terá chance. Interessado? ” Qualquer semelhança não é mera coincidência

Ao saber que Venom e Homem-Areia se uniram, Peter vai atrás de seu amigão Harry que tentou matá-lo durante todo o filme, para lhe pedir ajuda. Harry manda Peter cair fora. Aí entra em cena A múmia com Alzheimer (o Mordomo de Harry) que faz Harry mudar de idéia dizendo mais ou menos o seguinte: “Apesar de ter acontecido a 2 anos atrás, só agora que eu vou lhe contar que foi a própria lâmina do planador de seu pai que o matou e não o Homem-Aranha.” Tosco.

Então Harry e Peter se unem para confrontar Homem Areia e Venom (ô filmezinho clichê, velho). Na cena onde os dois ficaram em cima da prancha (aqui lembrei de Batman e Robin, de Joel Schumacher), só faltou o Harry dizer ao Peter “Sobe na minha prancha, amigão” ou “bate neles, amigão”.

Ainda teve também a cena em que Peter perdoa o Homem-Areia (o cara que estava matando o Aranha com Marretadas de areia à 10 minutos atrás), assassino de seu tio Ben sem nem ao menos refletir sobre a história que o cara tinha contado (ou até mesmo conferir se aquela história era verdadeira) e ainda por cima deixando ele fugir (desde quando o Aranha não prende assassino?). E no seu leito de morte Harry (o cara queria matar o Aranha meia hora antes) diz que Peter é seu amigo. Essas cenas além de incoerentes são muito clichês.

Pelos motivos descritos acima, Homem-Aranha 3 foi uma puta sacanagem com os novos e principalmente antigos fãs do Cabeça de Teia, pois contradisse tudo que foi feito nos filmes anteriores e nos quadrinhos. Repito: A maior decepção de todos os tempos.

Mas não esquente, pois Piratas do Caribe 3 vem aí!

Um Abraço a todos.

2 comentários em “Especial Homem-Aranha 3 – Crítica por Brunno o Bruto

  1. Boas observações, Bruno. Legal, que eu até lembrei de umas tropeçadas na lógica filme x quadrinhos que li a tanto tempo que estava meio esquecido. Em outras palavras, percebi que o filme foi ainda pior do que pensei!

    Acho que Sam Raimi não lia o Homem-Aranha e não entende nada de Homem-Aranha. Ele é um puta diretor de suspense e terror. Até porque quem escreveu o roteiro final foi Alvin Sargent (sobre o roteiro de Sam e do irmão dele, é verdade).

  2. Concordo com você em gênero, número e grau.

    Mas acho q pegaram influências daquela série animada do Homem-Aranha nos anos 90 ( simbionte não ser detectado pelo sentido de aranha, personalidade alterada, Eddie Brock fotógrafo ) e colocaram no filme, percebam na cena da transformação, só faltava os diálogos serem os mesmos.

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