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10 anos de Batman & Robin: O Mundo dá voltas!

No ano em que Homem Aranha 3 levantou polêmicas, lembremo-nos de um dos piores exemplos do que NÃO se deve fazer com heróis de gibi.

Por Sérgio Mentorbreak Fiore

Junho de 1997. Eu tinha 15 anos, e estava indo para uma consulta no dentista, quando ao passar na frente de um cinema, vi que entrou em cartaz Batman & Robin, de Joel Schumacher, um dos filmes mais esperados do ano, se não era o maior.

Lembro de quando chegavam os comentários no colégio: “Vai ter o Bane!!!” ou “Caramba! O Schwarzenegger vai ser o Sr. Frio“. Todos apostavam que ia ser um filme surpreeendente. Bem, de certo modo, foi.

“Havia gente demais…”

Comecei a suspeitar de que tinha algo errado quando veio a primeira crítica negativa sob o filme, no jornal O Liberal, dizendo que “os fãs podiam não perdoar o novo Batman“. No mesmo caminho seguiu a crítica da Revista Veja, que chamava a trama de frouxa e condenava o excesso de bom mocismo do filme.

Mas, somente quando fui ver o filme, que estava quase saindo de cartaz por sinal, é que pude entender o motivo de tantas críticas negativas. Batman & Robin, em síntese, é fruto do equívoco do diretor Joel Schumacher com a temida e constante lamentável interferência de executivos de estúdio nesse tipo de produção.

Relembremos o filme nesse trailer, e vamos ver se vocês aguentam ver até o fim:

Mas, voltando à minha explanação, o filme foi vítima do equívoco de Schumacher. Em entrevistas dadas por ele na época, o conceito que ele tinha do personagem Batman era de que “não havia sentido um milionário de 30 anos ficar chorando pelos pais que morreram quando ele era garoto. Ele faz o que faz porque é divertido.’ Divertido???

Não sou nenhum xiita ou fanático por HQs que não faça concessões, mas acho que falo por todos quando o diretor errou ao achar que o que ele acreditava funcionar era melhor do que relamente funcionaria.

Batman é um personagem trágico, um herói que nasceu da injustiça social e da impunidade numa cidade sem lei, e que veio para se tornar o terror dos marginais, seja o bandido mequetrefe que toma a bolsa de senhoras indefesas, seja o mafioso que controla as docas do Porto de Gotham.

Um herói atormentado, e ignorar isso é o mesmo que fazer Caveira Vermelha e Capitão América jogarem Twister (aquele que um painel cheio de esferas coloridas fica no chão e os caras tem que pôr o pé ou a mão no lugar indicado sem cair).

Espera só ele sacar o bat-cartão…

A escuridão que envolvia o mito Batman, presente nos dois primeiros filmes de Tim Burton, e até mesmo em Batman Eternamente, de 1995 e também dirigido por ele, desapareceu no quarto filme.

Para resumir: Tudo o que há de errado neste filme se encontra na cena em que Hera se apresenta no leilão: Batman e Robin se expondo à mídia sem mistério nem nada, os dois disputando a vilã, o maldito Bat-cartão de crédito (com direito a infame frase: “Não saia da caverna sem ele!“), cenas de luta com efeitos sonoros de “porrada” de Tom & Jerry. Preciso prosseguir??

Vale ressaltar que a produção foi influenciada pela própria crítica feita em cima dos dois filmes anteriores. Os cenários claros e espalhafatosos foram concebidos porque o diretor ouviu comentários de que os filmes anteriores eram muito sombrios. Mas, isso é como culpar o Superman por voar. Curiosamente, o filme agradou muitos críticos pelo clima que lembrava o seriado dos anos 60, que sem dúvida era a de muita gente, mas que convenhamos não é a mais honrosa lembrança para o Homem Morcego.

Uma outra pergunta não quer calar: o que houve com os atores que trabalhavam no filme? Quantos deles sumiram ou caíram? Vamos lá, eu aproveito e falo do desempenho deles no filme:

George Clooney, que interpretou Bruce Wayne e Batman (dizendo ele), já era badalado pela série de TV E.R (Plantão Médico!), e por seu papel em Um Drink no Inferno. Entretanto, com um Batman que era a mesma coisa com ou sem a máscara, não só ajudou a afundar o filme como também admitiu o fato tempos depois. Mas de todos, foi o que acabou se dando melhor anos mais tarde, investindo na carreira de ator e diretor, produzindo e estrelando filmes como a refilmagem de 11 Homens E Um Segredo, Três Reis e Syriana, sendo que neste levou o Oscar de Ator Coadjuvante.

Chris O’Donell, que reprisava o papel de Robin, também era um “pé-no-saco” brigando com seu mentor e correndo atrás da Hera Venenosa, e também não teve a mesma sorte e participou de comédias bobas e filmes como Limite Vertical. Participou recentemente da preimada série Grey’s Anatomy, mas a equipe 100Grana concorda que o melhor momento do ator foi mesmo como D’artagnan em Os Três mosqueteiros, anos antes.

Alícia Silverstone, que fez Bárbara (que nem era filha do Comissário Gordon, mas sobrinha de Alfred), a Batgirl, fez-nos ter saudade de certo clip do Aerosmith que ela protagonizou ao lado de Liv Tyler (Oh, yes). Fez filmes meia-boca como Excesso de Bagagem, e até conseguiu protagonizar uma série própria, Miss Match, que por sinal “já foi pro saco”.

É claro que o pôster é uma montagem. Mas, o cargo é verdadeiro.

Arnold Schwarzenegger, ídolo de toda uma geração oitentista que cresceu vendo filmes como Comando Para Matar, Conan, Exterminador do Futuro entre outros, decepcionou seus seguidores com esta pérola, onde não era exatamente um vilão ruim, mas que deu a um personagem tão amargurado um tom de comédia do qual ele não necessitava. Curiosamente, o ator austríaco foi operado do coração pouco após as filmagens (Seria o desgosto tão grande?).

Mas, embora ele tenha filmes bons em seguida, como o esperado terceiro filme da série do Exterminador, em 2003, ele acabou aceitando o pior papel que ele poderia aceitar: o de político. Mas é preciso reconhecer que a fama do grandalhão era tanta que ele conseguiu pôr seu nome antes de George Clooney nos créditos.

Um Thurman, a Hera Venenosa, conseguiu uma façanha dupla: fazer um filme tão ruim quanto esse no ano seguinte, Os Vingadores (não confunda com os da Marvel), e voltar ao topo graças à Quentin Tarantino, que lhe escalou para a saga da noiva em Kill Bill, que já no passado havia lhe presenteado com um papel em outro cult, Pulp Fiction.

Haviam ainda dois vilões no filme: Um, que era o Dr. Jason Woodure, que morre emvenado por Hera no início do filme, e era interpretado por John Glover, que se você não está reconhecendo de nome, era o Sr. Clamp de Gremlins 2, mas hoje é mesmo reconhecido como o adorável corrupto Lionel Luthor da série Smallville.

O outro, Bane, que decepcionou os fãs que esperavem o meticuloso e violento criminoso que aleijou o Batman nos quadrinhos, e encontraram um mero capanga burro, foi interpretado pelo lutador de luta livre Jeep Sweenson, que infelizmente morreu no dia 18 de agosto de 1998, no UCLA Medical Center, por motivo de uma falha ocorrida em seu coração.

Michael Gough e Pat Hingle

Claro que existem coisas boas no filme, que são a dupla de atores Michael Gough (Alfred) e Pat Hingle (Comissário Gordon), que atuaram desde o primeiro filme, e que diga-se de passagem eram muito mal aproveitados. O fato é que são atores excelentes, só que mal dirigidos.

Gough, que atuou em mais de 100 produções incluindo a série O Jovem Indiana Jones, deu ào fiel mordomo o tom sarcástico típico dele, que Michael Caine também manteve em 2005. Hingle(que esteve em filmes recentes como Shaft, em 2000) também é excelente, mas poucas situações foram criadas nos quatro filmes em que ele agisse, apesar de que justamente no quarto filme, ele salva alguns policiais de serem congelados por Freeze (Schwarzenegger )

Uma outra coisa que pôde ser aproveitar deste filme foi o clipe da música, The End Is The Beginning Is The End, do Smashing Pumpkins :

Batman & Robin teve como seu efeito colateral mais forte o engavetamento de qualquer projeto cinematográfico com o personagem por pelo menos sete anos, isso sem falar em boa parte dos projetos da DC. Enquanto isso, no ano seguinte, a Marvel e a New Line começavam sua escalada em Hollywood com um certo caçador de vampiros, mas isso é outra história.

Mas voltando ao filme, a prova das lembranças amargas deixadas pelo filme, anos depois, é que na sessão de estréia de Batman Begins, em 2005 aqui em Belém, o receio em torno da produção era tanto que se tinham 15 pessoas vendo o filme, era muito. Só depois as pessoas perceberam a boa qualidade do filme. Pelo menos, Schumacher teve o bom senso de pedir desculpas pelo filme que entregou. Olha só:

E que venha The Dark Knight, para tirar de vez qualquer má lembrança daquele fatídico 1997. Afinal, o preço de destruir a imagem de um grande herói não tem Bat-cartão de crédito que pague.

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20 comentários em “10 anos de Batman & Robin: O Mundo dá voltas!

  1. Não canso de ler sobre este assunto (Diego tá de prova e no mesmo caminho). E olha que já li e falei bastante sobre ele…
    Quero ver agora o Dark Knight manter o nível do Begins.

  2. Com certeza esse filme foi muito ruim, mas particulamente nao gosto das versoes do Alfred, nao só pq eles nao se parecem com o original, mas tbm pq tem pouco da habilidade do mordomo (computadores, auto-defesa, etc.) e do seu passado emocionante.

  3. O que me agradou no filme foi pelas cores, é um filme com cores vivas, mas apesar disso, não me agradou muito, o que eu gostei mesmo foi da Uma Thurman! hahaha!
    Acho que o Begins tinha que ser mais colorido, mas é melhorzinho.

  4. Cara..Acredite, umas das coisas que mais me irritaram nesse filme esse “arco-íris” mega-multicolorido de todas as cenas… Parecia mais a Neon City

  5. Sem querer ofender! Mas se tu quiseres ver cores é só ver desenho infantil ou algum filme oriental como Hero ou o Clã das Adagas Voadoras que tem cores mil!! Agora não coloca cores em Batman! Batman é o Cavaleiro das TREVAS!!!! e não se fala mais nisso!!!!!

  6. Hero do Jet Li até soube usar as cores… Agora em “Batman e Robin” foi um show de horrores!

  7. O George Clooney já foi um bom Batman TRÊS vezes.
    Mas nesse filme, só ficava abaixando a cabeça. Umas 20 vezes, toda vez que ele vai falar com alguém.
    Ah, e a cena onde ele se apresenta pro Freeze é foda:
    “Oi, Freeze! Sou o Batman!”
    Antologicamente trash.

  8. “O George Clooney já foi um bom Batman TRÊS vezes.”

    Obs: Em outra série de filmes

  9. Joel Shumacher devia ter sido preso ao fazer esse filme! Eu não estou brincando!! Se não preso, pelo menos pagar uma Sra.Multa por destruir a imagem de um herói com um filme que é um legítimo crime contra a humanidade!!!

  10. […] ou devo dizer, o desserviço maior à humanidade cometido por este senhor, atende pelo nome de Batman & Robin. Ele foi um dos brilhantes e geniais roteiristas dessa obra prima do desastre cinematográfico. […]

  11. esse filme me ofendeu pois eu sou sem dúvida o maior fã do batman!no lançamento eu tinha 4 anos e vi o filme e até gostei,mas depois fui vendo de novo e percebendo as falhas,os brinquedos do filme encalharam e até 2002 ainda estavam nas lojas!também me lembro bastante dos comentários contra o filme.

  12. […] razoável, só se valendo do corpinho. Mas nããããão… Ela teve a coragem de fazer Batman e Robin (falaremos mal desse filme até o o infinito e além). Hoje em dia, faz pontas em filmes e séries […]

  13. […] A hecatombe! O armagedon! A destruição total! Não falaremos nada mais do que você pode ler em nossa investigação completa sobre esta bomba cinematográfica aqui. […]

  14. O pior da série de filmes do batman o que havia mais falhas e erros, horrivel prefiro o batman forever pelo menos tem o charada por jim carrey que o fez ficar mundialmente famoso!!!

  15. […] (sobretudo da casa-de-idéias) saindo a torto e a direito. Muito pelo contrário. No ano anterior, Batman &Robin afundara a carreira do Homem Morcego e do Universo DC nos cinemas (e que só seria revivida sete […]

  16. […] Ele admitiu um erro que estava atravessado em nossas gargantas. Assim como Joel Schumacher já fez um dia. Mas nem por isso vamos perdoá-los, […]

  17. o batman para mim nao e super heroi , e sim um heroi assim como e um bombeiro, um policial

    q super poderes tem o batman ?
    o Bat cartao de credito !

    o poder do batman e ser milionario ki lixo !

  18. Ah, história do filme é boa. Se tivessem eliminado algumas cenas de “Batman & Robin” como a parte que o Mr. Freeze querem que seus capangas cantem. E tirado o Bane (não que ache que 3 vilões seja muita coisa pra um filme de héroi, mas o que me deixou chateado é que não foram fiel a origem do Bane e da Batgirl). Talvez, o maior do filme foi terem colocado a Bárbara(Batgirl) como a sobrinha do Alfred. Todo mundo que já leu as HQ ou virão os desenhos do Batman, sabe que ela é a filha do comissário Gordon.
    Joel quis botar tanta coisa no filme que acabou se atrapalhando. Mas mesmo assim gosto do filme, pela “lição de moral” ( o título do filme é uma referência a união, a amizade e a confiança que o Batman e o Robin passam a ter um pelo outro, após vários conflitos. E nisso, o filme foi perfeito.
    Apesar de tudo, para nós – fãs brasileiros do Batman – o pior MESMO foi a redublagem, com as vozes medíocres, que passa nos canais TNT e Space. Pode notar que no SBT, as vozes são boas.

  19. […] e só para citar um exemplo, já que Franco citou o homem-morcego, foram pelo menos oito anos entre Batman & Robin (1997) e Batman Begins […]

  20. “Mas, embora ele tenha filmes bons em seguida, como o esperado terceiro filme da série do Exterminador, em 2003″…. isso daqui tirou toda a credibilidade do seu texto. Terminator 3 é uma das maiores BOMBAS da história do cinema.

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