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100Grana Especial Batman – A Era Burton: 1989 – 1992

1989 - 1992

Dando continuidade ao Especial Batman, dessa vez falaremos sobre o Homem Morcego de Tim Burton.

Por Diego Andrade, Igor Oliveira e Samar Elgrably

Obs: Assim como nas matérias anteriores do 100Grana Especial Batman, esta matéria tem como base o Trabalho de Conclusão de Curso “HERÓIS: Estudo das Adaptações de Histórias em Quadrinhos para o Cinema demonstrado através do personagem Batman” apresentando em abril de 2007, na Universidade Federal do Pará, por Diego Andrade e Igor Oliveira.

Essa observação é só um aviso para os famosos “copiadores” que andam pegando nossas matérias sem citar a fonte.

Quando a série televisiva dos anos 60 foi cancelada e a fase colorida e bem-humorada do herói estava em decadência, as HQ’s de Batman passaram a ser desenhadas por Neal Adams, que fora responsável pelo retorno do personagem ao clima sombrio e urbano de suas histórias. Pelas mãos do roteirista Denny O’Neill, Batman passou a agir como um detetive e justiceiro da noite, abandonando qualquer característica do estilo colorido anterior (por exemplo, a caverna quase não aparecia e Robin deixara a Mansão Wayne). Outra característica que marcou essa “nova” fase foi o design da capa do herói: ela voltou a ser um elemento importante na composição de Batman em seu objetivo de intimidar e assustar os criminosos.

O Batman de Neal Adams.

Essa fase de Batman prosseguiu até 1986, quando o roteirista de HQ’s Frank Miller fez Batman – O Cavaleiro das Trevas, uma graphic novel mostrando o herói envelhecido e aposentado do manto do morcego (os super-heróis foram proibidos de atuar pelo presidente dos EUA). A narrativa inicia mostrando Gotham City mergulhada no crime e no caos até que Bruce Wayne resolve voltar a usar sua máscara, que logo revela ser a sua verdadeira personalidade. O Batman de Cavaleiro das Trevas é calculista, sombrio, sádico, violento e anárquico. Ao fazer prevalecer sua visão de justiça, o herói é perseguido pelo governo norte-americano e não hesita em enfrentá-lo de todas as formas possíveis, só se poupando do ato de matar.

O Homem-Morcego na visão de Frank Miller: sádico e violento

O perfil que Miller atribuiu a Batman tornou-se um padrão seguido nos quadrinhos até os dias atuais. O sucesso e o respeito conquistados pela minissérie foram tão intensos que foram decisivos na construção do segundo filme do Cavaleiro das Trevas, em 1989.

Quando a produção do segundo filme do Batman foi aprovada, muitos fãs ficaram preocupados com a possibilidade do filme seguir o estilo camp dos anos 60, principalmente pela decisão do diretor Tim Burton ao escolher o ator Michael Keaton (conhecido na época pelas suas atuações em filmes de comédia – inclusive por ter trabalho anteriormente com o diretor em Os Fantasmas Se Divertem, interpretando o lendário Beetlejuice)  para dar vida ao herói – mesmo com a aprovação do próprio Bob Kane.

Coringa? Não… O besouro-Suco, que depois virou Batman, que não é o Coringa…

A primeira versão deste filme foi escrita em 1980 pelo co-roteirista de Superman (1978) Tom Mankiewicz e contava a história da origem de Batman e Robin. Os vilões eram o Coringa e O Pingüim, e Rupert Thorne e Barbara Gordon também apareciam. No final Robin apareceria usando o uniforme (tal como em Batman Forever – 1995). Ele estava para ser lançado em 1985 com um orçamento de US$ 20 milhões, mas quando os produtores Michael E. Uslan e Benjamin Melniker desistiram da produção, o projeto foi arquivado até Jon Peters e Peter Guber o escolherem de volta.

Em 1985, após o sucesso surpresa de Pee Wee’s Big Adventure (1985), o estúdio ofereceu o trabalho a Tim Burton. Insatisfeito com o script de Mankiewicz, Burton e sua então namorada, Julie Hickson, escreveram 30 páginas do projeto. Este trabalho foi aprovado por ambos os produtores e o estúdio. Em 1986 Burton reuniu Sam Hamm, que tinha acabado de receber um contrato de dois anos com a Warner Brothers, e deu-lhe a tarefa de escrever um roteiro baseado no que Burton e Hickson fizeram. No entanto, o roteiro demorou a ser finalizado e Hamm não poderia escrever mais por causa da greve dos roteiristas (sim, isso é uma coisa que acontece em todas as épocas). Em seu lugar, Burton chamou Warren Skaaren, co-roteirista de Os Fantasmas Se Divertem para continuar escrevendo. Quase três anos se passaram e Burton não conseguiu a aprovação do projeto até saírem os resultados de bilheteria de Os Fantasmas Se Divertem. Batman começou a ser filmado em outubro e levou apenas 12 semanas de filmagens.

Em apenas 12 semanas, uma das mais marcantes adaptações de quadrinhos foi criada.

A produtora Warner Bros realizou uma campanha massiva de marketing muito antes da estréia do filme, o que revelou ser uma estratégia extremamente eficiente para atrair o público para os cinemas (atualmente, a campanha de pré-estréia de um blockbuster é uma operação-padrão de marketing no lançamento dessa categoria de filme). A divulgação do primeiro teaser trailer (uma versão de menor duração do trailer) mostrando Batman trajado de uniforme negro e agindo sempre nas sombras, demonstrou que o filme seria mais fiel à origem do personagem do que se esperava.

Trailer do filme

A recepção ao teaser trailer foi tão positiva que muitas camisas com o símbolo do morcego envolto pela elipse amarela (a única ilustração do pôster principal do filme) foram vendidas semanas antes da primeira sessão.

O pôster do filme seguiu a linha clássica dos quadrinhos. Os contornos foram destacados com um brilho metálico e auto-relevo para dar um efeito visual mais próximo da realidade.

Com a estréia nos cinemas, o diretor Tim Burton mostrou Batman como um ser assustador para os bandidos e para a própria população de Gotham City. “Todos os bandidos desta cidade estão com medo. Dizem que ele não pode sangrar”, diz um personagem no início do filme.

Keaton como Bruce Wayne: sombrio e solitário

Bruce Wayne é visto como um homem ainda tomado pela lembrança da morte dos pais e a sua determinação em ser Batman atrapalha seu envolvimento com a fotógrafa Vicki Vale (interpretada por Kim Basinger). Gotham City é uma cidade escura, com um ambiente gótico e desolado – o que fez o filme ganhar o Oscar de Direção de Arte.

O vilão Coringa, interpretado por Jack Nicholson, é um psicopata violento, inteligente e dono de um humor negro. O figurino dos subordinados do vilão lembra os antigos filmes de gângster que inspiraram Bill Finger a criar o ambiente das primeiras histórias do herói. No entanto, o filme ainda apresenta mudanças significativas em relação à origem do personagem. O Coringa surge como o assassino dos pais de Bruce Wayne e, anos mais tarde, Batman é responsável pelo acidente que desfigura o rosto do criminoso, mostrando que um personagem é a origem do outro, o que não acontece nos Quadrinhos (um assaltante comum mata os pais de Bruce e o acidente do Coringa teve várias versões). Outra diferença: Batman mata os bandidos, inclusive o Coringa, enquanto nos Quadrinhos, embora ele realmente matasse nas suas primeiras histórias, o herói se recusa a tirar a vida de qualquer pessoa, por mais vil que ela possa parecer.

O Coringa de Jack Nicholson: por muito tempo, símbolo máximo de vilania

Os fãs e a crítica especializada disseram que, apesar das qualidades do filme, o maior destaque era mesmo o Coringa, não o Batman. Burton deu grande atenção ao vilão, principalmente pelo fato de sua origem estar relacionada ao seu inimigo. A crítica também comentou também sobre as interpretações de Jack Nicholson e Michael Keaton, afirmando que o primeiro fez um Coringa que dominava a cena, enquanto o segundo conferia uma interpretação sem destaque ao Batman.

Coringa e Batman: um psicopata brilhante versus um herói atormentado

Contando com características que o aproximam e, ao mesmo tempo, o diferenciam das HQ’s, Batman obteve excelente bilheteria e contribuiu para o aumento das vendas das revistas do personagem e de qualquer produto que carregasse o símbolo do morcego (é um dos casos mais emblemáticos da relação do Cinema com a Indústria Cultural, fazendo um signo ser consumido em várias mídias). O filme se tornou referência nas adaptações de Quadrinhos para o Cinema, garantindo uma continuação em breve.

  • Batman – O Retorno (1992)

Com o sucesso de Batman, Tim Burton volta ao posto de diretor na terceira adaptação de Batman para o Cinema. A idéia inicial era retomar exatamente do ponto onde o filme anterior acabara, mostrando Batman e Vicki Vale ainda juntos e revelando ainda mais sobre o passado do Coringa. Mas Burton preferiu abandonar a idéia quando leu o novo roteiro. Aceitando a história e dispondo de mais recursos, o diretor construiu uma narrativa onde os elementos do primeiro filme ganharam contornos mais nítidos: cenários góticos, a motivação psicológica dos personagens, suas crises e perturbações e, principalmente, a atenção dada aos antagonistas do Cavaleiro das Trevas (ainda interpretado por Michael Keaton).

A origem do vilão Pingüim (Danny DeVito) é a abertura do filme, mostrando uma criança abandonada pelos pais por ter nascido deformada. A rejeição pela família pelos pais e pela sociedade, junto com as suas tendências homicidas, leva Pingüim a atacar Gotham City durante o pronunciamento natalino do empresário corrupto Max Shreck (Christopher Walken). A polícia, que já havia reconhecido Batman como aliado no primeiro filme, aciona o seu sinal. Bruce Wayne aparece pela primeira vez sentado em uma sala escura, pensativo, até ver o símbolo do morcego iluminar o ambiente. Dirige-se imediatamente ao local e controla a situação, chegando a matar um dos arruaceiros.

Pingüim

Ainda no local, ajuda uma secretária com problemas psicológicos e que, mais tarde, vai se tornar a Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer). Essa seqüência de acontecimentos traduz o espírito do filme. O estilo do diretor em misturar o aspecto infantil dos brinquedos a uma aparência sinistra e seu uso letal se faz ainda mais presente. No filme anterior, o Coringa usou balões com gás de efeito nervoso e flores de plástico para jorrar ácido.

Mulher - Gato

A inesquecível Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato

Em Batman – O Retorno, Pingüim aproveita a época de Natal para fazer seus subordinados agirem vestidos de palhaços ou fantasiados de personagens infantis. A neve caindo constantemente deixa Gotham City ainda mais sombria (o céu claro raramente aparece ao longo dos 126 minutos de filme). Bruce Wayne se isola ainda mais em sua mansão e a figura do Batman mal aparece, enquanto a natureza e a origem de seus antagonistas são apresentadas ao público (de maneira diferente das HQ’s).

As semelhanças de Batman com os inimigos ainda têm forte presença. Todos sufocam sentimentos e, ao passarem por algum trauma, desenvolvem uma outra personalidade que é avessa às regras sociais que a reprimem. É interessante observar que, enquanto Coringa e Pingüim consolidam suas tendências maléficas ao revelarem suas faces deformadas, Batman e Mulher-Gato mudam de personalidade quando usam suas máscaras e seus símbolos. Em certo momento, Mulher-Gato diz “posso descobrir quem é o homem por trás do morcego e você descobrir quem é a mulher por trás do gato”. O Pingüim percebe a importância simbólica da máscara para Batman quando diz a ele que “está com inveja porque eu sou um doido genuíno e você precisar usar uma máscara!”.

Há ainda a cena onde Bruce Wayne e Selina Kyle (nome verdadeiro da Mulher-Gato) são os únicos sem máscaras em um baile à fantasia, insinuando que as verdadeiras máscaras são aquelas identidades, e não Batman e Mulher-Gato, que desenvolvem uma relação de amor e ódio, assim como acontece nos Quadrinhos.

Selina Kyle e Bruce Wayne

Selina Kyle e Bruce Wayne no baile de máscaras

Batman – O Retorno não atingiu o êxito nas bilheterias como o filme antecessor, mas ainda assim conseguiu gerar lucros. O clima sombrio do filme dividiu opiniões, procurando definir entre o que era estilo cinematográfico e puro capricho visual. As críticas, no entanto, vieram acompanhadas de protestos de pais por julgarem o filme violento e soturno demais para as crianças – que compunham parcela significativa do público nos cinemas. Mais uma vez, disseram que Burton dava mais atenção aos vilões do que ao Batman, o que dava ao filme uma melancolia que acabou atrapalhando o desenvolvimento do herói durante a história.

Batman - O Retorno

Até aí tava tudo bem. Mas depois…

Sendo assim, a Warner Bros, mesmo com a boa recepção do último filme, decide repensar a franquia do herói, prestando atenção principalmente nas críticas feitas ao clima sombrio construído por Burton, ainda que fosse inspirado nas Histórias em Quadrinhos. O diretor planejava fechar sua trilogia com o Cavaleiro das Trevas, mas se deparou com as questões da parcela infantil do público e, principalmente, do consumo que gerava lucro.

Continuem visitando o 100Grana.com e até a próxima notícia!

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Sobre Samar Elgrably

fluffy like a baby bunny rabbit on a summer's day

4 comentários em “100Grana Especial Batman – A Era Burton: 1989 – 1992

  1. Ótima entrevista para dois ótimos filmes.

  2. eu gostaria de ser um heroi como o batman.
    eu sonhei ser como batman e eu gostaria ser mesmo como o batman.
    voces n sentem pena de mi. . .

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