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100Grana Viu: O Curioso Caso de Benjamin Button

benjamin_100grana

O campeão de indicações ao Oscar deste ano. Não é à toa. Pelo menos nas categorias técnicas.

Por Igor Oliveira

Velhice assusta. Declínio físico e mental, mudanças na sociedade cada vez mais difíceis de se acompanhar, jovens mostrando como o tempo passou e não volta mais… E não há outra saída: ou envelhece ou morre antes disso.  E a morte é mais assutadora.

É com essa perspectiva que começamos a acompanhar o filme. Uma mulher cuida da mãe idosa e doente internada no hospital. Ambas sabem que aquela deve ser a última vez que se vêem. A mãe então pede que a filha leia um diário que ela guarda há muitos anos. Desta forma, Benjamin Button (Brad Pitt) assume a narrativa e sua história tem início.

Benjamin nasceu com o corpo envelhecido, apresentando rugas e até artrite. É salvo graças aos cuidados fervorosos da mãe adotiva (Taraji P. Henson, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel), que trabalha numa casa de idosos. Ironicamente, este passa ser o lar de Benjamin, onde a convivência com outras pessoas velhas disfarça a estranheza da sua condição, embora ele tenha o comportamento característico de uma criança, brincando com bonecos e sempre curioso com o que se passa ao seu redor. Isso inclui também o repentino interesse que sente ao conhecer Daisy (vivida na fase adulta por Cate Blanchett, a Galadriel de O Senhor dos Anéis), uma menina que com o passar do tempo só faz ocupar mais espaço nos pensamentos de Benjamin. Tudo normal, se não fosse o fato do “garoto” ter rugas e cabelos brancos.

benjamin-e-daisyÉ com essa aparência que eles se conhecem…

Porém, Benjamin percebe que, enquanto os seus colegas idosos vão morrendo, ele apresenta melhoras no seu corpo. Depois de conhecer algumas pessoas e ter algumas experiências impactantes, decide sair da sua casa e conhecer um pouco do mundo, contudo sem jamais perder o contato com Daisy, que se prepara para ser bailarina. Toda a sua trajetória  é descrita no diário lido, no tempo presente, pela filha da mãe doente no hospital.

Seria mutante?

O fato de acompanharmos a vida de Benjamin Button por quase três horas sem sentir cansaço é uma prova de como o filme é bem feito. Ao longo das décadas, o rejuvenescimento do protagonista é feito de maneira brilhante. A passagem do tempo também é visível através de indícios como o figurino de cada época, eventos históricos e até a apresentação de um famoso grupo de rock na TV.

Quanto ao roteiro do filme, é impossível não notar as semelhanças com o de Forrest Gump, já que ambos foram desenvolvidos pelo mesmo autor, Eric Roth (no caso de Benjamin, foi adaptado a partir de um conto do escritor Francis Scott Fitzgerald). O protagonista apresenta uma condição especial,  é bastante simples, é criado por uma mulher batalhadora e íntegra, vão para a Guerra, há um objeto ou animal voador em momentos tocantes… até a frase “a vida é como uma caixa de bombons: você nunca sabe o que vem dentro” dita por Tom Hanks é refeita como “você nunca sabe o que pode acontecer” na voz de Brad Pitt.  E nesta parte alguns problemas são visíveis.

O negócio é ser simples e ficar de bem com a vida

O primeiro reside justamente no seu protagonista. Benjamin Button é um cara calmo, simples, tranquilo. Até demais. Nunca demonstra reações fortemente emocionais, mesmo diante de situações angustiantes. Compreende-se que por nascer já esperando a morte em breve – e também  por crescer num ambiente onde falecimento era um episódio comum- Benjamin aprende desde cedo a aceitar as coisas, sem pestanejar ou lamentar muito, apenas aproveitando o presente sem exageros. Ok, mas com o passar do tempo isso dificulta ao público enxergar algo mais complexo na personalidade do protagonista. Principalmente quando se leva em conta sua condição: ele fica mais jovem e capaz enquanto seus entes queridos ficam velhos e lentos e, claro, morrem. Parece desesperador, não? Mas Benjamin até  lida bem com o fato. Aceita sem muita dificuldade.

Quem parece mais animado?

Brad Pitt já mostrou muitas vezes que é bom ator, o que acontece mais uma vez aqui. Mas, justamente em função da passividade do seu personagem, sua atuação parece não exigir grande esforço: carregado de maquiagem, sempre falando num tom de voz baixo, monocórdio, raramente expressando uma emoção mais forte. Benjamin Button é um personagem pálido, principalmente diante do resultado da última dobradinha Brad Pitt/David Fincher: Tyler Durden. Já Cate Blanchett tem mais chance de mostrar a que veio, já que sua personagem sofre tanto por amor ao protagonista como por perceber cada vez mais a idade avançando. Quanto ao diretor David Fincher, ele mostra competência na condução do filme e realiza algumas belas cenas (como uma rápida batalha marítima ou a dança perto de um lago enevoado). Mas quando vemos longas no seu currículo como Vidas em Jogo, Se7en, Clube da Luta e Zodíaco, a impressão que fica é que ele fica mais à vontade lidando com o lado sombrio do ser humano.

cateCate Blanchett mostrando a beleza antes da velhice

Sem dúvida, o filme merece todas as indicações ao Oscar em categorias técnicas:  Figurino, Maquiagem, Direção de Arte, Efeitos Especiais, Fotografia, Edição, Edição de Som e Trilha Sonora. Quanto a Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Brad Pitt), Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado, a resposta é mais pautada pela opinião pessoal. Pelo menos Melhor Filme e Diretor são fáceis de aceitar. O resto vale discutir, principalmente se reparar alguns fatos estranhos no roteiro (exemplo: como a filha no hospital nunca desconfiou que sua mãe havia sido bailarina, mesmo sabendo que ela ensinava numa escola de balé? E como a sequência de pequenos acontecimentos que resultam num acidente, ao estilo Efeito Borboleta, podia ser do conhecimento de Benjamin?).

No fim, O Curioso Caso de Benjamin Button é um filme bonito, muito bem realizado, quem sabe até capaz de emocionar alguns espectadores, principalmente quando se percebe a lição que o filme quer passar: pior que envelhecer e morrer é viver em solidão.

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Sobre Igor Oliveira

O objetivo é comentar sobre as adaptações de quadrinhos para o cinema desde o ano de 2000. Como não sei se vou ser bem-sucedido, ainda trato este espaço como um laboratório que sempre estará em mudanças. Resta esperar que sejam sempre melhores.

13 comentários em “100Grana Viu: O Curioso Caso de Benjamin Button

  1. talvez o que faltou para ser perfeito mesmo foi nao ter drama na alma de benjamin ( como foi mdito ) nao acho melhor que forrest gump , mas e um belo filme isso e. e como eu sempre comento oscar e academia besta , cate blac. nao ser nem indicada e brincadeira.

  2. Depois que vi Titanic ganhar melhor filme e Benini ganhar Melhor Ator, não nem ai pra o tal Oscar.

  3. é um bom filme e só…
    concordo qc/ a análise do 100grana – as semelhanças c/ o forest incomodam um pouco… e a frieza do benjamin, a apatia dele eu tb achei destoante. assim como o papel da filha deles lendo/narrando o diario foi desnecessário.

  4. O filme é bom…mais eu prefiro o da vivi fernadez

  5. agora sim wall-!
    isso sim é filme… vida longa a brasileirinhas!!!

  6. Chorei muito no filme,dik 😦

  7. tá,como eu não vi Forrest Gump,então não posso falar nada,hm.

  8. É permitido dizer que eu achei o filme monótono?
    Gostei da atuação do Pitt, Blanchett não foi tão fantástica assim.
    A impressão que eu tive é que é mais um caso de Hollywood-tenta-fazer-filme-cult: boa temática, bons atores, efeitos, maquiagem (e toda a parafernália usada pra envelhecer e rejuvenescer os atores todos), mas não se consegue alcançar todas as dimensões que a história poderia ter.
    E eu, que a-mo filmes longos, fiquei ansiosa pelo final, e não rezando pra que não termine nunca. Mas isso é pessoal, claro.

  9. “E não há outra saída: ou envelhece ou morre antes disso. E a morte é mais assutadora.”

    Há controvérsias…

  10. Concordo sobre as controvérsias, Moura.

    Hesitei uns momentos antes de escrever isso, mas foi a minha conclusão: a morte assusta mais por ser desconhecido o que vem depois.

  11. E quem sabe o que vem depois da morte? Não seria a “vida” apos a morte ? A existencia de espiritos? “O homem real” e sua esência ?

  12. Filme suuuuper demorado, tive que ver em uns 3 dias… (acostumada com seriados, perdi o saco pra ficar horas assistindo a mesma coisa!) só que valeu a pena! Maquiagem o Pitt ficou foda. Fora que eu, como uma boa dramalhona, me emocionei bastante! Nota 10 =)

  13. Esse filme nem a ciência explica mt loco!E dramatico e perfeito esse filme, pena que ele morre;e ela tbm
    bela história de amor♥

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