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Especial Star Trek: 100Grana relembra a série clássica dos anos 60

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Conheçam um pouco mais sobre a versão que deu início ao fenômeno cultural que voltará em breve aos cinemas.

Por Sérgio Fiore

Este ano, seremos brindados pelo reboot de uma da franquias mais importantes da ficção científica, e tambpem, da cultura pop mundial. Mas antes de começar a falar da série clássica, vamos analisar aquele singelo período.

O ano era 1965, os EUA mandavam as primeiras tropas para a guerra do Vietnã, e Lyndon Johnson assumia o cargo de presidente daquele país. Malcolm X era assassinado, e aqui no Brasil, os partidos políticos brasileiros são cassados pelo artigo 18 do Ato Institucional número 2. Curiosamente, muitos nomes da cultura pop que conhecemos hoje, como a autora de Harry Potter, J.K. Rowling, Robert “Stark” Downey Jr, Famke “Fênix” Jamsen, Bryan “assassino de Superman” Singer, Tiririca, entre outros, nasceram naquela mesma época.

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Gene Rodenberry

Naquele mesmo ano, Eugene Wesley Roddenberry, criador e produtor de Jornada nas Estrelas (Star Trek),  submeteu um episódio piloto de sua nova série, produzida pelos estúdios Desilu, aos executivos do canal de TV NBC. Eles recusaram o piloto – o episódio The Cage (“A Gaiola) – por ser “muito inteligente para a TV ” (sim, isso foi um insulto a nossa inteligência), mas encomendaram um segundo piloto. Os executivos fizeram duas exigências principais: que Gene tirasse a “Número Um”, segunda em comando na nave; e eliminassem o personagem Spock, pois ele tinha um ar “demoníaco”. Ou seja, já não é de hoje que esses executivos metem o bedelho em tudo.

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Demoníaco? Só por causa das orelhas???

Gene (que deve ter ficado ‘feliz da vida’ com as mudanças) concordou com a primeira exigência, pois achava que os espectadores realmente ainda não estavam preparados para ver uma mulher em posição de comando (mas a atriz permaneceu, no papel da enfermeira Chapel). Entretanto, manteve Spock, o único alienígena a bordo da Enterprise, o que gerou várias discussões com os executivos da NBC, que acabaram convencidos por ele.

Chapel: Rebaixada pelo machismo da época

Chapel: Rebaixada pelo machismo da época

O mundo dá mesmo voltas, e os mesmos executivos  que exigiam a pouca evidência do alien na série passariam a cobrar maior participação de Spock nos episódios, devido sua popularidade entre os fãs. Com várias mudanças no elenco e personagens, em fevereiro de 1966, o piloto foi aprovado e o primeiro episódio da série Jornada nas Estrelas deveria ir ao ar em setembro daquele ano. O primeiro episódio a ir ao ar foi The Man Trap (“O Sal da Terra”) em 8 de setembro de 1966.

Contava a história de uma tripulação da nave estelar USS Enterprise da Federação dos Planetas Unidos e as suas aventuras “onde nenhum homem  jamais esteve”. A missão levaria cinco anos para explorar novos mundos e procurar novas formas de vida e civilizações. Vejam a abertura com a narração clássica de Antônio Celso:

Com os níveis de audiência baixos e a renovação de contratos publicitários difícil, a NBC já planejava o cancelameno após o fim da segunda temporada. E foi então, lisos, que os fãs de verdade mostraram seu poder, ao fazer uma tremenda campanha contra o cancelamento, mediante a “zilhões” de cartas e telefonemas à emissora, que reconhecendo o apelo (e não querendo perder essa chance, claro)  produziu uma terceira temporada. O último episódio desta foi transmitido em 3 de Junho de 1969.

Tentando me cortar do horário nobre, hein?

Tentando me cortar do horário nobre, hein?

Foi logo neste período que a série tornou-se um fenômeno de popularidade com as reprises em outras emissoras, fazendo aumentar o número de fãs, os chamados Trekkers. Inclusive, o regresso de uma nova série (Star Trek: Fase Dois) com os mesmos atores estava nos planos mas os produtores acabaram por lançando um filme para os cinemas, Star Trek: The Motion Picture (No Brasil, “Jornada nas Estrelas: O Filme”), o primeiro de seis com os personagens da série original. Falaremos sobre os filmes mais tarde.

Exemplo de Trekkers em convenção

Exemplo de Trekkers em convenção

No Brasil, a série estreou pela extinta TV Excelsior no final dos anos 1960 e foi reexibida pela Rede Bandeirantes, Rede Manchete (aonde assisti pela primeira vez), Rede Record e Canal USA. Recentemente foi exibida pela Rede 21 (ou Rede Brasil). As três temporadas também foram lançadas em DVD no mercado brasileiro. Vale inclusive ver o vídeo abaixo, mostrando os bastidores da segunda dublagem da série, mostrando nomes como Garcia “He-man” Jr,  o falecido Cleonir “”Scooby-Loo” dos Santos, Márcio “Batman” Seixas, entre outros nomes da notória “versão brasileira”:

Sociológicamente falando, a série fez história, não só pelo status de ficção-científica inovadora, mas pelas questões socias abordadas de forma única pela série. Por exemplo:  temos um personagem russo em plena Guerra Fria, o tenente Pavel Chekov, navegador, e uma atriz negra, Nichelle Nichols, para um papel destacado num período onde a segregação racial ainda era muito forte nos EUA (Malcolm X foi assassinado no ano que a série foi concebia, lembram no início da matéria ?). Nichols, a tenente Uhura, oficial de comunicações, teve ainda o mérito de protagonizar com William Shatner o primeiro beijo interracial da televisão americana. Veja este momento histórico, por obséquio:

E um extraterrestre, o vulcano Sr. Spock, era inteligentíssimo e cheio das boas intenções. Aliás esse é outro aspecto curioso: enquanto outras obras mostravam um visão mais apocalíptica e pessimista do mundo, além da maioria dos ETs sendo vilões, Gene Rodenberry foi inovador ao mostrar uma sociedade humana evoluída e sem preconceitos, e tambem evoluída no aspecto tecnológico, pois muitas das invenções mostradas na série foram quase embriões do que vemos hoje.

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A série trouxe vilões inesquecíveis, como os famigerados Klingons,  a raça orgulhosa e guerreira que apareceu pela primeira vez no episódio”Errand of Mercy“.

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Foi também na série clássica que surgiu  um dos personagens mais emblemáticos da mitologia Trekker: Khan Noonien Singh, ou simplesmente Khan, que surgiu no episódio Space Seed, e apareceria anos mais tarde no segundo filme da série, A Ira de Khan, considerado por muitos um dos melhores longas da franquia. Em ambas ocasiões, o vilanesco estrategista foi interpretado pelo recém-falecido Ricardo Montalban.

Mas este foi apenas o primeiro passo de um marco televisivo que ganharia proporções inimagináveis até para Rodenberry. Ao longo dos próximos dias, lisos, vocês lerão sobre as outras séries, o desenho animado, os filmes e outros elementos que ajudaram a consolidar o fênomeno  Star Trek.

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Aguardem lisos, ainda nesta semana aqui no 100Grana teremos mais matérias especias sobre Star Trek.

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13 comentários em “Especial Star Trek: 100Grana relembra a série clássica dos anos 60

  1. Vlw 100 tava querendo mesmo saber sobre star trek pq to doido pra ver o filme mais sou leigo no assunto!!

  2. Ótima matéria. Nunca fui exatamente fã de Star Trek, mas tenho certeza que não vou chegar ao cinema desinformada com esse Especial!

  3. boa 100grana! se vcs fossem o flipper daria uma bola pra vcs equilibrarem no nariz!
    grande matéria, apesar d’eu não ser um trekker!

  4. Existe alguma expressão relativa a não ler sobre coisas ANTIGAS para não querer comparar com o produto NOVO? Digamos assim, algo como “retro-spoilers”… 😀

  5. Por mais que façam filmes novos, o original não tem comparação.

    Nair

  6. STAR TREK CLASSIC 4EVER!

  7. Salve amigos.

    parabens pelo texto.

    Gostaria, somente de acrescentar, com o devido respeito: a serie já vinha ameaçada de cancelamento desde o segundo ano. O primeiro levante de fãs foi no final do primeiro ano para o segundo.

    Com o cancelamento a serie foi vendida para o sistema de exibição chamada Sindication (canais regionais) que passaram a reprisa-la varias vezes ao longo do dia e durante os varios dias da semana.

    Valeu pelo espaço. Até sexta na estreia com certeza.

    Abçs.

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  9. Taí o recado do Carlos. Valeu, pareceiro, pelo esclarecimento.

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  11. POrraaaa de fuder o post. Faltou mais textooooo… POoo li num tapa…

    POxa, quanto mais texto sobre a série melhor…

    Abraços!!!

  12. Ahhh… Apesar da falta de tecnologia na época… o nivel das histórias e toda equipe responsavel pela elaboração da série … deixam as outras que se seguiram a anos luz… Será sempre um classico dos classicos…

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