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100Grana Viu: JCVD

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A maior luta da vida de Jean-Claude Van Damme.

Por Igor Oliveira

Em determinado momento de JCVD, um homem diz que antes os vilões dos filmes de ação eram vietnamitas, mas agora são árabes. Os tempos mudam. E começa a citar atores e filmes para comprovar sua afirmação até ver Van Damme caminhando pela rua. Sai para pedir uma foto e logo observa que “ele é baixinho”. É um exemplo do tom do filme. Um astro que sobrevive graças à sua fama, mas cujo sucesso artístico vai se confrontando com a realidade, produzindo resultados cada vez mais desanimadores para a própria carreira e vida pessoal. Parece dramático (e, em alguns momentos, é mesmo), mas JCVD sabe que não é à toa que muita gente acha graça de Van Damme e consegue explorar isso muito bem. É o maior mérito do filme: aposta no humor depreciativo, mas de forma que não ridicularize as cenas mais sérias.

Dirigido pelo francês Mabrouk El-Mechri (fã assumido de Van Damme), o filme mostra logo os elementos recorrentes da história: longas cenas sem cortes, diálogos que tiram sarro do astro belga, mas que também lembram os seus esforços, como trazer da China para os Estados Unidos o cultuado cineasta de filmes de ação John Woo (que dirigiu o cara em O Alvo). Abatido por perder a custódia da filha e ter que trabalhar em filmes com orçamentos cada vez menores (e com qualidade cada vez pior), Van Damme vai para a Bélgica e lá recebe um telefonema informando que precisa pagar seu advogado com urgência. Sem poder usar cheques ou cartões de créditos (e também sem poder contar com seu amigo e produtor), ele vai retirar dinheiro numa agência de correios. Mas ela está sendo roubada e, na confusão, os assaltantes decidem envolver o ator no crime.  A partir daí, o filme mostra (quase sempre em longos takes) como os personagens tentam manter o controle da situação, que acaba virando um circo: os assaltantes, a polícia e, claro, o próprio Van Damme se angustiam com a atenção que a mídia dá ao caso porque, afinal, tem um astro decadente de cinema no centro de tudo.

Só tá piorando…

É claro que o enredo de JCVD é ficcional, mas a sua história é fortemente baseada na vida de Jean-Claude Van Damme. Além de interpretar a si mesmo,  o cara lida em cena com temas que são difíceis para ele também na vida real, sendo o pior deles a luta pela guarda dos filhos (Van Damme tem um filho, mas no filme colocaram um filha por motivos legais). E é interessante ver que, mesmo querendo ser engraçadas, algumas cenas não disfarçam a tristeza do contexto, como a parte em que a filha do ator diz o motivo de não querer ficar com o pai ou quando ele se vê obrigado a participar de um filme tosco até no título.  Mas também não faltam momentos sarcásticos de humor, como nos diálogos envolvendo grandes astros do cinema de ação, alguns diretores, clichês de filmes e, claro, o próprio Van Damme.

Tirando onda

O filme dá a entender que Van Damme é muito mais vítima do que culpado pela própria situação, o que não convence. Do grande êxito de filmes como O Grande Dragão Branco e Soldado Universal até ficar restrito ao circuito das videolocadoras, ele aparentemente não entendeu como se adaptar à decadência do seu estilo  e muitas vezes ainda se leva a sério por isso (enquanto Steven Seagal parece nem ligar mais). Ao contrário de Schwarzenegger e Stallone, por exemplo, ele não se arriscou em outros gêneros nem soube como reaproveitar antigos sucessos (e olha que já vem Soldado Universal 3). E, além de tudo isso, ainda foi prejudicado pela atribulada vida pessoal, principalmente seu envolvimento com drogas.

Mas não deixa de surpreender que o próprio Van Damme reconheça suas dificuldades e, o que é pior, não consiga entender completamente como foi parar ali. Não por ignorância ou egocentrismo. Simplesmente viu a vida ir tomando seu rumo, influenciado pela fama e pelo fato da figura do astro frequentemente sobrepujar a da pessoa. Por isso causa impacto a melhor cena do filme, onde Van Damme é isolado e se expõe de maneira mais crua que qualquer crítica de cinema ou culto de celebridade. Também lembra que, por mais que se admire ou repudie  o trabalho de uma pessoa, só ela sabe as dificuldades que enfrentou e os erros que cometeu para chegar naquela situação. E, mesmo com todas as piadas ao longo da história, Van Damme demonstra saber que, ao contrário dos seus filmes, a vida real pode não ter um final feliz.

JCVD “Já vi muita coisa. Viajei muito. É difícil para mim julgar as pessoas. E é difícil para elas não me julgarem”

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Sobre Igor Oliveira

O objetivo é comentar sobre as adaptações de quadrinhos para o cinema desde o ano de 2000. Como não sei se vou ser bem-sucedido, ainda trato este espaço como um laboratório que sempre estará em mudanças. Resta esperar que sejam sempre melhores.

24 comentários em “100Grana Viu: JCVD

  1. Baixei esse filme e sempre tive vontade de assisti-lo. Farei isso em breve.

  2. Aluguei o filme ontem, assisti, mas nem sei dizer ao certo o que achei. Apesar do enredo ser criativo, a produção com baixo orçamento e a fotografia fazem do filme um longa cansativo e sem sal. A interpretação do JCVD até que é boa, a sátira em cima dele mesmo é forte e nem da vontade de rir às vezes. Um drama pastelão. JCVD expondo sua crise de identidade. Em tempo: O vilão principal do filme sempre me lembrava o ajudante de Al Pacino em “Um Dia de Cão”.

  3. Que filme mais estranho esse! O que ele quer afinal ? que as pessoas tenham pena dele e que por isso o resgatem do limbo??

  4. Rapaz, você tem que colocar ao final da postagem um mecanismo de envio do post por email. Sempre que eu leio seus textos lembro de alguém e não consigo enviar. Se me permite, recomendo o AddThis (http://www.addthis.com/)
    Abraço

  5. Esse foi uns dos molhres filmes do Van dame, realmente em destaque do filme aquela cena final que ele desabafa tudo …é como se ele nem tivesse que decorar nenhum script ele foi falando e falando…mto show essa parte…

  6. “Mim” não faz nada. =p

  7. Se for na mesma linha de “O lutador”, eu acho que não assisto não. Mas fiquei interessada sim no enredo…

  8. Rafael,

    Se o “mim” na frase acima servisse como sujeito para um verbo no infinitivo, de fato a construção estaria errada e o correto seria “eu julgar”. Mas ele serve como complemento nominal de “é difícil”, não como sujeito do verbo julgar. Se inverter a ordem da frase, isso fica mais fácil de ver: “julgar as pessoas é difícil para mim”.

  9. WOW,se o filme for tão bom quanto a critica vai valer a pena aluga-lo!

  10. Eu não assisto filmes do Van Damme a mais de uma década… Esse ai gerou interesse. Quando tiver tempo, vou conferir…

  11. Gramática à parte, parece interessante. Se aparecer no RSS do Torrent eu deixo baixar..

    @Teresa Jardim Não sei se vale comparar com “O Lutador”. Lá é um filme de drama mesmo, aqui ainda não se sabe.

  12. De qualquer forma é interessante, desconstruir o van damme que todo mundo, incluindo ele mesmo, sabe que não é tudo isso é um passo corajoso mas também pode ser já ele começando a atirar pra todos os lados pra conseguir um trocado, difícil definir mas ainda fico com a primeira opção

  13. Nos anos 80 e 90 foi o auge dos supermusculosos e início da era dos praticantes de artes marciais, como Stallone, Schwaznegger, Norris,Willis, Seagal, Van Damme,etc.Anos mais tarde os filmes de ação sofreram uma transformação graças ao filme Matrix protagonizado por Keanu Reeves, ou seja a era dos musculosos tinha acabado e começava a era dos efeitos especiais em CG….mas o que maculou a de carreira de Van Damme foi o envolvimento com drogas…o triste é que ao invés de assumir sua responsabilidade ele quiz jogar nas costas de outras pessoas, em uma entrevista ele diz que com a vinda de Jackie Chan,Jet Li e cia para Hollywood deixou muitos artistas desempregados, entre os quais ele…A que tudo indica a old school dos filmes de ação está conseguindo se adaptar aos novos tempos, Stallone c/ Rambo, Rocky, Os Mercenários, Willis com Sin City, Die Hard 4.0, Seagal com Manchete, Harrison Ford c/ Indiana Jones…Será que Van Damme vai conseguir o mesmo? Uma curiosidade JCVD não seria Jean Claude Van Damme?

  14. buenas confesso q era fã de carteirinha nos anos 80, depois n vejo filme dele a anos tenho uma grande curiosidade em assistir, mas apenas isso. abração

  15. Rock X: “Uma curiosidade JCVD não seria Jean Claude Van Damme?”

    Parabéns, você ganhou o troféu “Mentiiiira, Pretinha?!?” 😛

    Sacanagem. Acho que não teria outra explicação para o nome do filme, né?

    Abs.

  16. Não da pra entender esse van damme. Se ele ta tão mal das pernas assim por que ele não aceitou participar dos mercenários. Era ótima chance de se erguer.

  17. Porra… aquela velha do taxi é muito chata, pelo amor de Deus.
    Mas fora isso, roteiro legal, diálogos bons. Um bom filme e ótima crítica.

  18. Mas peraí… o filme já chegou no Brasil?

  19. O Wan Dame é Guerreiro e forte e não é qualquer um que assume ser o que foi e ainda dá a cara pra bater.
    Ele é de se respeitar.

  20. Assisto Wan Dame desde o início, mas este filme ainda não vi. Ele já passou por muita coisa e tenta superar seus conflitos na sua vida desde pequeno. Não sei como ele consegue se levantar.

  21. Nunca estive com tanta vontade para assistir a um filme do bucha do Van Damme como estou agora. Bom, na verdade, nunca tive realmente vontade de assistir a nenhum dos filmecos dele até agora…

  22. ROCK X:Uma curiosidade JCVD não seria Jean Claude Van Damme?

    Sabe que eu cheguei a pensar isso também e acabei descobrindo que o JVCD quer dizer João Claudio Vanderlei Das Dores! AHAHAHAHAHAHA!

    Falando sério agora, Van Dame teve sim filmes bem legais, dois que eu destaco são MORTE SÚBITA e COP TIME se não me engano que ele viaja no tempo, mas este filme JCVD ( QUE ÓBVIAMENTE SÃO AS INICIAS DO NOME DELE) mais me parece uma tentativa de apelar para um retorno dele a filmes de melhor orçamento. Fazendo o estilo Coitadinho! Uma pena! Mesmo assim na hora que der vou ver se baixo e assisto mais de curiosidade, pelo menos se for ruim mesmo não gasto com a locação e ainda por cima deleto!

  23. Boa crítica !
    Assim como a maioria aqui já assisti inumeros filmes do Van Damme, porém faz muito tempo que não assisto um , o último que assisti era uma que faziam um Clone dele , mas nem lembro o nome.

    Mas fiquei curioso pra saber qual é a desse JCVD, então vou ver.

  24. Apesar de um tom auto biográfico, o filme mescla fatos da vida real de Van Damme, como sua ascenção e queda em Hollywood e seus problemas com a cocaína, com fatos fictícios, como o assalto a um banco ao qual Van Damme se ve envolvido e que o filme gira em torno.

    É dirigido pelo diretor franco-algeriano Mabrouk El Mechri. Ele também é um dos roteiristas, e teve de escrever o script duas vezes, pois a primeira versão não agradou Van Damme, pois este era retratado de uma forma muito cômica. 30% do script acabou sendo improvisado.

    Uma cena marcante deste filme e muito aclamada é o monólogo que Van Damme faz, em um tom existencialista, refletindo sobre sua fama, mulheres, família, dinheiro e o sentido da vida. Foi muito bem recebido pela crítica, e a revista TIME Magazine declarou que a performance de Van Damme neste filme como a segunda melhor do ano de 2008, perdendo apenas para Heath Ledger no papel do Coringa em The Dark Knight).

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