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100Grana Viu: Bastardos Inglórios

100Grana Viu Bastardos Inglórios

O grande filme de Tarantino, segundo o próprio.

Por Igor Oliveira

Quando escrevemos sobre Planeta Terror no ano passado, terminamos com a expectativa de que Death Proof – a segunda parte do projeto Grindhouse dirigida por Quentin Tarantino – estreasse por aqui. Mas não apenas o filme não foi lançado oficialmente no Brasil como Tarantino ainda amargou uma bilheteria ruim pelo mundo. Então o diretor resolveu trabalhar no mais falado de seus roteiros inacabados: uma história sobre um grupo de soldados buscando retaliação contra os inimigos na Segunda Guerra Mundial. Por quase dez anos, o roteiro foi uma pendenga na vida de Tarantino, que chegou inclusive a pensar em adaptá-lo para uma série de TV. Mas ele terminou de escrever e decidiu que aquele seria o seu grande filme antes de terminar a década.

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O resultado é Bastardos Inglórios, uma história dividida em cinco capítulos que se passa na França ocupada pelos nazistas e se concentra em dois pontos. O primeiro é a reação de Shosanna Dreyfus (Melaine Laurent) ao se envolver com o exército nazista, anos após sobreviver ao massacre da sua família judia. O segundo é o trabalho de um grupo de soldados norte-americanos, liderados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt), que tem como única missão exterminar nazistas e retirar seus escalpos. A partir disso, a história mostra a trajetória de todos os personagens até um importante evento cinematográfico para o exército alemão.  Nas mãos de Tarantino, um fundo histórico como a Segunda Guerra Mundial envolvendo um cinema é garantia de violência e muitas, mas muitas referências a filmes ( faroestes, filmes de guerra, Chaplin, Hitchcock, o próprio Tarantino, entre tantos outros). Porém, desta vez a dimensão é um pouco mais séria. Ao contrário dos cômicos esguichos de sangue em Kill Bill, a  violência em Bastardos Inglórios é muito gráfica. E se é uma marca do diretor fazer várias referências cinematográficas, imagine o que ele faz quando um dos motes do filme é justamente o Cinema…

Soldados, vingança, nazismo e cinema

É possível ver também, mais uma vez, o domínio de longas cenas e diálogos. Para que se acostumou a ver a edição frenética de filmes como Transformers, por exemplo, pode causar certo estranhamento ver como Tarantino desenvolve uma cena sem pressa, mostrando como um ambiente de cordialidade pode acabar num cenário bastante tenso. Se isso rende boas sequências, também cansa em determinadas ocasiões, mostrando que o filme poderia ser mais enxuto ou, pelo menos, aproveitar melhor o tempo para outras questões, já que as consequências dos acontecimentos do filme  (que oferece uma versão alternativa da História no seu roteiro) rendem muito material, como o próprio Tarantino já cansou de dizer. Aliás, este é um problema do filme: a sensação de que está incompleto.

Falta mais alguma coisa...

Ao que parece, Tarantino esculpiu tanto seu roteiro que não soube condensá-lo em 153 minutos de duração. Os personagens, apesar de despertarem curiosidade no espectador, não são bem aproveitados. Começando pelo próprios Bastardos, que literalmente são vistos apenas como um grupo de guerrilheiros assassinos de nazistas. Claro que dá pra entender a raiva que sentem por serem judeus e lutarem contra a Alemanha, mas bate a vontade de saber o que exatamente os levou a se unirem. Como o personagem de Brad Pitt conseguiu a cicatriz na garganta? Por que o sargento Donowitz usa um bastão de beisebol cheio de anotações para espancar seus algozes? Alguma razão especial para exigir 100 escalpos de nazistas (que não têm qualquer importância para o filme)? E quais são os interesses da atriz alemã pra justificarem o seu disfarce? Caso haja um possível argumento de que esses são detalhes não relevantes para o desenrolar da trama, então é justo entender que quase tudo no filme foi feito com um único objetivo: permitir Tarantino demonstrar a sua adoração pela Sétima Arte. De fato, ele sabe como homenagear o Cinema através de suas histórias e referências, mas o resultado sairia bem melhor se o filme fosse mais envolvente.

Quem conhecer mais filmes, se diverte mais

Bastardos Inglórios é um marco na carreira do criador de Cães de Aluguel, mas ainda bastante sujeito a discussões se é mesmo seu grande filme. Estão na tela as referências ao cinema, os diálogos ágeis, humor negro, violência, cenas de pés femininos e até a participação de Samuel L. Jackson. Mas não deve ser encarado como a atmosfera de Pulp Fiction ou Kill Bill ambientado na Segunda Guerra por algumas razões. A principal delas é que, ao contrário dos filmes anteriormente citados,  Bastardos não conta com personagens bem desenvolvidos e marcantes (com exceção do coronel Hans Landa, intepretado pelo ator austríaco Christoph Waltz). Também não é um filme do estilo exploitation, com uma queda pelo trash, como é o caso de Kill Bill ou Death Proof. Há momentos de humor, mas eles estão mais contidos do que se pode esperar. Tarantino criou seu próprio estilo e Bastardos Inglórios faz parte dele, mas soa como um passo à frente, mais maduro e experiente.  Não necessariamente mais divertido. Se foi mais acerto do que erro ou o contrário, isso depende da opinião de cada um. Mas, em todo o caso, vale a experiência.

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Sobre Igor Oliveira

O objetivo é comentar sobre as adaptações de quadrinhos para o cinema desde o ano de 2000. Como não sei se vou ser bem-sucedido, ainda trato este espaço como um laboratório que sempre estará em mudanças. Resta esperar que sejam sempre melhores.

23 comentários em “100Grana Viu: Bastardos Inglórios

  1. Então seria melhor ter feito uma série, para explicar melhor a história.

  2. POde crer!!! Eu li sobre a historia desses soldados e o porquê deles terem se unido!!! É uma grande historia da segunda guerra mundial!!

  3. falarem que devia explicar mais origens,por que da cicatriz de uma certa pessoa,nenhum personagem marcante ,ficou incompleto e bababa…. é brincadeira né ! se faz um filme com tudo isso e passa de 200 minutos ai todo mundo reclama : longo demais,pra que isso? deu vontade de dormir ,etc.quando pensei que tarantino ( que já fez muitas merdas) não faria um filme foda como kill bill, ele consegue outra joia para sua coleção.o que eu mais elogiei em cavaleiro das trevas foi os dialogos de um roteiro caprichado e o clima de pilantragem e suspense que envolvia o filme e não pela ação em si. o mesmo pode ser dito de bastardos que foi soberbo principalmente em suas falas e na impressão que todo mundo queria dar um “rodo”em alguém.não fiquei pensando numa cena cheia de sangue e violencia ( logico que não sou contra ação,luta,um humor ligth)mas falta filmes assim hoje dia.ir ao cinema e ficar duas horas e meia ” tentando ” enxergar um monte de carros se transformando em robos e suas lutas depois (que da uma dor na vista) e dureza viu !inteligencia já.

  4. concordo com o flavio aqui em cima em muitas partes.

    Esse é um filme em que a história é mais importante que os personagens.

    Ps.: cara, o começo desse filme é muuuuito tenso, adorei!

  5. e nada dele estrear no circuito de cinemas de Belém….¬¬

    Será q só vamos ver esse filme no novo conjunto de cinemas da Cinemark no Shops da Doca?
    aff!

    Saudades do Cine Nazaré…..

    o/

  6. filme sensacional! sacadas geniais! adorei… um dos melhores do taranta!

  7. É um filme diferente para os padrões atuais. Me surpreendeu muito, principalmente pelo inesperado. Não é o tipo de filme que antes de começar, vc já sabe como vai acabar.
    Muito bom!

  8. concordo com td q o Flavio disse!!!
    Viva aos dialogos!

  9. Apesar da história ser mais importante, não conseguir fazer com que seus personagens sejam carismáticos é uma falha do diretor.

    A história é feita justamente por personagens, e não o contrário. E caso um filme tente explicar algum evento histórico, fazê-lo criando um personagem com o qual um público pode se identificar, vendo a situação por trás das suas motivações, é muito mais eficiente do que simplesmente sair falando da história em si. Seria um documentário se fosse o caso.

    E Cavaleiro das Trevas não tem nem como comparar. As cenas de ação são muito firmes, mas ser capaz de perceber a situação caótica e violenta da cidade através da impotência de seu principal guardião e da própria loucura que foi o coringa é muito mais convincente do que simplesmente colocar muitos diálogos, já que a chave está na interpretação, e não na exposição.

  10. mas o batman de tim burton teve uma interpretação otima de jack n.e mesmo assim não passou de um filme mediano.não sou contra o acabamento de certos personagens em qualquer filme,só que no caso deste filme do tarantino o direcionamento que ele deu pro filme deu vida propria para o filme e assim não precisava de moldar ninguém .mas é uma humilde opnião que tenho e respeito a de todos que opniram com muita inteligencia neste assunto.

  11. Estou gostando do que estou lendo sobre os bastardos. Este é o próximo filme da minha lista. Espero que seja tudo que estou esperando.

    Aproveitando, não deixem de ver o Distrito 9 e façam uma avaliação deste filme. Vale muito a pena. O filme é fantástico. Todos os produtores, estúdios e diretores devem aprender com este filme. O filme tem um ritmo muito bom, uma historia inovadora e muito bem escrita, um estilo de retratar a historia dinamica, efeitos especiais incriveis e com um baixo custo para o estúdio. Acho que a Marvel deve aprender muito com o Peter Jackson e o diteror Neill Blomkamp.

    Mais uma vez Peter Jackson me surpreendeu. Parabens.

    Abraços a todos.

  12. É um filme tipico do Tarantino, um american sparguety…

  13. O grande problema desse filme foi a questão dos capítulos.

    Talvez, e só talvez, houvesse mais tempo de desenvolver a história dos personagens (que são sim de extrema importância para o filme) se o Tarantino mostrasse o que aconteceu entre um capítulo e outro, ou seja, ter deixado o filme contínuo e aberto espaço para responder aos questionamentos sobre as motivações de cada um.

    Sem dúvida é incrível a sensação de revanche e satisfação ao ver um monte de judeus detonando os nazis, mas se faz necessário sim, na minha opinião, que não seja uma atitude vazia; matar por matar. Para muitos a idéia de ver uma “fantástica vingança” (em todos os sentidos) como essa já é motivo pra gostar do filme – eu gostei e me diverti muito mesmo -, mas o filme poderia ter ganho outro status se ousasse aprofundar psicologicamente.

  14. Primeiro comentário honesto deste filme que até agora só li lambeções da genialidade de Tarantino.
    Gostei de todos os trabalhos de Tarantino até agora, Bastardos é com certeza o mais confuso e o mais cansativo, e voces conseguiram colocar exatamente o que este filme “tenta” passar.
    Pela atuação do nazista Landa vale o ingresso, do mais totalmente esquecivel..

  15. Como diz a minha mãe, que seria do azul se todos gostassem do amarelo.

    Realmente, deixou-se de explicar cicatrizes e motivações. Mas não acho que isso seja necessariamente negativo. Gostei de ficar tentando imaginar por que diabos o Sylar [hehe] usa um bastão de beisebol pra esmagar nazi-cabeças.

    A primeira cena não me foi cansativa de modo nenhum, ao contrário. Quando acabou, notei que tinha ficado quase sem respirar, e dei um longo suspiro. Sorrindo.

    Em suma: gostei, e provavelmente assistirei outra vez quando houver oportunidade. Até cansar de buscar as milhares de referências.

  16. Mesmo que aplaudindo a poligrotia que é apresentada e as atuações de Waltz e Brühl, o filme continua sendo, na minha opinião, mediano. Apesar de retratar um contesto europeu e de época, o longa é imediatamente reconhecido pelas referências escrachadas ao pop — pitadas que Tarantino insiste em colocar em suas obras e que, ao meu ver, fazem-nas cansativas e desgastantes demais.
    Além disso, as cenas de humor me incomodaram; não dispenso uma ironia bem colocada mas assuntos nazistas não casam, definitivamente, com o riso sendo que, no caso específico deste filme, os momentos de comédia se tornaram impróprios e, até certo ponto, irritantes.
    É um trabalho interessante olhando por alguns ângulos, mas nada inovador olhando por muitos… As idéias poderiam ser muito melhor trabalhadas, dando menos ênfase à violência over done tarantinesca. Mais sério, como Nicht Alle Waren Mörder, para citar filmes dessa linhagem.

  17. o Landa é o personagem marcante. arrisco a dizer que vai ser o ganhador da estatueta de ator coadjuvante em 2010. O Tarantino cresceu, até as referências estão mais maduras, deixando de transparecer o moleque viciado em séries e filmes de ação dos anos 70, e mostra um cineasta adulto, referenciando àqueles que lhe foram cruciais na sua investida pela sétima arte – como deve o ter sido o Leone.

    Espero que ele faça logo um bang bang a lá tarantino

  18. O mais marcante do filme pra mim não é a ação em si, mas a tensão que o filme nos provoca durante todos os minutos… A primeira cena do filme vale ser revista várias vezes e, desde aquele momento, a figura de “o caçador de judeus” já me fazia psicologicamente confuso, sem saber o que esperar para a próxima cena. Concordo com Alexandre Volpe, a atuação do astríaco Christoph Waltz no papel do nazista Hans Landa marcou o filme, ele é simplesmente a personagem.

    O filme pode não ter trabalhado os detalhes da totalidade dos personagens, mas o diálogo inteligente de Landa e suas ações investigativa no filme, pautadas numa ironia que nos faz suar, são sensacionais, eu não via a hora de alguém dar cabo dele.

    Considero que, nos últimos tempos, não via um filme de guerra tão expressivo e bom de assistir. Dá dor e raiva imensa ao ver aqueles nazistas rindo com a morte de milhares de judeus, ver o produtor do filme se emocionar quando Hitler lhe diz ser aquele o melhor filme, mas vê-los morrendo foi como uma vingança histórica. Não sou adepto a vingança sangrenta, mas não posso mentir aqui que a magia do cinema me fez sorrir quando vi aquele monte de tiros contra o líder nazista.

    Um bom roteiro, fotografia excelente, a trilha sonora que toca no momento em que a personagem que é dona do cinema está se arrumando é como se ela estivesse pronta para a batalha final, sensacional.

    Enfim, considero um ótimo filme.

  19. Alex, considerar Bastardos como filme de guerra expressivo fica complicado pois as figuras e os contextos ali contidos são por demais caricatos, chegam a beirar o trash, coisa de Tarantino.
    Uma comédia de humor negro ? Talvez, embora um tema que seja negro demais para se tornar uma comédia.
    Volto a considerar que Brad Pitt foi coadjuvante neste filme e concordamos que Christoph Waltz roubou o filme, poderia até chamar “Landa Bastardo”, sua sugestão em matar o Landa mais ou menos foi atendida pois no 3/4 do filme ele passou a ter uma atuacao apagada.
    Quanto aos dialogos de Tarantino são unicos, me remete Kill Bill 2 aonde David Carradine compara Superman com outros super-heróis, o cara é doido, faz cinema na contramão, mas esse Bastardos não me empolgou, talvez até assista novamente e consiga ter uma nova visão Tarantinesca.
    Na minha opiniào os grandes cineastas que reinventaram os filmes de guerra são Oliver Stone com Platoon, Spielberg com Ryan, Eastwood com os dois filmes sobre Iwo Jima e um pouco mais além, mais psicologico, Kubrick em Nascido para Matar. Abraço

  20. Só lembrando aos que não conhecem profundamente a história da Segunda Guerra, este filme tem estória, pois de história nada se encaixa apenas panos de fundo como França ocupada, personagens nazistas, e pouca coisa além.
    Historicamente falando o filme é uma piada.

  21. Concordo com muitos dos comentarios anteriores, o humor negro eh excelente, a tensao que algumas cenas passam, principalmente a da taverna, eu nao tenho nem palavras para elogiar. No entanto pessoalmente os filmes do Tarantino nao sao da minha preferencia… Analisando friamente e ignorando minha opiniao pessoal eu digo que eh um filme que sem duvida vale a pena ver.

  22. só o Christoph Waltz salva o filme. Sem qqr “referência cultural”(senti falta de diálogos como “Madonna” ou “Royale with Cheese”) da época. Tarantino parece perdido em diálogos desinteressantes e apelando para os clássicas ameaças com sorrisos para criar tentar dar uma gravidade já explícita na situação.

    ps. o(a) idiota que alegar que “madonna” ou “royale with cheese” não existiam na época será currado pelo Entei. O ponto é que existiam “N” outros assuntos “inúteis” em evidência da na época que poderiam ser usados da mesma forma.

    Repito. filme é lanterna verde sem o anel. E não me venham com essa balela de Hall Jordan ou qqr outro lanterna.

  23. Assisti finalmente hoje e gostei! A tensão causada pela busca constante do caçador de judeus por novas prováveis vítimas durante todo o filme é soberba! Gostei do roteiro, diálogos, história fictícia…. enfim, tudo. Acho q é o melhor filme do Tarantino depois de Kill Bill, na minha opinião, claro.

    Sinceramente filmes com a história da 2ª guerra como pano de fundo não me animam de assistir, e sinceramente só fui assistir esse por ser do Tarantino. E não me arrependi, na verdade me surpreendi!!! Em resumo, é 1 vingança servida de forma fria, mesmo d certa forma catastrófica. E ver o col. Hans Landa se ferrar no fim do filme é o melhor!!!

    Não achei q precisasse desenvolver + os personagens p saber o pq disso ou daquilo. Achei o filme devidamente dosado.

    Palmas p o Tarantino. E abraços p galera do 100grana!

    o/

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