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100Grana Viu: O documentário Brega S/A

100Grana Viu: O documentário Brega S/A

Você já viu algum bom filme sobre Hitler? Evidentemente, muito poucos admiram a obra do Führer (e a esses, desejo nada menos que Auschwitz), que, pra ficar nas poucas palavras foi um genocida, algo que realmente não agrega valor, por assim dizer. Porém, pessoas se destituíram de preconceitos e conseguiram apreciar o jeito que o diretor e equipe mostraram aquela história, com isenção ou não, isso não vem ao caso.

Do mesmo jeito (veja bem, estou comparando FILMES, não HISTÓRIAS), houveram pessoas que gostaram muito de 2 Filhos de Francisco e não têm capacidade mental de aturar uma nota sequer dos protagonistas (eu sou um). Começo esse texto assim para furar logo um bloqueio que possa impedir você de assistir a Brega S/A.

O documentário mostra como a indústria do brega (não, não é mais aquele do Reginaldo Rossi) no Pará se processa, da “composição” à venda nos camelôs da cidade, auto-intitulados responsáveis pelo sucesso de personagens impagáveis e que se encontram em patamares diferentes do sucesso como Maderito, o Garoto Alucinado, empolgadíssimo com sua carreira de artista e o famoso DJ Maluquinho, que se mostra um empresário estrategista, para espanto deste liso que viu os últimos suspiros de seu preconceito agonizando no chão do cinema.

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Maderito, o garoto alucinado

Não, o filme não me fez gostar de tecnobrega. Mas percebo que existe gente consciente dentro da estrutura a ponto de perceber de onde vem e para onde vai esse fluxo “criativo” e todo o dinheiro que ele gera. Influeciado por uma infinidade de culturas, das pistas européias ao punk e o heavy metal (principalmente na pirotecnia), o tecnobrega é um fogo de palha que tem que ser mantido diariamente.

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A pirotecnia e os efeitos especiais assustam pela magnitude.

O doc chega a ser didático, mas não é maçante em nenhum momento e é um dos melhores registros sobre Belém do Pará feitos por nativos em qualquer mídia (acreditem, muitos tentam, mas a qualidade assusta). É uma realidade que está bem perto mas que nós, protegidos dentro de nossas casas ou não curtimos ou fingimos não ver. E se vemos, temos inevitável vergonha e não é alheia.

"Show" do DJ Maluquinho. Por incrível que pareça, é o cara mais pé no chão do cenário local

"Show" do DJ Maluquinho. Por incrível que pareça, é o cara mais pé no chão do cenário local

Não que isso importe para quem está ganhando ou se divertindo lá dentro, pouco se lixam para isso, afinal, sem dar spoilers, é óbvio que todas as parcelas da população querem se ver representadas de alguma forma na mídia e este foi o jeito encontrado por eles, mesmo que passe pela pirataria. A sinceridade dos depoimentos evidencia que aquilo funciona muito para eles, mesmo os que não suportam o estilo ou os que parecem iludidos pelo sucesso.

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O processo de distribuição e comercialização começa assim. Uma das melhores cenas do documentário

Com um final que alguns dizem não ter entendido (que parte da porrada não ficou clara?), Brega S/A é a periferia de Belém no cinema, com o que tem de bom e ruim e num formato que ajuda a nós leigos a sacar o que se passa do lado de lá da aparelhagem. Periga acontecerem dois fenômenos interessantes:

1 – O filme cair nas graças dos camelôs e ser largamente replicado até chegar numa banquinha perto de você (provável e com aval dos diretores, já que a obra está disponível para download no site da produtora Greenvision Filmes)

2 – Motivar um hype que levará os “pseudos” de Belém a falarem que “sempre gostei de tecnobrega, é muito roots”. Acredite, Belém é assim mesmo.

Trailer:

10 comentários em “100Grana Viu: O documentário Brega S/A

  1. Eu sempre curti technobrega! rs sacanagem nem sei qq isso, mas curto esses docs. Acho legal mostrar q aqui no brasil tem mais coisa alem de florests turismo sexual e crime.

  2. Como diria o grande Hancock: “Pass!”

  3. Não vou pras aparelhagens nos fins de semana, nem faço parte da galera da lage; mas convenhamos, os caras conseguiram uma saída criativa e eficaz para o problema gravadoras x pirataria x indústria da música. Já foi alvo até mesmo de estudos de economistas e outros entendidos do mercado do entretenimento.

    Além disso, eu prego o seguinte: se é pra gostar de porcaria, que seja a nossa, não a de fora [funk, axé e breganejo por ex]. E digo mais: pra mim, tecnobrega é apenas música eletrônica com a cara do Pará.

    Já queria ver, agora mesmo é que estou curiosa!

  4. ***OLA MOÇADA LINDA AQUI E MARCOS MADERITO..OBRIGADO POR TUDO GALERAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
    O ALUCINADO DO BRASILLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
    O PAI DO ELETROOOOOOOOO MELODYYYYYYYYYYYYYY

  5. Falaram do grande Cacique Cara de Pau nesse documentario?
    Ah é, admito, eu escuto e gosto de tecno-brega, as letras são bem engraçadas XD

  6. Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by EsquivaBalas: BregaS/Ahttp://bit.ly/3yqHAG…

  7. Não tem como não fugir, a realidade é essa mesmo que a Teresa citou, porcaria por porcaria, ficamos com a que tem a nossa cara (de caboclo pseudo-malaco amazônida).

    Boa Maderito!!!!

  8. Muito legal o doc. Fazer o quê, não dá pra negar que o brega faz parte da cultura paraense.

  9. Muito bom, um dos melhores, senão o melhor documentário que eu já vi em minha vida.

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