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100Grana relembra: Tron – Uma Odisséia Eletrônica

Pensou que a gente ia deixar o lançamento de Tron – O Legado passar batido? Se enganou. Conheça (ou relembre) o filme original de 1982.

Alguns filmes, como se diz por aí, resistem ao tempo. E é verdade. Depois de anos, voltar a assistir Tron- Uma Odisséia Eletrônica foi uma experiência incomum para mim. Isso porque a impressão que tinha era que estava prestes a tecer algum comentário do tipo: “Cara, como isso era tosco”. Bom, em algumas coisas, hoje parece tosco aos olhos dos mais jovens.

Mas para mim, que tive a chance de ver o filme em muitas reprises televisivas, o tosco não existia, ou pelo menos, fique entedido como “o que estava ao alcance tecno-cinematográfico da época “. E mesmo assim, o visual do filme, muito antes de qualquer 3D ou CG moderno consegue passar ao espectador a sensação de entrar em mundo genuinamente virtual.

Ao rever Flynn passeando pelo mundo virtual, duelando com outros programas, disputando corridas de motos, eu tive na minha cabeça lampejos de memória dos meus tempos de jogar Atari (que não por acaso, participou da produção). Mais especificamente, quando algum cartucho dava erro de leitura e milhares de imagens borradas e um som estranho apareciam na tela em vez do jogo.

Falando em antigamente, o visual computadorizado da época traz aquele design arrojado (para a época, cortesia do lendário Jean “Moebius” Giraud) dos anos 80, e aí, vou citar novamente os jogos eletrônicos dos anos 80, em especial as artes das embalagens dos games, muito provavelmente inspiradas no filme estrelado por Jeff Bridges.

Aliás, recentemente, ao participar de um debate durante o evento de games MAGWDJA no IESAM, falando sobre interatividade, lembrei de como sempre busquei, e ainda busco extrapolar os limites da tela do jogo, explorando ao máximo o cenário. Vendo Tron novamente, tive esta mesma sensação ao ver Flynn explorando o mundo virtual.

Claro, nada disso faria o filme relevante se a história não fosse bem contada: O que começa com uma investigação de espionagem industrial descamba para uma batalha épica que só existe dentro de um universo virtual. De certa forma, é surreal ver um programador (Bridges) se transformar em um herói disputando competições que visam sua própria sobrevivência, arquitetadas por um programador que o trapaceou no mundo real (David Warner).

De muitas maneiras, a história traça uma metáfora sobre todas as disputas e trapaças em nosso cotidiano. O mérito do roteiro não é apenas contar duas histórias, mas criar uma situação em que elas se completam.

Menção honrosa também deve ser feita para Bruce Boxleitner (juro que escrevi sem colar de lugar nenhum ), muito antes de emplacar um papel de destaque na premiada série de ficção científica Babylon 5, no papel do “Tron” do título. Aliás, boa parte do elenco principal foi obrigado a meio que fazer dois personagens, o humano normal e o avatar. Jeff Bridges, por sinal, me lembrou em alguns momentos seu personagem em Starman – O Homem das Estrelas, ao interpretar Clu. Com certeza, o filme foi o primeiro a abordar a questão do avatar pessoal.

E no tocante à interpretação, achei bem interessante o resultado da mescla entre performance dos atores e roteiro que transforma sub-rotinas de computador no que parecem situações normais em nosso mundo. Aliás, observando novamente o visual do filme, notei (ou pelo menos me deu a impressão) que a  todo  momento, o filme traça paralelos entre o nosso mundo e o mundo virtual. Basta observarmos a visão do alto da cidade em algumas tomadas, trazendo semelhança com  circuitos e processadores.

Obviamente, pelo pouco que já pudemos olhar em trailers e teasers, muita coisa mudou de 1982 para 2010, e fica aqui a minha torcida para que este novo longa traga inovações mas que mantenha o mesmo espírito do clássico.

Veja o trailer do filme original:

 

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