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O Rei Leão: 17 anos depois

Aviso logo, isso não é um review, mas um olhar de um cara que levou quase uma vida para ver uma animação que já vive no imaginário pop.

1994. Aos 11 anos de idade, não havia nenhum cinema perto da minha casa, lá na Penha, Rio de Janeiro. Dependia da grana e da companhia de pais ou primos mais velhos para poder ir às salas de exibições. E haja eu pedir para ir, em vão, para me levarem. Acabei não indo. Aí você pergunta: “por quê nunca vistes em VHS ou DVD?” Sei lá, acho que tinha outras prioridades na fila de compra ou exibição em ambas as mídias.

Por essa razão, passei batido no fenômeno pop que foi O Rei Leão. Ou quase, já que na época, eu ficava babando na linha de action figures do filme, especialmente o trio Mufasa/Simba adulto/Scar. Para muitos, a animação dirigida por Roger Allers e Rob Minkoff está entre as mais importantes do panteão Disney, ao lado de animações como Branca de Neve (que também marcou época) e o próprio Toy Story, que sairia mais tarde no mesmo ano de 1994.

 

Mas por quê tanto sucesso? Inspirado levemente em Rei Lear, de William Shakespeare, a animação de cerca de duas horas de duração leva não apenas esta, mas de certa forma, um apanhado estilizado de clássicas histórias de reinado, intrigas palacianas e interesse no poder para a savana africana, na figura do leão Mufasa (com a “Darth voz” de James Earl Jones), o senhor da pedra do reino, que governa ao lado de sua rainha, Sarabi, e ambos vivem um momento de júbilo, assim como seus súditos, pela chegada do herdeiro do trono, Simba (Jonathan Taylor Thomas).

"Rafiki não vai trocar fraldas"

Obviamente, nem todos estão felizes com isso. Scar (Jeremy Irons), irmão de Mufasa, almeja o trono para si, e aliado às renegadas hienas, leva adiante um plano sinistro para alcançar seus objetivos sinistros. Mas o roteiro explora muito a questão do destino imutável, na forma do “circle of life” que determina como, eventualmente, Simba (adulto, dublado por Matthew Broderick) vai tomar seu lugar de direito naquela pedra.

Ficaram alguns questionamentos meus:

– Por quê o Simba se sentiu culpado pela morte do pai? Ele esqueceu que foi o Scar quem mandou ele para perto do bando de gnus? Se fosse eu, falava logo:“Ei, seu merda, a culpa foi tua, tira esse teu dedo da minha cara”.

– Só porque Scar vira rei, só chove e não amanhece? Tá, essa foi sacanagem minha, eu saquei a analogia de “o tempo fechar”.

– Os leões desse filme não tem instinto de caçador mesmo. É só olhar a Nala, que num primeiro momento, tentou lanchar o Pumba, mas como o Simba disse não, ela sequer arriscou outra dentada de novo.

– O Scar é…? Enfim, eu estou perguntando porque eu notei uma coisa:

A última piada não é gratuita. De fato, o filme fez barulho quando estreou, mas também gerou polêmica, pois alguns grupos ativistas fizeram acusações fortes sobre a animação, sobretudo na questão de estereotipar personagens, como as hienas (eu não me lembro se falaram que representavam as etnias negras ou latinas, algo assim) e o Scar, que era para ser o estilo Jaffar, de Alladin, mas ficou muito, muito suspeito.

"Faz carinha de quem tá gostando demais..."

Pesa também sobre a animação a acusação (aliás, tá na cara a chupinhação) de plágio da obra japonesa Kimba, o Leão Branco, cria de Ozamu Tesuka, o pai do Astroboy. Mas eu sou da opinião que cada uma das animações tem seu mérito e luz própria. E para encerrar a discussão, fiquei sabendo esses dias que perguntaram à viúva do Tesuka porque ela não quis processar a Disney, ao que ela respondeu que o seu marido deve ter ficado feliz, uma vez que Kimba foi inspirado nas animações do pai do Mickey.

Falando de coisas boas, a obra gerou frutos interessantes, como a série animada Timão & Pumba, de longe os personagens mais carismáticos do filme, especialmente pela popularização do Carpe Diem da era moderna, o Hakuna Matata:

E recentemente, ganhou duas continuações direto para DVD. Na boa, eu dispenso, filmes como esse só precisam de uma parte.

Mas continuando, a animação também ganhou paródias e referências em outras produções, incluindo Os Simpsons, e a comédia Kung Pow (admito, eu gosto desse filme):

A trilha sonora também merece destaque. Não apenas as composições de Hans Zimmer , como os números musicais compostos por Elton John e Tim Rice, grudam na cabeça com facilidade, e no bom sentido. As duas músicas-tema, “Can You Feel The Love Tonight” e “Circle of Life“, são excelentes e merecem figurar em qualquer coletânea de temas cinematográficos. Por acaso, eu já tinha ambas, em um CD de “greitesterrítis” do Elton John, o Love Songs.

Falando mais sobre este lançamento em 3D, digo duas coisas: o efeito funciona bem, não é algo espetacular, mas consegue valorizar a imagem da animação original. E mais, palmas para a idéia de manter a dublagem nacional de 1994, pois além de conferirmos Mufasa ainda com a voz do Paulo Flores, falecido em 2003, temos a chance de conferir o trabalho de bons dubladores que têm atuado pouco ou mais como diretores de dublagem, a exemplo de Garcia Jr. (Simba adulto), Maria Helena Pader (Sarabi) e Carmen Sheila (Shenzi). E quem se lembra do ex-ator mirim Patrick de Oliveira como Simba?

Enfim, demorei 17 anos, mas digo: apesar de ter feito muitas piadas na hora da exibição, recomendo com certeza que vocês assistam, tanto quem nunca viu, como para quem já arranhou o DVD de tanto ver, para reassistir uma boa animação, personagens carismáticos, e uma história muito bacana sobre destino, amizade e responsabilidade.

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11 comentários em “O Rei Leão: 17 anos depois

  1. Desnecessáraio essa matéria.

  2. Voc realmente é atrazado em… “arranhou o dvd de tanto ver” ja estraguei foi 2 fitas de tanto ver!

  3. Spoiler detected! kkkk xD

    É meio difícil não gostar de um filme com uma mensagem tão legal quanto esse.
    Meu pai assistia comigo e ele dizia que a nossa amizade era como a de Mufasa e Simba, nem a morte separaria. =~~~~)

    Chorei.

    E saudade dos meus VHS…

  4. Interessante. Como ja devo ter dito neste site, eu só pude assistí-lo em VHS por causa de um dos meus sobrinhos…o desenho foi divertido, mas pra mim não se compara ao Alladin (questão de gosto)…o triste foi a história envolvendo o possível plágio de Kimba- o Leão Branco (também citado neste site e em um dos episódios dos Simpsons)…Off.: Quanto a plágios, a mesma polêmica derrubou o desenho Atlantis,que um dos diretores admitiu que teria “clonado” elementos do anime Nadia- The Secret of Blue Water (segundo as revistas especializadas). Uma pena que hoje a Disney e cia só se dediquem a desenhos em CG’s como Toy Story, Carros,etc, …

  5. Em termos de qualidade, a Disney jamais vai conseguir superar os primeiros quatro minutos de “O Rei Leão”. #prontofalei

  6. Li toda a matéria, gostei muito, mas não pude deixar de perder a concentração nessa parte aqui:

    “e a comédia Kung Pow (admito, eu gosto desse filme)”

    HAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHA EU SOU MUCHUNFASA!

  7. Velhos tempos aqueles…

  8. @muteki yuuki não sou atrasado, sou moderno então? Heh!

  9. Mas que é plágio descarado do Jungle Taitei do “Manga no Kami Sama” Osamu Tezuka , aí é sim!!!

  10. Sérgio, a respeito das coisas que você não entendeu sobre o filme:

    – Simba se sentiu culpado pela morte do pai por uma série de motivos. Primeiro porque Mufasa o alertou quanto a se afastar para longe do reino e Simba desobedeceu, segundo porque seu pai morreu tentando salvá-lo, e terceiro porque ele era apenas um filhote e estava muito assustado com tudo aquilo (naturalmente), e o sacana do Scar aproveitou para encher de minhocas a cabeça do garoto, dizendo que a culpa tinha sido dele, que era melhor ele fugir, etc.

    – Sobre o clima no reino ser sombrio sob o reinado de Scar… bom, é uma metáfora, evidentemente. Para mostrar que a coisa estava preta por lá.

    – Nala, mais do que uma leoa, é um personagem humanizado. Certamente uma leoa de verdade teria transformado o Pumba em almoço ali mesmo, mas como eu disse, todos os personagens do filme têm um lado humano: amor, ódio, compaixão, rancor, amizade, e por aí vai.

    – Sobre o Scar… bem, muita gente já especulou que o jeito afetado indicaria que ele é gay. E para reforçar essa suspeita, há o fato de que o sujeito que animou o personagem era homossexual. E no filme, ele não parece se interessar por nenhuma fêmea, apenas por poder… aí você junta tudo isso… e tira suas próprias conclusões… hehehe…

  11. cara… eu acho que o simba se sente culpado pela morte do mufasa por causa do rugido dele que antecede o debando da manada – o que ele pode ter pensado que foi ele quem provocou.

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