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Liga da Justiça animada completa 10 anos

Uma aula de adaptar quadrinhos para a TV com respeito, e mais importante, para o público infanto-juvenil.

 Eu tenho 29 anos. Leio quadrinhos de heróis desde os oito, mais ou menos, mas meu primeiro contato com muitos deles não foi lendo as páginas de suas aventuras, disponibilizadas mensamente em uma banca perto da minha casa, mas no que eu via na minha velha babá eletrônica, a TV.

Assim foi com Batman, Superman, Homem Aranha , X-Men e claro, a Liga da Justiça. Sendo que esta última não chegou ao meu convívio com este nome, mas com o nome de Superamigos. Foram muitas manhãs acompanhando as aventuras dos ícones da DC, reunidos na Sala de Justiça (e também tentando entender aquela vinhetinha com duas estrelas cadentes explodindo na minha cara).

Mas quando passei a acompanhar especificamente a Liga nos quadrinhos, isso lá em meados de 1995, comecei a encarar a coisa toda de uma forma. Me enchia de perguntas do tipo: “Qual é a desse Chefe Apache que nunca deu as caras?” ou em que equipe meteram os Super Gêmeos, e assim, aos poucos, fui tomando conhecimento de todas as liberdades que os produtores do desenho tomaram para deixar o desenho mais politicamente correto, coisa que a época de forma tão ou mais forte quanto hoje.

Que mãozinha é essa do Superman?

Calma, lisos, não ousaria tirar o mérito do desenho. O fato é que, conforme fui sacando mais de HQ e de Universo DC, fui vendo o quanto Superamigos era, tipo, abrandado para os pimpolhos iguais a mim. Mas eu continuo gostando justamente pelo estilo clássico que era homenageado na animação, mas troquei a atenção dada a esse desenho para outras produções animadas de quadrinhos, entre elas, em se tratando de DC, de Batman The Animated Series e Superman The Animated Series.

Extremamente fiéis ao que eu já conhecia dos quadrinhos e com uma narrativa mais séria, as animações me conquistaram rapidamente. Mas se as séries, que fizeram tremendo sucesso entre os fãs, tiveram todo esse apelo, isso se devia a dois caras: Bruce Timm e Paul Dini, visivelmente um fã dos personagens que soube dar luz própria ao que produziu, se dando ao luxo de mais tarde, criar uma série sem ligações com a cronologia dos quadrinhos, mas que fez barulho ao estrear (Batman do Futuro).

O que ninguém poderia imaginar é que todos estes trabalhos eram apenas o embrião de um dos maiores sucessos televisivos baseados em quadrinhos, pois em 2001, os dois investiram em uma nova série, desta vez trazendo uma das mais famosas equipes de heróis dos quadrinhos, a Liga da Justiça.

É preciso que se diga uma coisa: este desenho, em minha humilde opinião, é um dos poucos desenhos a realmente marcar com originalidade e estilo esta primeira década do século XXI na cultura pop, um dos poucos a se tornar memorável e que provavelmente resistirá ao tempo.

Isso porque a dupla Timm/Dini, além de saber contar boas histórias, teve toda uma equipe envolvida para contar tais tramas e, mais importante, com respeito ao material original. Claro que algumas liberdades foram tomadas e até geraram certa controvérsia.

Por exemplo, apesar de trazerem uma proposta nova, sem os típicos “sidekicks” e sem coisas bobinhas, justamente para escapar à sombra de Superamigos, a produção ainda apostaria em questões de politicamente correto e de diversidade cultural. Por essa razão, a formação básica da equipe era: Superman, líder mais do que óbvio, Batman, Mulher Maravilha, Flash, Ajax, Lanterna Verde e Mulher-Gavião.

Por questões de representividade étnica, o Lanterna Verde não seria Hal Jordan, o mais famoso membro da tropa nas HQs, mas sim o membro escolhido como seu reserva, o fuzileiro John Stewart, que acabou ganhando grande popularidade entre os fãs. E mesmo sem mencionarem a princípio sua conhecida contraparte masculina, a Mulher Gavião fez igualmente sucesso.

Curiosamente, Aquaman, um dos personagens mais conhecidos, foi inicialmente descartado, sob a explicação de que suas características não eram suficientemente definidas. O cara é rei da Atlântida, respira debaixo d’àgua e comanda animais marinhos. Que que tem  mais para definir a mais, aí? Enfim.

Se a escalação causou estranheza, o resultado final agradou. Só o primeiro episódio (“Origens Secretas”), na verdade um arco dividido em três partes que homenageava o filme Guerra dos Mundos, teve mais ação que toda uma temporada de Superamigos. Exageros meus à parte, a decisão acertada de sempre fazer a maior parte dos episódios divididos em duas ou três partes, possibilitou um desenvolvimento maior das tramas, permitindo que o público tivesse um ar de quem acompanha uma trama revelada periodicamente.

E a coisa foi melhorando com o tempo. Roteiros cada vez mais explorando a essência de cada personagens individualmente, e um gran finale, um episódio em três partes revela que Shiera, a Mulher Gavião, era uma agente dupla, e pivô de umas guerra entre a humanidade e os Thanagarianos, que fechou a 1ª fase da animação com a saída da heroína alada da equipe.

 Esse final de saga tem uma das minhas cenas favoritas de toda a série, quando Batman revela a todos o conhecimento de suas identidades secretas, e os heróis tiram suas máscaras:

 Outra coisa que me deixou impressionado foi todo o arco da Liga Sem Limites, no qual o roteiro do desenho faz duras críticas ao pensamento totalistarista, tanto do temor com relação ao poder da Liga por parte do governo, como o próprio governo tomando atitudes radicais contra os heróis, inclusive se aliando a vilões

E os personagens escolhidos para essas histórias foram bem explorados. Nomes como Mongul, Etrigan, Felix Fausto, Hades, Pistoleiro, Lobo, Metamorfo, Amazo, Vandal Savage, Caçadores Cósmicos, o próprio Aquaman, enfim, personagens pouco conhecidos em sua maioria pelo grande público e passaram a fazer parte do senso comum dos não-fãs.

Fora a lista quase infindável de personagens e conhecidos coadjuvantes do Universo DC, e que normalmente sequer teriam uma menção, deram as caras, como Jonah Hex ou a Companhia Moleza, por exemplo.

O design “Bruce Timm” dos personagens, que se padronizaram mais depois das últimas temporadas de Batman The Animated Series, embora causassem certa estranheza pelo “corpo em forma de sorvete” (uma bem sacada comparação feita aqui no blog certa por um leitor) O elenco de dublagem estrangeiro também é um caso à parte. No elenco fixo por exemplo, tínhamos a mais bem feita voz de Batman de volta, Kevin Conroy. Já o Flash, por exemplo, teve a curiosa escalação de Michael Rosenbaum (O Lex Luthor de Smallville), além de uma quase infindável participação especial de nomes conhecidos como Mark Hammil, Eric Roberts, Robert Englund, Hector Elizondo, entre outros.

 No Brasil, é claro, onde foi exibido pelo Cartoon Network e atualmente na TV aberta pelo SBT, a equipe teve nomes de peso, como Guilherme Briggs de Superman, Márcio Seixas novamente como Batman, Priscilla Amorim dublando a Mulher Maravilha, Marcelo Garcia como Flash, Dário de Castro como Ajax, Maurício Berger como Lanterna Verde e Andréa Morucci como a Mulher Gavião, fora uma galera que inclui Francisco Borges, Luís Carlos Persy, Élcio Romar, Ricardo Schnetzer, Luis Feier Mota, Fernanda Fernandes, Jorge Barcelos, Júlio Chavez, enfim, me empolguei, enfim, a lista é grande e é melhor parar por aqui.

Como conseqüência direta da série, passamos a ver coisas acontecendo, e eu acho que o que melhor define esses acontecimentos foi a popularização de John Stewart como Lanterna, tanto que eu lhes pergunto: Sobre esse filme do Lanterna Verde, quantas vezes você não ouviu as pessoas perguntarem “por quê o Lanterna não era negro?”.

 Ele, assim como outros heróis menos conhecidos, passaram a participar com mais destaques ds HQ’s. E, a exemplo, de outras animações, eu também diria que o desenho da Liga influenciou bastante a arte conceitual dos quadrinhos, tanto no design dos personagens como no estilo.

Fora que, assim como a linha Super Powers fez história, a versão em figures da JL fez história.

Com relação às animações que se seguiram ao fim da Liga… bom, eu gosto muito dos longas animados, Batman: Os Bravos e Destemidos e também deste novo Young Justice, sendo que não curti muito Teen Titans (que se valia da estética do anime sem a mesma originalidade), ou do Legião dos Super Heróis. E nem vou falar do desenho do Krypto pra não ser chato.

 Mas é isso: Liga da Justiça deixou sua marca, trouxe ao público grandes lendas da DC e por mim, tinha durado mais uma cinco temporadas.

20 comentários em “Liga da Justiça animada completa 10 anos

  1. Caramba, 10 anos já?

    Concordo que o desenho poderia ter continuado por mais umas 2 ou 3 temporadas. Era muito bom mesmo.

    Ainda mais com aquele final, quando o Lex entrega a equação antivida pro Darkside. Deixaram tudo em aberto pra depois…. pff, não fazer nada.

  2. Adoro esse desenho. Realmente essa foi uma série que mostrou a supremacia da DC no campo das animações, bem como reforçou o aspecto pop dos personagens da editora.

    Só diria que o Lanterna Verde é mais lider na primeira fase do desenho do que o Super. Embora inegavelmente o kryptoniano seja a inspiração para todos.

    Acho uma pena a DC continuar investindo em Hal Jordan tendo um personagem com muito mais carisma como foi o caso do John.

  3. O melhor desenho animado de super heróis de todos os tempos.

  4. Esse formato “corpo em forma de sorvete” acabou virando referência quando se pensa na estética padrão de super-heróis…

    Eu gostava dessa série, o romancezinho Batman&MulherMaravilha era fofinho.

    Lembro que os Super Gemêos apareciam tb, era uns vilõezinhos albinos meia boca…

  5. Gosto desse, assim como curtia aquele Batman Animated Series. As histórias são muito boas. A única coisa que eu não curto, já disse antes e sei que tem muita gente que concorda comigo, é o traço cartunesco. Esse formato coniforme dos heróis, e com esse queixão de Sr Incrível é muito brega. E olha a Mulher-Maravilha: a perna tem duas vezes o tamanho do tronco.

    A proporção mandou um beijo, disse que tá morrendo de saudades.

  6. E pra botar lenha na fogueira, todo mundo acha mesmo que o John Stewart é carismático? Caramba, acho que o Caçador de Marte é mais simpático que ele. Acho o John tão Brandon Routh, pelo menos no desenho. Não que eu deteste o personagem, mas a história dele poderia ser mais explorada. E o temperamento de ex-militar dele é bem antipático, o que não acontece com Jonah Hex ou o Justiceiro.

    O que eu curto no desenho é ver personagens tão bons que nunca apareceram antes, como o supracitado Hex, a Canário ou o Questão. Quem não gosta do Questão?

  7. Todos os desenhos da linha “Animated Series” da DC são espetaculares… O do Batman disputa com os Simpsons o título de melhor desenho da historia… O do Superman é um tapa na cara de quem diz que o personagem precisa de mudanças… Está tudo lá, até a cueca vermelha, mas com excelentes roteiros, a série se tornou a melhor coisa feita com o homem de aço depois dos dois primeiros filmes do Christopher Reeve… Depois desses dois foi a vez de Batman Beyond… Outro acerto… A cena do Coringa torturando o Robin para saber a identidade do Batman e seu desfecho (com o Robin assassinando o Coringa) é um dos mais perturbadores que já vi em animações…
    Finalmente essa Liga da Justiça… Me incomodava um pouco a falta do Hal Jordan (se era para não ter Hal Jordan, eu preferia o Guy Gardner)… Mas eu entendia que o Hal naquela época estava morto e parecia que não iria mais voltar, por isso foi substituído… Também achava estranho a Mulher Gavião sem o Gavião Negro, mas isso não chegava a incomodar…

    A pergunta que não cala é: Como uma empresa que nos brindou com animações tão boas é a mesma que usa os mesmos personagens para nos constranger com aberrações cinematográficas do naipe de “Superman Returns” ????

  8. Eu adoro esse desenho. Aliás, detesto a Liga dos quadrinhos (sou Marvete, e desde criança achava a Liga chata), mas adoro ela nesse desenho. Não sei explicar o porque.

  9. Cara, LIga da Justiça realemente vai marcar minha infância-adolescência. Realmente, foi o melhor desenho que congregou os super heróis de forma mais interessante. Os finais de certos episódios que completavam as temporadas ou que mostravam-se em partes geravam mais ação que filmes. É claro que não vou lembrar de todos, mas episódios favoritos que vem à minha memória são quando eles lutam contra a liga da justiça do futuro; quando lutam contra o CADMUS; quando Superman parece ter morrido; quando Amazo quer matar Lex, quando o Batman do Futuro descobre que Bruce é seu pai biológico, quando o Coringa tenta por Las Vegas abaixo com bombas escondidas e transformando tudo em um jogo divertido e repleto de brincadeiras como sempre. Mas o último episódio de todos, quando Lex salva o mundo após ultrapassar a Muralha de Jericó e mostra pro Darkseid a equação anti-vida, é realmente o melhor de todos.

  10. Realmente esse desenho da LJA vai ficar marcado na história como uma das melhores séries em animações já feitas. É muito, muito, muito fodástico! Me desculpa mas quem não gosta desse desenho, tem péssimo gosto, extremo mal gosto, não tem como respeitar isso. É uma pena mesmo que desenhos bons de verdade como esse duram tão pouco, enquanto outras porcarias ou coisas não tão boas (Ben 10 da vida) duram trocentas temporadas, aafff…..

  11. @Apolo

    O que eu curto no desenho é ver personagens tão bons que nunca apareceram antes, como o supracitado Hex, a Canário ou o Questão. Quem não gosta do Questão?

    Verdade…nesse aspecto a série mandou muito bem. Questão é de longe o meu personagem favorito. E olhe que teve muitos personagens bacana que só deu uma palhinha . Essa serie poderia viver maus umas duas temporadas que com certeza iria dar certo.

  12. Digo mais: às vezes eu aturava alguns minutos de Yudi e Priscila só pra ver esse desenho.

    @Topera, isso é porque o Questão é ninguém mais ninguém menos que o Rorcharch!

    Tá sabendo que o Vic Sage morreu de câncer? Quem herdou a “face” do Questão foi uma morena gostosa, lésbica (teve um namorico com Barbara Gordon, a Bat-Girl) e faz piadinhas à la Homem-Aranha.

  13. @Apolo

    whahahahahah Agora além de doido o Questão tem dupla personalidade ?
    Verdade…o Questão serviu de base pro Rorcharch. Agora qual dos dois é mais doido ???
    Poxa, o Vic Sage bateu as botas ? Vou procurar essa história. Esses dias comprei:
    O Questão – Zen e a Arte da Violência do Dennis O’Neil, muito bom pra quem não conhece o doido Sem Rosto.

  14. Concordo com quase tudo. PAra mim, foi a melhor adaptação animada de quadrinhos.
    Eu que sempre lia Marvel, adorei esta série, com ordens cronológicas definidas, histórias muito bem montadas e inserção dos personagens na hora certa. É uma pena que a Marvel não fez isso tão bem. A primeira série dos X-Men não foi das piores e Wolverine e os X-Men também dão pro gasto, mas a Liga, nada supera.

  15. Foi um dos melhores desenhos que já assisti, bem como os já citados Batman:Animated, Batman: Beyond (Batman do Futuro),X-Men (o classico dos anos 90), Spiderman Animated (outro clássico dos anos 90), ele chegam a ser tão bons quanto os animes, principalmente no quesito enredo,,,eu acredito que nem o Ben 10 conseguiria se igualar…Off.: Quanto ao Coringa torturando o Tim Drake para descobrir os segredos do Batman, este fato ocorreu no espisódio especial de Batman do Futuro: O Retorno do Coringa,que foi um dos melhores episódios…outro episódio que gostei foi o episódio Epílogo da Liga da Justiça Sem Limites, onde os eventos de Batman Animated, Batman do Futuro (em especial , o Retorno do Coringa) são conectados, como o envolvimento de Amanda Waller, dando a entender que o Coringa usou a tecnologia do Projeto Cadmus,etc.. Off.: Como seria ficaria o desenho da Liga hoje, com esse reboot das HQs? Teria o mesmo charme?

  16. @Topera, comprei uma revista do Questão, acho que “A Bíblia do Ódio” ou algo assim, e lá estava a morena e mencionava a morte de Vic Sage. Nem sei quando foi.

    Acho que o Rorcharch só é mais doido porque ele pode ser, no universo do Alan Moore. E o Questão tem esse papo de Zen, monge, mantra, incenso, etc.

  17. vc ñ foi exagerado tem td a razão a liga da justiça é realmente um otimo desenho e agora tem os vingadores: os super herois mais poderosos da terra que faz justiça aos herois da marvel

  18. Clássico absoluto,mais seria uma maravilha se tivessem produzido mais temporadas.

  19. Alguem se tocou de um episodio que tinha os bonecos super gemeos? mas os albinos, mais os super gemeos mesmo dos super-amigos. echo que era em um museu de cera…

  20. devia ter pelo menos feito mais umas 7 temporadas verias todas na boa cara vi no sbt por não ter nada pra fazer e no final do arco da invasão tanagariana meu queixo caiu. fou um dos melhores cartoons já feitos fala serio muitos animes de sucesso como coyboy beboop e deart note não chegam aos pés desta serie
    tudo nela é foda, a historia é rica e muito bem trabalhada abordando de magia a invasões alienígenas a animação é de ótima qualidade as lutas são muito bem feitas os vilões são muito fodas tanto em numero quanto em poder os coadjuvantes também nao deixam a desejar a dublagem tambem é show todos os personagens sao muito bem dublados por menores que fossem so é ruim a abertura e o desenho das armas de fogo achei fraco

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