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Artista conceitual dos filmes da Marvel faz exposição em Paris

Ryan Meinerding, supervisor de artes conceituais dos recentes filmes da MArvel, expôs o material produzido para os filmes recentes no International Comic Book Festival of Angoulême. A exposição abriu ontem em Paris e vai até o dia 14 de abril. Confira um vídeo com o trabalho do cara que está exposto lá

Um assistente de Ryan explicou  que cada trabalho é o resultado de cerca de 2 a 3 dias de trabalho, mas sua principal característica é que o artista pintou todos eles diretamente no Photoshop. O fato de que eles são impressos em telas dá-lhes uma dimensão física e e lhes dá um toque de pinturas reais. Todas as estampas são exclusivas e estarão à venda durante a exposição no Arludik Galerie, em Paris, que começa em 15 de março de 2012.  As obras estarão à venda entre 700 a 3.000 euros.

Tá, eu não vou desembolsar essa grana e muito menos tenho condições de ir até Paris atrás de um desses, mas as artes são mesmo fantásticas.

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12 comentários em “Artista conceitual dos filmes da Marvel faz exposição em Paris

  1. Muito bom o trabalho dele, a composição às vezes lembra, de longe, as gravuras de Jae Lee. É uma pena que essa estética de ficção científica, que pra mim poderia tornar os filmes da Marvel muito mais interessantes, no fim sempre são trocadas – por questões obviamente mercadológicas, mas fazer o quê? – pelos gêneros mais clichês de aventura. É a vida.

    Mas quando eu vi o título, me empolguei achando que era o Adi Granov.

  2. A confusão que se faz com o termo “arte conceitual” atualmente, ao se traduzir literalmente, é ridícula. O termo ARTISTA CONCEITUAL em arte, historicamente e academicamente falando, refere-se à arte conceitual, ao “conceptual art”, que surgiu a partir de Marcel Duchamp e do Dadaísmo. Agora, com o termo da moda “concept art”, que vêm de uma variação do que é o “model sheet” e “key vision”, se usa indiscriminadamente esse termo num tipo de arte que nada tem a ver com o conceitual – tão intrínseco que se têm nas artes plásticas. Sempre procuro ser humilde nas minhas explanações, como professor que se sente um eterno estudante. Mas tenho que dizer, com quem tem autenticidade para dizer isso (alguém que é artista plástico e quadrinista, e formador de profissionais há mais de 20 anos), que isso está errado e está se tornando uma grande confusão feita por tradutores, jornalistas e blogueiros desavisados – criando mais e mais alienação – na cabeça dos jovens bombardeados pela “super-mídia”
    Marcelo “Maraska” Scaff Marques, ilustrador e artista multimída, formado em artes plásticas, professor da Academia Brasileira de Artes, ABRA

  3. Ou seja, sugiro que pesquisem e encontrem o termo adequado para o texto acima… abraço e desculpem a sinceridade.
    Marcelo “Maraska” Scaff Marques, ilustrador e artista multimída, formado em artes plásticas, professor da Academia Brasileira de Artes, ABRA

  4. Taí o esclarecimento do Marcelo. Mas no meu entender, o termo usado no post se refere aos conceitos artísticos criados pelo Ryan até chegar ao produto final visto nos filmes , então não creio que esteja totalmente errado 🙂

  5. O mesmo serve, por exemplo, quando se menciona a arte conceitual de Star Wars, ao publicar fotos dos designs de Ralph MacQuarrie e Doug Chiang, no que se refere às artes conceituais criadas por ambos em várias etapas até chegar na versão final.

  6. Interessante a explicação do @Marcelo. Se entendi bem, ele aponta a vanguarda como “criadora de uma arte de conceito”, ou seja, o rompimento com o simplesmente “belo” “dramático” e mesmo o “político” para uma arte que se questiona, que fala sobre a arte em si, etc. Como fez Duchamp. É isso ou eu fiz mais confusão? A tal “arte conceitual” não estaria lançando nenhum ponto de vista sobre nada ou mostrando uma maneira diferente de fazer arte, apenas definindo a estética de um filme.

  7. Marcelo, também sou ilustrador e trabalho com isso a mais de dez anos, tudo bem, não sou formado em artes, não sou um acadêmico e você tá certíssimo na sua explanação. Mas isso é o tipo da coisa que já tá massificada, é como falar “tirar uma Xerox” ao invés de “tirar uma fotocópia”. Tem também o lance de “concept = concepção, conceber, gerar, criar”. De tão erradamente massificado, já virou um termo de comum entendimento e se tornou válido! O importante é passar a mensagem.

    Voltando ao post, pra variar achei os concepts muito melhores do que o produto final. Todas as roupas tavam perfeitas neles. Se você olhar qualquer livro de concepts da Pixar, é a mesma coisa: os desenhos são bem melhores que o 3D final, na minha opinião.

  8. Será que Mr. Meinerding não estaria disposto a fazer uma doação?

  9. Desculpe a demora pra responder, Sérgio. Mas, estive imerso em aulas essa semana. Aliás, conversando sobre o assunto com alunos e colegas (alguns muito mais esclarecidos sobre o assunto do que eu), eles me confirmaram o que eu tentei explicar… E ainda me deixaram feliz ao dizerem que já existe um movimento todo, tentando consertar o “‘erro crasso” de uma tradução errada. Sérgio, fico feliz também com sua mensagem, bem cordial, mas devo discordar, de novo, e mais ainda. Juro que gostaria de dizer que usar o termo conceitual está correto, mas não está: Não é conceito artístico, é concepção artística (de “concept art”, e não conceptual art).
    Arte conceitual, é e sempre será o que na arte se exemplifica, e que encontramos seus primórdos em Marcel Duchamp: “A arte conceitual é aquela que considera a idéia, o conceito por trás de uma obra artística. como sendo superior ao próprio resultado final, sendo que este pode até ser dispensável.” Foi a quebra das estruturas convencionias, onde os suportes comuns, como o quadro, a tela, o papel, mesmo as esculturas, todos, mas todos os suportes mesmo, poderiam ser subvertidos – a criação artística e estética e a produção artística ficam em segundo plano
    Ou seja, (uma explicação mais geral): se você colocar um animal morto numa exposição (o que já aconteceu), mas querendo passar toda uma ideia da atrocidade que fazem com os animais, e etc, por trás dessa obra… essa torna uma obra conceitual. A obra do artista plástico Hélio Oiticica, detestava ser chamado de artista conceitual, mas seus Parangolés são um exemplo. Joseph Beuys é o mais famoso dos artistas conceituais.
    No caso de Ryan, Ralph MacQuarrie e Doug Chiang, citados acima, nada tem de conceitual, mas “de concepção artística”. É a estética, e não o conceito, que lhes dá nome, então se quisermos traduzir, não são artistas conceituais, mas artistas de concepção, o que soa estranho, talvez por isso, não seja tão usado (a concepção artística: concepção de personagens, de cenário de figurinos: key visions e models, etc). Temos que tomar cuidado e não passar pra frente o hábito de usar termos erroneamente e fazendo estes se passarem por certo. Entender o significado disso é pura semiótica, e nós, como artistas, temos o dever de pensar nisso também. (isso até poderia ser aceito num movimento de pura manifestação popular, onde o “folclore” faz parte da forma em que o termo foi se ampliando, e que acaba sendo aceito academicamente. Aí, penso no seu exemplo, Willie Zureta, achei legal a sua explicação, mas existe um “porém”: comparar com o termo “xerox”, que virou sinônimo de cópias, ou gilete e etc, não dá na mesma… Pois, pelo menos, eles são as “marcas” do que REALMENTE representam… Usar termos errados com essa origem de “boca a boca” é muito comum e se não fosse assim, não existiria a cultura popular, tão importante: olha esse erro, por exemplo: “funk”, que tem James Brown, Tim Maia, Tower of Power, Stevie Wonder, mais recentemente, Jamiroquai, como alguns dos seus expoentes, agora a garotada diz que odeia “funk”, qdo querem dizer “funk carioca”, sem ter a mínima ideia que “funk” é um termo da black music, e que o “funk carioca”, que tem muito mais suas origens no “rap”, no “drumming bass” e ritmos brasileiros populares, se apossou do termo, e assim, as novas gerações nem sabem que um dia funk foi sinônimo de boa música, com origens no blues, no rock, no jazz, a boa black music, com muito groove e swingado). Mas, tudo bem, cultura popular, fica validado…
    No caso do concept art, é usar o termo em meios jornalísticos, vindo de uma tradução errada, pessoas que deveram fazer da cultura a sua profissão, mas falta pesquisa para fazerem um bom trabalho. Eu sei, isso é muito comum na imprensa, na mídia. Por exemplo, houve um restaurante bem famoso no Itaim, que divulgava em todas as mídias seu slogan absurdo “Music Alive Everyday”, que, em Inglês, tem dois erros: gramatical e de terminologico. Na época, casado com uma americana, ela me confirmou que não fazia sentido algum a frase), quando queria dizer “Live Music Everyday”. Vai ver, foi por isso que fechou, alguém mais sacou o erro…).
    Na Vogue, por exemplo, numa publicação para a Bienal de Artes Plásticas, disseram que o falecido artista Basquiat não TINHA UM BRAÇO e encheram a linguiça, dizendo que “ele sofreu por ser mutilado” e blá-blá-blá, quando o jornalista leu errado uma tradução de um livro da própria Bienal, onde se explicava que o Basquiat fez uma cirurgia no “BAÇO”…. baçooooo! E o cara ainda encheu tanto linguiça, que muita gente por aí ainda acredita que Jean-Michel Basquiat não tinha braço (afinal, a Vogue tinha como redator, nada mais nada menos do que o sr. Ignácio de Loyola Brandão…)
    Enfim, me delonguei demais, mas é isso, resumindo, e na lata:
    Concept Art = concepção artística (concepção de personagens, cenário, figurino, etc
    Conceptual Art = A produção com gradual ou total abandono da realização artística em si, em nome das discussões teóricas. O conceito, a idéia é o foco – artistas:Joseph Beuys, Sol LeWitt, John Cage.
    É isso aí,
    Spread it!

  10. Saquei, Marcelo vou me lembrar dessa explicação (aliás, vai ser difícil esquecer esses detalhes todos hahaha), e vou tentar fazer justiça aos termos corretos.

  11. Legal, Sérgio! Que bom que você e a maioria aqui parece ter compreendido que a intenção com essa discussão tava imbuída das melhores intenções (dápra escrever uma bíblia com tudo aí em cima, rsrs!
    Aproveito pra dizer que gosto muito dos seus textos e o blog 100grana é um diferencial no oásis “internáutico” ! Grande abraço!

    Keep up the great work!

  12. Pows, Amigo, valeu pelas palavras, e seja sempre bem vindo ao blog para ler e comentar

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