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100Grana viu: O Espetacular Homem Aranha

Ame-o ou deixe-o. Essa é a regra para entender o aracno-reboot.

O grande inimigo de “O Espetacular Homem Aranha”  não quer dominar o mundo, mas os direitos do personagem. O filme é um produto de estúdio. Um estúdio que, na última incursão do personagem nos cinemas, em 2007, teve 90% de domínio no produto final, o que deixou o diretor Sam Raimi com o botão do f*da-se ligado para o filme, e deu no que deu. Creio que todos vós que lêem o blog desde aquela época leram as diferentes críticas dos membros, uma unanimidade negativa.

Mesmo com toda a repercussão negativa, a Sony queria um quarto filme. Mas enquanto o estúdio queria de um jeito, Raimi queria de outro. Nesse puxa pra lá e para cá, a teia arrebentou.E a Sony, que não queria perder os diretos para a Marvel Studios, decidiu rebootar, a exemplo do que a DC fez com Batman e prepara para Superman em 2013.

A grande diferença é que Batman levou oito anos para recomeçar. O azulão, sem considerar “Superman-O Retorno”(que aliás, algumas pessoas nem consideram que existiu), mais de 20 anos. Dentro da própria Marvel, temos ainda o Hulk, que levou seis anos. Homem Aranha teve apenas cinco de hiato, e somente dez anos após o primeiro longa metragem de Sam Raimi, o que é muito pouco dentro da visão da indústria cinematográfica.

Sei que as pessoas odeiam comparações, mas elas são inevitáveis.São elas, as comparações, que nos ajudam a determinar a qualidade de um determinado produto. E ao longo de minha crítica o nome Sam Raimi vai brotar algumas vezes, não reparem.

Na história, Peter tenta desvendar o sumiço dos pais quando ele ainda era um guri. As pistas que ele junta o levam até a Oscorp, uma grande empresa de pesquisa genética, e lá recebe a famosa picada que lhe confere poderes. Lá ele também conhece o Dr. Curtis Connors, velho amigo de seu que trabalhava com ele em uma pesquisa sobre regeneração de membros perdidos a partir do DNA de répteis. Ele mesmo um deficiente físico, o Dr. Connors testa em si mesmo uma fórmula experimental, que acaba por transformá-lo no monstruoso Lagarto. Cabe agora ao novo herói de Nova York deter a criatura.

Vamos falar das coisas boas primeiro. Por causa do orçamento inferior vemos menos computação gráfica em termos de Aranha balançando entre os prédios. Os efeitos ainda estão lá, mas em menor número e mais reservados para o Lagarto em cena. Para as peripécias do cabeça-de-teia, a produção investiu mais em dublês dependurados em gruas, o que deixou o herói mais crível, pois com exceção das cenas em que enfrenta seu arquiinimigo, as cenas de luta são todas com coreografia e malabarismos ao vivo.

Claro, é preciso dizer que  ver o Aranha mais piadista ao enfrentar seus arquiinimigos, e o lado inventor do jovem Peter Parker também presente (mostrando que além do uniforme, ele mesmo cria os lançadores de teias, fora os momentos em que ele explica algum aspecto científico), foi muito gratificante. Fora que curti muito ver o ambiente do colégio, que só foi pincelado no primeiro filme de Raimi, mais explorado.

Na minha opinião, o elenco do filme foi bem escolhido, ajudados por um roteiro que investe mais na dramaticidade dos personagens e na relação entre eles. Andrew Garfield prova que foi uma escolha acertada, com vários recursos de interpretação e passando toda uma expressividade mesmo debaixo da máscara. Fora dela então, nem se fala. Todas as cenas com Peter, Ben e May (Martin Sheen e Sally Field, afiadíssimos), com humor e drama intercalados, são as mais chamativas neste ponto. Engraçado também como o roteiro aumenta a responsabilidade de Peter em relação à morte do Tio Ben. Não darei detalhes, mas ela duplica.

A Gwen Stacy de Emma Stone pode ser até levemente inferior de beleza em relação à anterior, Bryce Dallas Howard. Mas ganha em carisma e simpatia com louvor. Não é só uma mocinha em apuros, você torce por ela, mesmo sabendo que, caso siga a cronologia das HQs, ela terá um fim trágico. E o pai dela, o capitão Stacy interpretado por Denis Leary, se sai ainda melhor, cético e obstinado sem cair na antipatia, pelo contrário.

Talvez o único que tenha problema é Rhys Ifans. As motivações do Lagarto, a megalomania que se implanta de uma hora para a outra na mente do Dr. Connors não ficam bem claras. Connors já era louco ou o soro fez isso?

É curioso como o mesmo roteiro que tem pontos tão positivos tenha também os defeitos do filme. Neste ponto, o filme padece do mesmo mal de Lanterna Verde: Uma série de furos os quais o roteirista, ou melhor, os roteiristas, não se deram ao trabalho de explicar. Poderíamos perdoar o fato de que, mesmo possuindo um Smartphone, Peter usa uma câmera velha e analógica, se o roteiro nos lembrasse em algum momento que além de Parker ser pobre,  muitos fotógrafos profissionais não se prendem aos modelos mais modernos de câmeras digitais e ainda usam as câmeras antigas por questões de qualidade da imagem.Mas não se preocuparam com isso

O que dói na consciência é como alguns acontecimentos ocorrem. O modo como Peter chega à Oscorp e a seus ambientes de segurança e aos seus mais guardados segredos com uma facilidade quase infantil incomoda, e muito.Em resumo, dá para dizer que Webb acertou onde Raimi falhou, e errou feio aonde o diretor acertou com louvor. O novo diretor conseguiu elaborar um roteiro mostrando um herói piadista e cheio de conflitos, mais realista, mais gênio e mais parecido com o dos quadrinhos. Mas errou feio na condução da história, no desenvolvimento da trama. E são falhas tolas, que um tratamento não feito às pressas teria resolvido.

Mas isso não é o fim. A cena pós-créditos dá a entender isto perfeitamente. Aliás, gostaria de partilhar com vocês uma teoria abaixo, selecionem para ler e evitem SPOILERS:

A cena pós-créditos mostra o Dr. Connors preso e uma figura nas sombra aparece, e suspeita-se que seja Norman Osborn. Como se sabe, a história mostra que o fundador da Oscorp está morrendo. Durante a demissão do Dr. Connors, o Irrfan Khan pega uma amostra do soro desenvolvido por Peter e Connors. Como sabemos, aquela amostra criou o vilão Lagarto. Minha teoria é de que Norman será tratado com esse soro, será curado e até rejuvenescido, visto que ele só aparece como uma silhueta em um telão da Oscorp, com cabelos grisalhos e tudo o mais. Mas a um preço, que seria a transformação no Duende. Ou o próprio Khan poderia se transformar no Proto Duende, seu alter-ego nas HQs, deixando Osborn para o terceiro filme. O filme também pode inclusive introduzir Harry como um novo aluno do Colégio Midtown, deslocado e encontrando um amigo em Peter.

Tenho a leve impressão de que teremos um novo diretor em um provável segundo filme. A minha sugestão é alguém que trabalhe com temas sci-fi e com outros gêneros, como a comédia, ao mesmo tempo. Eu voto, acreditem ou não, em Ivan Reitman (Os Caça-Fantamas, Evolução) para esta missão. Parece louco, mas poderia funcionar.

Seja como for, teremos uma continuação e, se as negociações “vingarem”, o novo aracnídeo pode ter uma participação garantida na continuação dos Vingadores. Mas o fato é que, se estamos diante de uma trilogia, já sabemos qual é o elo mais fraco dela.

Cotação: 5,5

 

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11 comentários em “100Grana viu: O Espetacular Homem Aranha

  1. “O novo diretor conseguiu elaborar um roteiro mostrando um herói piadista e cheio de conflitos, mais realista, mais gênio e mais parecido com o dos quadrinhos. Mas errou feio na condução da história, no desenvolvimento da trama. E são falhas tolas, que um tratamento não feito às pressas teria resolvido.”

    Em outras palavras, ele só se preocupou em deixar seu Peter Parker “parecido” com o dos quadrinhos, tentando pretensiosamente se fastar do Peter Parker do Sam Raimi. E se se esqueceu que um FILME é muito mais que isso. É o típico raciocínio cosplay de luxo que odeio em alguns diretores que se metam a fazer filmes de super heróis.

    No meu entender, esse Espetacular Homem Aranha poderia ser um bom filme, SE não houvessem filmado dois outros filmes realmente excelente antes. Hoje, ele não passa do mediano e razoável. O que é muito pouco para o que ele se propôs a ser. Como reboot não se justificou.

  2. Boa resenha Sergio, mas acho que certas furos no roteiro podem ter sido intencionais ( ou não ), como não obtivemos nenhuma resposta sobre os pais do Peter nesse primeiro filme, eles provavelmente vão querer levar toda esse arco da “história nunca contada” para os outros filmes também, e por isso decidiram deixar certas perguntas sem resposta, esperando a próxima edição.

    Em relação a cena da camera, eu acho que foi bem justo ele utilizar a camera antiga, além de ser uma boa referencia, o Peter nunca usa a camera do celular, mesmo fotografando para a escola, e não sei como ele poderia fazer uma armadilha para a camera disparar quando o a teia fosse puxada, sem dizer que o celular dele não parecia ser dos melhores e tirar uma foto nas condições aonde eles estavam iria requerer uma máquina boa com um flash bom.

    As motivações do Lagarto foram boas, (lógico na minha opinião) ele não era louco, mas o que ele sempre quis foi a igualdade entre todos, ao perceber que o soro o tornou melhor em tudo, seu desejo acabou se tornando maior e querendo que todos se tornassem igual a ele, uma evolução da espécie humana. Sem dizer que no filme é sugerido que o Dr. Connors teve alguma coisa a ver com a morte dos pais do Peter, o que pode deixar ele um pouco mais fora do normal.

    Mas eu gostei, acho que foi bom um começo, poderia ter sido BEM melhor, isso sem dúvidas, mas acho que é bom esperarmos o segundo para tirarmos conclusões melhores.

  3. Goste da resenha e concordo com boa parte dela. E realmente, o filme parece se preocupar mais em ser diferente do filme de Sam Raimi e acaba esquecendo muitos pontos. Algumas passagens são até msm idiotas de tão infantis, como a tal cena do Peter invadindo os laboratórios da Oscorp.

    O lagarto então, muito mal desenvolvido e não tendo impacto como vilão interessante, onde Sam Raimi acertou apesar de uns tropeços aqui e ali (como o Venom). O filme poderia ser bem melhor, e espero q um segundo realmente o seja, pois os atores se provaram ótimas escolhas e só por eles tenho fé na produção.

  4. Pela nota, o filme não é grande coisa…E eu que estava animado com os dois últimos filmes da MArvel…

  5. Assisti ao filme e compartilho da opinião do 100 Grana. O filme é bem mais dinâmico do que os outros 3. Mais focado no jovem Peter Parker, menos “bocó” e mais inteligente. Como diversão pura e simples funciona bem. Chega a ser um filme teen.
    Uma sequência mais cuidadosa é bem vinda.
    Algo que me irritou muito (coisa comum em filmes de heróis feitos nas coxas) foi o fato do Homem-Aranha ficar muito tempo sem a máscara e escancarar a identidade secreta a quem chegasse a menos de 1 metro dele.

    Batman, venha logo…

  6. O filme é bom, muito bom, não acho que faria bem trocar de diretor. Esse diretor fez um otimo trabalho.
    Eu achei boa a critica do filme aqui, mais discordo de algumas coisas, como por exemplo chamar o lance da camera de ‘furo’ penso que é exagero. E não acho que explicaram bem os pontos fracos do filme.

  7. ja assisti o filme,meu tiu e aracnologo,e estou tentando desenvolver um lança teias

  8. Nada a ver,por isso eu digo que critica é questão de opinião e só.

  9. Resumindo: filme ótimo, elenco mt bom. Dinamico e realista. Ficou mais fiel a historia dos quadrinhos. Houve falhas? Houve. Nau existe filme perfeito. Trocar de diretor? Nao, ele sabe o q ele errou e so ele pode consertar. Novo uniforme? Mt irado. Estranho a primeira vista, como qualquer coisa diferente. Filme mostra um Peter mais humano, jovem e menos abobado. Os nerds de hj evoluiram, ele mostrou bem isso. Filme nota 8,6. E q venha o 2!

  10. Esqueceram a parte mais “abestada” do filme, quando ele pega uma bola e lança no travessão de um gol de futebol americano e o travessão entorta…. NEM COM UM CANHÃO ALGUÉM PROPORCIONARIA UM FEITO DESSES! aff

    Ta certo que o filme teve uma certa “originalidade”, mas não força né?!

    Me nego a ver uma continuação desse lixo! E, por favor, ALGUÉM TRAZ A MARY JHANNE DE VOLTA!!

  11. O filme é bem mais ou menos, mas pior que a primeira trilogia, também não, né?

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