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100Grana viu: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Crítica por Sérgio FIore

O círculo se fechou em Gotham City.

Muita coisa acontece em 14 anos.Nos primeiros sete, um hiato que parecia selar o Homem Morcego na escuridão de Hollywood. Mas os últimos sete anos mostraram o renascimento de uma franquia cheia de boas possibilidades, comandada por um diretor que se provou mais do que capacitado. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, se pararmos para pensar, poderia ser o título daquele filme de 2005, pois Batman Begins surpreendeu a todos com as mudanças que Christopher Nolan trouxe para Gotham City, dissipando os temores dos fãs e do público em geral. Vale ressaltar que este temor era tão grande que, conforme eu me lembro, a primeira sessão da estréia do primeiro filme, no extinto Cine Nazaré 1 aqui em Belém, haviam apenas cerca de 20 pessoas na platéia, ou menos. Mas o filme conseguiu que o medo desse lugar a uma agradável e empolgante aventura. Batman se tornava símbolo de algo positivo novamente.

Dois anos depois, em meio ao começo do projeto Marvel Studios no cinema e após o fiasco de Superman- O Retorno, Nolan voltou com Batman – O Cavaleiro das Trevas, conseguindo um resultado melhor do que o esperado, com um elenco afiado e um gancho para um terceiro filme.

A maldição do terceiro filme

Existe uma regra já conhecida pelos fãs que o terceiro filme de um trilogia é o elo mais fraco. Com raríssimas exceções (as quais não exemplificarei aqui, um vez que cada um tem sua opinião sobre isso e meu pensamento não representa a totalidade), terceiros filmes são motivo de muito desapontamento, pois a coisa desanda de um jeito que é quase um tapa que os responsáveis pelo filme dão em si mesmos, que geralmente dói mais no rosto do público.

E o terceiro Batman quase não saiu. Abalado pela abrupta morte de Heath Ledger, Nolan pensou muito antes de voltar à Gotham. Mas sabendo que, uma vez iniciada a trama, era hora de fechar o círculo, ele decidiu então por terminar de contar a história. E sem se importar com regras, entregou um final digno para a trilogia, aliás, pela primeira vez se vê algo nunca mostrado antes, um final específico para a saga do Batman.

Uma vitória em cima de uma mentira.

O filme começa oito anos depois de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Sabendo dos prejuízos sociais que aconteceriam, caso viesse à público que o cavaleiro branco de Gotham, Harvey Dent, havia matado vários policiais como Duas-Caras,  Batman tomou para si a responsabilidade e se tornou um pária mais do que nunca, amargando também a perda de Rachel Dawes. Como resultado, a cidade aparentemente prospera na redução de crimes.

Mas o passado não pode ser escondido para sempre, e ele emerge na figura de Bane, um criminoso que Bruce Wayne sequer desconfia ter a história ligada a sua. Seu aparecimento faz com que Wayne, deteriorado pelo tempo e pela culpa que sequer tem no cartório, volte para salvar sua empresa, à beira da falência, e Gotham, que novamente esta à beira do caos e acaba caindo nesse estado.

Para isso, ele contará com Alfred, Jim Gordon e Lucius Fox, os aliados habituais, muito embora o mordomo e amigo de Bruce deixe bem claro desta vez que está cansado do medo de enterrar mais uma membro da família Wayne. Quem também o ajudará é Miranda Tate, empresária idealista que admnistra as empresas Wayne junto com Fox, e o jovem e determinado policial John Blake, órfão ajudado pela Fundação Wayne disposto a descobrir o que aconteceu oito anos atrás.

Mas a grande adição do lado dos mocinhos, ou quase isso, é a volta da Mulher Gato à franquia Batman. na figura de Selina Kyle, uma ladra que se infiltra em meio aos poderosos de Gotham para, de certa forma, levar o seu controverso conceito de justiça a eles e terá um papel importante na salvação da cidade.

O roteiro

Uma das coisas mais legais quando vemos uma boa campanha de marketing feita em um filme é quando vemos bilhares de trailers e spots, mas ainda assim, o resultado final surpreende, pois o que vimos em todas as prévias foram momentos fora de seus contextos que só fazem sentido ao vermos o filme. Este terceiro Batman não é exceção, é preciso ver o filme para entender que tudo é orquestrado com um sentido específico.

Também é legal ver como o roteiro de Johnathan Nolan faz todo o aparato científico, a necessidade de Bane usar máscara e tudo o mais funcionar no mundo reais. A batnave, um conceito que parecia surreal demais em filmes mais antigos, aqui ganha conceitos arrojados e críveis. E mais importante: pela primeira vez, desde a série com Adam West, ver Batman lutando de manhã, no meio da rua, sem parecer um cara tosco numa roupa, mas um soldado lutando por um objetivo, é indescritível.

Mas há algumas coisas que me soam estranhas. À exceção de uma cena específica no começo do filme, não se vê muito da capacidade dedutiva do Batman neste filme. Eu esperava que ele matasse uma charada-chave antes do ato final do filme, e o fato de isso ser revelado em um momento meio novela das 8 me incomodou. A questão da cura da lesão na coluna de Bruce Wayne, como nos quadrinhos, permanece controversa, mas desta não é a cura em si que causa estranheza. Além disso, o modo com a cidade muda apenas no período de um mês após o início dos planos de Bane é muito rápido, mesmo para uma quarentena terrorista. Ou como Bruce Wayne consegue voltar à cidade tão rapidamente depois de…bem, sem SPOILERS, né?

Mas não chega a ser nada que atrapalhe ou desabone um filme cheio de referências à grandes sagas do Homem-Morcego: Além dos óbvios A Queda do Morcego e Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, vi ali ecos de Acossado, Terra de Ninguém, O Reino do Amanhã e O Legado do Demônio.

O elenco

Um dos maiores méritos de Nolan nesta franquia foi, a seu modo, dar a diversos personagens a justa representação do impacto que eles possuem em suas versões dos quadrinhos. Em suas mãos, personagens como o Jim Gordon e Duas-Caras, por exemplo, que tinham pouco destaque ou eram tolhidos pela presença de outros astros, tiveram um papel bem mais significativo e digno;

Este novo filme não é exceção.  Finalmente vemos Bane como ele é: Uma figura assustadora, que intimida, mas ao mesmo tempo, carismática e um líder perfeito para levar adiante planos de destruição em massa que, na boa, faz o Coringa parecer um vândalo de escola. E pela primeira vez desde sua incursão em versões de carne e osso, a Mulher Gato ganhou uma interpretação fiel: uma ladra de caráter dúbio, mais sobrevivente do que vilã. Aliás, esqueçam qualquer referência à figura do gato, ela nem sequer é chamada de Mulher-Gato, ou faz piadas, ou puxa o “r”. É o selo Nolan de realismo, somado às boas interpretações

Christian Bale atingiu o auge com este filme. O trabalho de maquiagem, somado à interpretação do ator, mostraram um Bruce Wayne envelhecido, destruído pelo tempo e pela mágoa, mas que vai além do seu limite para salvar Gotham e a si mesmo. A trinca Michael Caine/Gary Oldman/Morgan Freeman continua fazendo aquele meio de campo competente, e cada um tem o seu grande momento, em um estilo diferente: Alfred mais paternal e emotivo do que nunca, Gordon ganha proporções de grande líder e Lucius Fox mantém aqueles bons e bem humorados diálogos com Bruce Wayne, apesar de ter menos tempo de cena que os outros dois.

Os novatos também se saem bem: Tom Hardy, que eu conheci como vilão em Star Trek: Nemesis, aqui repete o papel de antagonista, mostrando que tamanho não é documento, pois muitos questionavam o fato de ele não ser tão alto quanto Bale, e muito até exigiram um lutador de WWE para o papel. Hardy entregou Bane como o grande e intimidante terrorista que é. Só ficou evidente demais que ele teve de se redublar na edição. Atenção para a atuação dele, mesmo usando máscara, ele faz bom uso dos olhos  e mãos para demonstrar desdém, fúria e um ar de superioridade, sem cair na caricatura.

Anne Hathaway é o típico caso de gente que é subestimada.Muitos a viam como a atriz de O Diabo Veste Prada vestida de Mulher Gato, e acabou provando que as pessoas podem surpreender com o roteiro e a direção certa. Cínica, intimidável e intimidante, sagaz, esta nova Selina Kyle, como eu já disse acima, foi para mim a mais fiel das que passaram pela tela grande.

Marion Cotillard e Joseph Gordon-Lewitt, voltando a trabalhar com o diretor depois de A Origem, mostra que suas contratações não foram apenas camaradagens de Nolan.  Tanto Miranda Tate quanto o policial John Blake tem grandes e antológicos bons momentos em cena.

Ah, sim! Destaque para as participações especiais de Cillian Murphy como Johnathan Carne, e Liam Neeson, no papel de Ra’s Al Ghul.

O futuro

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é o fim do trabalho de Christopher Nolan, mas não o fim do homem morcego no cinema. Eu diria que, daqui a alguns anos,  a Warner certamente vai querer levar um personagem com tanto apelo para uma próxima geração de fãs e cinéfilos. E antes disso, deveremos ver Batman novamente, em uma versão para o tal filme da Liga da Justiça, por volta de 2015.

O que eu espero, da próxima vez que Batman aportar na tela grande, mesmo para o filme da Liga, é uma versão que possa emular ao mesmo tempo os conceitos de Tim Burton e Christopher Nolan para o personagem: Alguém capaz de enfrentar homens, monstros, aliens, deuses, seres místicos com a mesma sagacidade e destreza, mesmo sendo apenas um homem.


Enquanto isso, fica na memória o legado de Nolan, que firmou Batman no seu lugar de direito no panteão dos grandes heróis do cinema.

Cotação: 9

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15 comentários em “100Grana viu: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Crítica por Sérgio FIore

  1. Boa crítica, Sergio! Curti muito o filme e acho que ele merece ser visto mais de uma vez pra assimilar tudo. Ainda não sei se é melhor que os outros dois, mas fechou a trilogia de forma épica e digna. minha nota também é 9 porque achei que o Batman ficou muito pouco tempo em cena e a morte do Foley foi muito boba.

    Algumas ressalvas quanto a sua crítica: sim, acho que o filme se passa durante 1 ano ou quase [a bomba tava programada pra 5 meses, creio eu], por isso Nolan usou a drástica mudança de tempo evidenciada pela neve. Bruce levou tempo pra se recuperar na prisão [a coluna não foi quebrada, mas somente deslocada] e Bane sitiou Gotham com mão de ferro durante esse período. Não comprometeu.

    Quanto a dedução que você se referiu, bom, o Bruce tava na seca por 8 anos!!! Então acho que rolou uma paudurescência e ele pensou mais com a cabeça de baixo mesmo!

    Tô indo ver de novo essa semana!

  2. Faltou falar do maior mérito dos filmes do Nolan… Três filmes e nem sinal do Robin… kkk…

  3. quem disse isso vc n viu o terceiro filme n :\

  4. Eu sinceramente gostei do filme. Fiquei temeroso quando vi muita gente reclamando, e é visível que o roteiro é muito detalhista em alguns pontos e falta em outros. Mas são defeitos que não conseguem tirar a grandiosidade do filme e da trilogia. E Nolan está de parabéns pela ousadia. Tomara que daqui pra frente os outros filmes de super-heróis sigam essa linha.

  5. Sandro, vc viu o filme? Ou esta brincando em relação ao Robin?

    O Robin apareceu o filme inteiro, mas foi oficializado no final.

    Só fica a deixa para saber se o Blake irá substituir o Bruce como o Batman ou será realmente o Robin e o Bruce continuará como o Morcego.

    Se tiver algum novo filme do Batman, a Warner deveria partir de onde o Nolan parou. E ter o carinho que teve com este projeto.

    Abs.

  6. Eu esperaria rever o filme de novo para fazer a minha critica, (pq até então, fui na estreia da ultima sessão mas aconteceram problemas técnicos no Cinepolis Boulevard três vezes que teve que parra a sessão mais de meia hora. É a maldição da sala 4) mas lendo sua critica Sérgio gostaria de acrescentar em algo.
    Pra começar, achei a primeira meia hora do filme meio corrido e depois ficou num ritmo legal até outro momento que voltou a ficar corrido. Originalmente, o filme teria quatro horas de duração tanto que quando sair em DVD ou Blue-Ray espero que saia a versão do diretor para ver por completo. Mas é claro que eese cortes foram feitos antes do incidente no cinema do Colorado. Alias, foi bom terem exibido o trailer de “Caça aos Gangsters” por completo).
    Ainda sobre o filme, o Diretor Christopher Nolan encaixa um ator que a muito tempo não aparecia nas telas do cinema. Em Begins, foi Rutger Hauer, em Dark Knight foi a vez de Anthony Michael Hall e agora foi de Matthew Modine. Sobre o personagem de Joseph Gordon-Levitt, confesso que eu não lembrava do sobrenome do terceiro Robin e nem quando eu via o simbolo de uma ave branca. E Anne Hathaway como Mulher-Gato na moto em vários ângulos…Valeu Nolan!
    “Rises” é bom mas não chega aos pés de “The Dark Knight”. Acho que tanto a critica quanto o público esperaram um filme que supera-se o “The Dark Knight” isso por que no segundo filme, os irmãos Nolan tiveram como referência o filme “Fogo Contra Fogo” (1995) de Michael Mann. Pra mim, “The Dark Knight” está mais proximo de “Begins” do que o “Rises”.
    E por fim a boa trilha composta por Hans Zimmer.
    O filme deixou com um gostinho de quero mais. Assim como fizeram o favor de fazerem um Bane digno, alias boa escolha de Tom Hardy no papel que também trabalhou em “A Origem”. Vamos ver se rola uma aventura solo de Robin que a partir do final desta trilogia. Por hora, e rever de novo “Rises”

  7. Correção: “Rises” está mais proximo de “Begins” do que o “The Dark Knight”.

  8. penso q o terceiro filme fechou com chave de ouro a trilogia do morcego ,talvez alguns assim como eu tb tenham a sensação q o segundo foi melhor,mas o crédito disso foi a estupenda interpretação do coringa e se leager fosse vivo daria um final melhor ainda,mas tem o mérito tb d ninguem tentar imitar a interpretação de leager,em fim FILMAÇO

  9. Nolan finalizou o filme com chave de ouro e coma verdadeira dignidade que o Morcegão merece!!!! Deixará muitas saudades… Obra-prima mesmo!!!!

  10. Sinceramente, o filme é bom, mais dos três é o mais fraquinho. é mto longo, tem uma porrada de furos e fica meio forçado pro final. E sinceramente eu discordo, Bane é um otimo vilão, mais o coringa era mto mais profundo como antagonista.
    Na minha opinião o Cavaleiro Das Trevas foi o melhor, ainda \o

  11. Selina com os óculos-orelhinha é uma referencia ao gato, não?

  12. Muito boa crítica mesmo…mas sinceramente, sinto falta do Batman detetive :/

  13. O filme é bom, mas é o mais fraco de todos. Foi um final “legal”, porque está acompanhado de dois grandes filmes, o “Begins” e o “TDK”. A responsabilidade dessa película era imensa e muita gente ficou frustrada. Eu inclusive. Mas à vista de outras franquias, essa se sobressai com sobras.

    Na próxima vez que tivermos Batman nos cinemas, quero ver um Batman mais detive, quero ver se alguém consegue dar um jeito no binômio traje legal-mobilidade, porque esse traje é bem anti-estético para o personagem. Também sinto falta da dose de expressionismo que o Burton dava ao Batman. Queria algo mais soturno, sugestivo e fantasioso.
    Sabem como é, a gente nunca se dá satisfeito por completo.
    Mas o saldo foi positivo.

  14. Olá. Superbacana o site!
    Concordo com o Wagner. Adoro Nolan ( em especial, A Origem) e gostei muito do trabalho feito com Batman. Tratou a personagem com a reverencia que merece, e com a soturnidade que quem é fã precisa sentir. Fiquei, entretanto, decepcionada com o ultimo, embora ache que seria mesmo difícil competir com os outros dois – em especial, o segundo filme (TDK), que é perfeito e tem um impacto absurdo! Não tive como não esperar algo mais “de tirar o folego e o sono e a razão”. Que foi o que o TDK me trouxe. Senti falta, como Wagner, de uns elementos que Burton colocou em seus filmes: primeiramente, um expressionismo mais artístico, uma apresentação estética dark. Mesmo assim, de um modo menos “barroco”, por assim dizer, Nolan conseguiu um resultado muito bom. Algo desse tom estava presente na sequência da perseguição, na cena em que Batman reaparece, de moto, com sua capa tremulante, em um underpass. Também senti falta de um certo cinismo em Wayne. E Selina, embora Anne Hathaway tenha feito um bom trabalho, mereceria mais referências felinas – que o diretor preferiu manter em uma camada de sentido menos evidente. Mas, enfim, gostei! O ator Joseph Gordon Levit roubou a cena. Alfred tambem estava impecavel… Michael Caine dispensa comentários… mas achei que a interpretação de Marion Cotillard foi bem aquém do seu potencial. Uma atriz maravilhosa, que morte foi aquela? rsrs. E Bane, embora um vilão poderoso, não conseguiu ser nem carismático nem surpreendente. Desculpe, mas é que sou fã chata mesmo. De qualquer forma, também acho que o saldo da trilogia foi muito positivo. Agora, mal posso esperar… Robin Rises?
    Abraços!

  15. O terceiro filme foi bom, embora o Batman apareça somente como coadjuvante. Os atores mandaram bem. Fica uma crítica quanto as cenas de lutas: muito fracas, e às vezes, dava para perceber que o ator já espera pelo golpe. Mesmo assim, o segundo foi muito melhor.

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