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Ben Affleck Tem Má Atuação Nova?

Antes de mais nada, quero dizer que este é um texto opinativo, meu. Meus colegas de 100Grana podem discordar de mim à vontade, não sei. Mas deixo claro aqui que assumo inteira responsabilidade sobre ele.

batafleck

Ontem, às dez da noite, mais ou menos, abri o Facebook em meu celular e li uma notícia na página da Warner Bros., revelando a escolha do ator e diretor Ben Affleck para ser o Batman no crossover com Superman em 2015. Minha primeira surpresa foi pelo fato de que estava assim, descartada, uma remota volta de Christian Bale, e também o fato de que isso confirma as noticias que afirmavam um ator mais velho para o papel. Affleck tem lá seus 41 anos. Fazendo o meu primeiro comparativo com a Marvel, a mesma idade com que Robert Downey Jr. começou nas filmagens de Homem de Ferro, em 2007.

De qualquer forma, ele entra para o enorme hall de atores que pelo menos duas vezes em sua carreira, atuaram em um filme de super-herói, de alguma forma. E é curioso um certo simbolismo presente na escolha ser feita 10 anos depois dele estrelar um filme para a maior concorrente da DC nos EUA e no mundo, como o Demolidor da Marvel.

Como eu já esperava, a reação pela internet, era, em sua maioria, desfavorável à escolha do ator, com poucos defendendo o ator, considerado uma péssima escolha, geralmente sempre atribuindo este pensamento a lembrança do malfadado “Homem sem Medo” de 2003. Ainda não tive a oportunidade de ler a maioria dos sites nerds nacionais e internacionais, mas já imagino o teor da maioria do texto deles e dos comentários que os acompanham.

Imagino que queiram saber o meu parecer sobre tudo isso. E então?

No meu entender, e acredito que muitos concordem comigo, existiam dezenas de opções para interpretar o Homem Morcego. Para começar, Christian Bale no papel, com o mesmo uniforme que envergou na era Nolan, daria uma contraponto muito maior ao Superman de Henry Cavill. A bat-trilogia, independente dos inúmeros erros do terceiro filme, se propôs a se focar na realidade, trazer a visão do homem comum que assume o papel do herói e combate o crime se colocando quase como uma entidade sobrenatural. O choque do vigilante de Gotham ao encarar um ser que está acima de tudo o que ele já enfrentou, até um potencial adversário, seria muito maior,inclusive para o público, acostumado a estar com os “pés no chão”, ao lado do Batman de Nolan.No meu entender, a intenção aqui, ao criar um novo Batman para cruzar o caminho do Superman foi para manter a trilogia de Nolan como um evento cinematográfico separado,como se os chefões previssem o fracasso de filmes DC posteriores e pudessem apontar o Nolanverso e dizer:“Aqui, pelo menos, fomos impecáveis. É o nosso selo de boa qualidade.”

Em outro aspecto, que remete a um mesmo ator fazendo múltiplos filmes de heróis em diferentes épocas, entramos na questão de que este velho vício já deveria ser trabalhado rumo ao esquecimento. É preciso sempre apostar em caras novas. Independente de gostarem ou não, a escolha de Henry Cavill como Superman foi acertada pelo fato de ele não ser uma figura badalada, e esse era o momento de apostar em um novo talento. Mais velho, como queriam, mas desconhecido. O cinema, Hollywood, sempre deveria ser adepto da renovação, e não apostar em um ator porque o mesmo está em evidência por ter ganho um Oscar e isso, de alguma forma lucrativa, siginifique ele possuir respeito.

Ambos os aspectos, para mim, são de responsabilidade dos executivos da Warner, o gigante que controla a DC Comics. Frequentemente, o estúdio é acusado de falta de planejamento, no afã de estabelecer uma concorrência imediata e eficiente com os projetos da Marvel Studios. E ao ser evasivo na maioria de suas vindas a público para falar dos projetos envolvendo o universo DC nos cinemas, ele falha constantemente em conquistar a confiança do público e mídia. E o mais estranho destes projetos é que eles acontecem APENAS quando se trata de levar para um live-action. Basta observar as animações, como o recente Flashpoint e jogos lançados, como o Injustice- Gods Among Us, que traz um cinemático que não deixa nada a dever nem mesmo para os Vingadores, de 2012, guardadas as devidas proporções.

E agora, examinemos o outro lado da moeda. Ben Affleck é considerado uma escolha péssima, ruim, sofrível. Por quê?

Como eu disse anteriormente, na maioria das opiniões apresentadas, o argumento é por causa do fator “Demolidor de 2003”. Eu já penso que não. Aquele filme é ruim, sim, confesso que não tive ainda a oportunidade de conferir a versão do diretor que, dizem, melhora o resultado final. Mas na minha opinião, o que deixou aquele filme ruim foi o roteiro, que enfiou cenas desnecessárias(aquela luta no parquinho de Murdock e Elektra foi para pegar o público de Matrix e nada me tira isso da cabeça), uma Elektra mal adaptada que podia ter aparecido numa continuação (aliás, uma estrutura de filme com romancezinho no meio que o diretor Mark Steven Johnson repetiria em Motoqueiro Fantasma), um design de uniforme pavoroso, cenas de luta muito confusas, só para citar.Mas culpar o Ben Affleck (que sabe-se lá por quê, colocaram cabelo de anime nele) pelo fracasso é, no meu entender, errôneo. Talvez ele fosse uma escolha certa, com outra equipe, outro diretor, quem sabe?

Há outros fatores depoentes contra ele, como Contrato de Risco, filme sofrível que ele realizou na mesma época, quando era casado com a Jennifer Lopez, e que levou até Framboesa de Ouro na lata.E nem mesmo repetir parceria com o chapa Kevin Smith limpou a barra. Mas teve seus acertos, incluindo aí o Hollywodland, em que, de certa forma, “interpretou” o Superman, ao dar vida a George Reeves, um dos primeiros atores que encarnou o Homem de Aço. Convenhamos que interpretar um personagem que, por sua vez, está intepretando outro é um desafio.Confesso que não vi seus trabalhos recentes como diretor/ator, incluindo Atração Perigosa ou Argo, nos quais ele parece ter atingido o ápice.

Outro fator que acho muito engraçado é ver as pessoas tomando aquele conhecido rumo de se apegar ao passado, mesmo sendo algo ruim, para reclamar dos novatos escolhidos. Basta ler opiniões de pessoas dizendo que Dolph Lundgren é um Justiceiro melhor que o Ray Stevenson, mesmo quando o primeiro filme é uma bomba. E quando se trata do Batman, a coisa fica mais engraçada. Vejo pessoas dizendo que Affleck não tem cara de Batman, e pedindo pela volta do Michael Keaton, ou Val Kilmer, ou até George Clooney(!). O mesmo Keaton baixinho, gordinho, careca, que tinha feito o Beetlejuice e calou a boca de todo o publico ao entregar um Batman convincente. Mas pedem Kilmer e Clooney de volta, com um detalhe, sem sequer terem visto Affleck atuando ou vestido como Batman.

Me vem agora à mente que talvez, essa polêmica fosse diferente, talvez nem estivesse ocorrendo, se fosse um outro personagem, como o Flash, Lanterna, Howard – O Pato, mas estamos falando do “o Batman”. Poucas vezes um personagem cativa meu respeito e minha repulsa ao mesmo tempo. Respeito porque o conheço desde pequeno, de ler quadrinhos, ver desenhos e filmes com gosto, mas ao mesmo tempo, que é colocado pela mídia, pelo público e até pelos seus próprios detentores na condição de uma espécie de messias intocável, infalível, e que, há cerca de oito anos atrás, era motivo de piada, mas por causa dos filmes recentes, gostar  dele virou sinônimo de status, sinônimo de ser cult, e que possui, na minha opinião de leitor e de escritor para o público nerd, os fãs mais chatos, tanto das antigas quanto novatos, sobretudo os novatos. Nunca aceitarei um argumento de que Batman pode fazer tal coisa, porque “é o Batman, e o Batman é fo#a”, por exemplo.

E onde está aquele argumento, salvo engano, criado pelo próprio Christian Bale, que “qualquer um pode ser o Batman?”. Parece que caiu por terra, para muitos.

O que eu concluo de tudo isso? Sim, a Warner, na hora de fazer filmes, deixa a todo momento uma clara demonstração que prefere pular para alcançar um andar superior, ao invés de construir uma escada. Isso é fato. Falta planejamento sério a longo prazo, como a concorrência fez, e se não mudar sua postura, dificilmente vai ter o retorno pretendido. Mas nunca, nunca eu vou julgar o trabalho de um ator ou diretor sem ter visto o que o cara pode ou não fazer. Admito, achei que Martin Campbell, que fez um de meus filmes favoritos (A Máscara do Zorro) jamais deixaria Lanterna Verde ser ruim.Mas queimei a língua, feio, embora a culpa dele seja mínima, por problemas que evindencio já no começo desse parágrafo.

O conselho que dou a vocês é não deixar se influenciar por matérias e comentários de pessoas que sequer viram um design de uniforme, que dirá o resultado final. Atenham-se aos fatos, e não à suposições. Eu sempre sou acusado de ser o cara que gosta de tudo, que não tem crítica, fica em cima do muro, mas é isso que eu penso, não vou ficar na maré de lamúrias que tenho lido pelo Facebook até agora, enquanto não chegar a mim um frame que seja de Ben Affleck morcegado. Mesmo correndo o risco de ouvir um “eu te disse” em 2015!

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10 comentários em “Ben Affleck Tem Má Atuação Nova?

  1. Bom, como eu disse no face, Ninguém lembra do Demolidor não?Argo é muito foda, mas ele não tem cara nem jeito de Batman. Não entendi pn dessa escolha, mas vou confiar no Nolan. E também, Cocluindo, repito o que eu disse: Confio no Nolan, porque ele tá à frente disso, se ele escolheu o Afleck, no mínimo, os dois devem ter conversado sobre as porcarias do passado, achado graça, e terem pontuado que vão fazer algo que preste agora e depois fazer algum filme pra tirar onda com isso.

  2. “E onde está aquele argumento, salvo engano, criado pelo próprio Christian Bale, que ‘qualquer um pode ser o Batman?’. Parece que caiu por terra, para muitos.”

    Só uma correção, que alguns não entenderam até agora, e vão continuar sem entender aparentemente:

    Quando o Bruce fala essa frase, ele não quer dizer isso literalmente, mas sim, que o símbolo do Batman pode inspirar as pessoas a levantarem a bunda do sofá, abrir os olhos e enxergar o que está acontecendo em volta. Muitos tinham medo naquela cidade de se levantar contra o crime, mas quando apenas um fez isso, deu um ar de esperança e que alguma coisa poderia mudar. Vivemos isso no nosso país recentemente, porra! Esqueceram do “Vem pra rua”? Esqueceram do morcego de fogo? Que, ao contrário do que a maioria acha, foi desenhado por Blake, não pelo Batman. Aquilo foi um chamado para a guerra!

    Ou seJE, o Bruce NUNCA falou pra alguém usar um traje especial e sair trocando socos com a bandidagem, mas sim, TOMAR UMA ATITUDE. Provar que ficar parado, nada muda!

    Recomendo rever a trilogia inteira!

  3. Quem falou que o filme do Demolidor era ruim, não conhece o personagem. O personagem foi bem caracterizado e interpretado, mas como você bem mencionou, a história era pífia. E tudo bem que o Ben Affleck sofre um pouco de “nicholascageite” (síndrome de falta de expressão, parecido com aplicação excessiva de botox), mas só não sei se convenceria como um batman mais velho que derrotaria o superman, como ocorreu no “cavaleiro das trevas” original (até a adaptação do desenho da DC sofre um pouco, mas vale a pena para sentir a emoção de ler a HQ pela primeira vez. Só perderam a chance de fazer o superman um grande rival para o Batman quando ele é humanizado quando explode a bomba atômica e ele implora pelo sol, uma das melhores sacadas do Frank Miller).
    Mas torcemos pelo melhor, afinal esse será o rosto que o superman vai ter que lembrar quando levar um couro do batman…

  4. Diego, você está falando do personagem, e eu estou falando do ator, em entrevistas, que teria dito que qualquer um podia ser o Batman. Se não me engano, ele falava sobre dar a chance para outros atores.

  5. Filipe, infelizmente (também), parece que Nolan tá fora até mesmo da produção. =/

  6. Quem duvida de um sucesso inesperado, ou não, é porque se esqueceu que do nada uma atriz que até então tinha feito apenas Jogos Vorazes ou X-Men: First Class, ganhou um Oscar (Jennifer Lawrence).

  7. Chega de chororô e de babação no ovo do Nolan, que também não é nenhum Deus…
    Ja foi confirmado que ele tah fora da jogada, e que pelo contrato do Affleck, ele e Snyder devem assumir o universo DC no cinema de agora em diante. O contrato do Affleck inclui multiplos filmes como a morcegona e também direção, produção e liberdade criativa.

  8. Só um detalhe pro Filipe Mendes. O Nolan não está por tras da escolha, inclusive nem se quer está sendo citado pela warner como integrante da equipe, ao que tudo indica ele não vai fazer parte

  9. Só pra deixar claro, aqui. O Diego Andrade que falou aí nos comentários não é o Diego Andrade editor do 100Grana. Existem outros “Diego Andrade” em Belém. Bom debate pra vocês! hahahaha

  10. Se não existe uma “cara de Batman”, com certeza existe um perfil para o personagem. Aliás, qualquer personagem de qualquer tipo roteiro começa na descrição de um perfil. Acho que não existe esse papo de “qualquer um pode ser o Batman”, e isso não tem nada a ver com a chatice dos fãs ou com uma pretensa semelhança forçada com os quadrinhos. Rick Moranis não seria o Batman. Adam Sandler não seria o Batman. Bruno Mazzeo não seria o Batman. O que está sendo questionado (mundialmente, aliás) não é a competência de ninguém, aliás, antes da escolha do Ryan Reynolds eu achava (como ainda acho até hoje) que o Ben Afleck era o cara ideal pra ser o Lanterna Verde nos cinemas. Acho que este sim é um personagem com o perfil dele, e isso de forma alguma desqualifica o personagem. Acho inclusive que o centro dos questionamentos é se o Ben Afleck seria minimamente convincente sendo ameaçador, uma característica que ele não mostrou nem diante da bunda da Jenniffer da Lopez naquele clipe dela, aí meu amigo, sem este requisito mínimo pra manter de pé a história apresentada pela Warner fica difícil mesmo ter boas expectativas.

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