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Ir ao cinema ainda é um lazer?

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Um dia desses eu estava pensando com meus botões sobre quando tinha sido a última vez que fui no cinema. Lembrei que foi para ver Pacific Rim (ou círculo de fogo, essa horrível tradução). Isso já faz mais um mês e fez eu me perguntar o motivo de eu nunca mais ter ido ao cinema. Eu costumava ir toda semana, às vezes até mais, dependendo do tempo livre, e agora eu tenho que parar pra pensar quando foi a última vez que eu pisei numa sala de exibição.

Mas o que foi que me fez frequentar cada vez menos a sala de tela grande? Bom, isso eu vou tentar explicar aqui.

 

Primeiramente vou descartar tudo que não é relacionado diretamente ao cinema. Coisas como trabalho, TCC, ou diversos tipos de atividades que requerem tempo são óbvios motivos para diminuir seu espaço para se divertir, mas coloca-los aqui não seria muito justo. Vou me manter somente no ambiente de cinema e tudo que o circunda para definir a diminuição na frequência de minha parte (e sua também, caso se identifique com esse texto).

Filas.

essa fila é pequena comparada com as de Belém

essa fila é pequena comparada com as de Belém

Veja bem, eu entendo que filas façam parte da magia do cinema. Eu fiquei na fila do clássico Cinema Nazaré pra ver os 3 Senhor dos Anéis, para a pré-estreia de O Hobbit, Dark Knight Rises (me arrependo) e diversos outros filmes  que eu queria muito ver. Entenda: QUERIA MUITO ver. Hoje você encara filas gigantescas pra absolutamente tudo. A fila é gigante pra comprar ingresso, pipoca, entrar na sala… Dá até um “neuvousor”. Acho que isso aconteceu justamente após o fim dos cinemas de rua. Com a predominância de cinemas em shopping centers, agora é muito mais cômodo comprar as coisas do que ficar na rua pegando chuva ou um sol infernal.

Com isso, quase todos os filmes acabam ficando lotados. Muitas pessoas vão para o cinema para ver algum filme, não importando qual (geralmente casais de namorados e grupos de adolescentes, que nem ligam muito pro que está passando). Então digamos que o blockbuster X esteja em cartaz, obviamente ele atrai mais público por ser um filme de massa. Só que devido a grande demanda que ele traz, geralmente as sessões ficam lotadas cedo. Isso acaba gerando o famoso “Eu já estou aqui mesmo” e os filmes adjacentes acabam ficando lotados.

Ou seja, para ver um filme hoje você precisa chegar, no mínimo, 2 ou até mesmo 3 horas antes se quiser comprar um ingresso para determinada sessão. O que me leva ao próximo tópico dessa minha reclamação.

Preço e demanda.

Aprenda a atrair dinheiro

Cinema está caro, muito caro. O grande problema é que vive lotado, sinal de que as pessoas não ligam para os preços? Talvez não.

Moro em Belém, capital do grande estado do Pará e digo com toda a certeza: não temos nada para fazer nessa cidade. Não temos bibliotecas de qualidade, os cinemas alternativos só passam aqueles filmes chatos que seu amigo comunistinha de faculdade vive falando “poxa cara, Goddard é demais! Viva o cinema europeu. Lars Von trier é vida” e todo esse tipo de babaquice. Fliperamas morreram, nenhum parque de diversões, sem peças teatro com frequência e quando temos, são aquelas horrorosas comédias com atores globais. Ou seja, o único passatempo decente para o grande público é cinema.

Então você faz uma matemática rápida comigo: Belém tem, mais ou menos, um milhão e meio de habitantes para 26 salas de cinema (estou contando apenas as salas comerciais, sem mimimi pra falar das outras). Dessas 26, apenas 12 ficam no “centro da cidade”, as 14 restantes ficam próximas da divisa da cidade, atraindo público das cidades vizinhas Ananindeua e Marituba, que tem mais meio milhão de habitantes juntas.

Isso acaba causando o inchaço do público, que paga caro por um serviço que não é tão bom assim. Você tem uma média de preço de mais ou menos 22 reais em dias normais, caindo pela metade nos dias de quarta-feira. Some isso ao preço da pipoca e refrigerante e mais estacionamento e você não gasta menos do que 50 mangos para ver um filme hoje em dia.

Público.

Entenda, eu não serei elitista aqui ou reclamar da “ascensão da classe C” e todas as coisas que a sua tia deve reclamar no facebook. O meu grande problema é com gente babaca. Sim, gente babaca que fica gritando, jogando pipoca, falando no celular e até mesmo escutando música alta no fone de ouvido (acho que meu pâncreas se liquefez só descrever isso). Não basta todo o trabalho que você tem para entrar na sala, ainda tem que encarar isso.

Só tem dublado?

Dublagem

qual a necessidade disso, gente?

Eu cresci vendo sessão da tarde, cinema em casa e filmes dublados durante a infância, amo as dublagens clássicas dos filmes de ação do Arnold, Stallone, Van Damme Steven Seagal e todos os outros, mas é diferente. Eu gosto de ver a atuação, a voz dos atores e tudo mais. Já não tenho mais 7 anos pra não notar essas coisas e, por melhor que a dublagem seja, ela pode melhorar ou piorar um filme. Nada contra quem quer ver dublado, mas eu gosto de ter opção. Você vai ao cinema com 7 salas e 4 delas tão passando filme nacional (que nem vou entrar na discussão pra não ativar minha úlcera), uma outra está passando um filme merda e as duas que estão com o filme que você quer estão dubladas. A única sessão legendada é 22h/23h  e só em dia de semana, acabando com você, eu , vocêe o resto do proletariado brasileiro que tem compromissos pela manhã.

Resumo da ópera.

Hoje ir ao cinema é um martírio muito grande, fazendo com que você só saia de casa se for um filme que você queira muito ver ou tenha tempo de sobra, coisa que quase desaparece depois que você entra na faculdade e/ou arranja um emprego. Isso acaba mudando a forma como você enxerga o filme. Depois de pagar caro, pegar uma fila gigante e ir a uma sessão no pior horário, você não quer que o filme seja mediano, você quer algo bom. Qualquer coisa menos que isso é perda de tempo e pode ser visto na locadora bit torrent.

Eu gosto muito de cinema, mas em tempos de netflix e downloads em HD, o cinema não pode se fingir de cego para o problema que vem sendo ver um filme na telona.

Mas isso é apenas a minha opinião ranzinza. Não curtiu? clica na vinheta abaixo e se divirta.

 

E você ? como é a sua experiência de ir ao cinema?

19 comentários em “Ir ao cinema ainda é um lazer?

  1. Amigo!! Não sei se isto é possível mas compartilhamos exatamente da mesma opinião!!! Será que eu escrevi isto enquanto dormia??

    []´s

  2. Ir para o cinema aqui em Salvador, virou uma experiência de dar raiva. Lamentável mesmo o que está acontecendo com as salas de cinema daqui, dos preços, os estados das salas, a falta de respeito com as pessoas (Uma vez fiquei em uma sala lotada e nada do filme começar, pra somente quase ’30’ minutos depois nos informarem que o projetor da sala estava quebrado. Parabéns Cinemark Salvador!), a falta de respeito das pessoas dentro da sala (Conversam, deixam celulares ligados e etc. Sou Baiano, mas infelizmente tenho que dizer: O povo daqui de Salvador é extremamente mal educado, e não só em relação ao assunto em pauta ), até rato eu já vi em uma sala de cinema daqui (UCI Iguatemi). Resumindo: Aqui tá tudo ruim, com tendência a piorar… Lamentável!

    Abraços a Todos!

  3. Eu sou de São Paulo, capital, e a coisa é exatamente igual. Sinto falta dos cinemas de rua, o lendário Comodoro, onde assisti ET e Dias de Trovão, os cines Ipiranga, Marabá, Olido e o recém fechado Belas Artes. Pra mim, ir ao shopping é um martírio! Já cheguei a perder sessão de cinema, por não conseguir estacionar o carro. O fato de alguns cinemas contarem com o esquema de lugar numerado, ajuda bastante. Eu compro o ingresso pela internet e evito aquela fila enorme na porta do cinema. Pena que poucos cinemas utilizem esse recurso. O público é outro fator enervante, conforme descrito na matéria. Pessoas sem educação, existem em todo lugar, mas, o que vejo, é esse número aumetando assustadoramente. Filme legendado tá se tornando raridade, mas, o que mais tem me irritado ultimamente, é essa onda de filmes em 3D. A maioria, não tem a mínima necessidade de se passar em 3D. Já vi filmes em que só percebi o efeito 3D nos créditos finais. Isso me parece mais uma grande sacanagem dos cinemas para arracadar uns trocados a mais. Minha filha tem14 anos, usa óculos e odeia ter que colocar o óculos por cima do outro óculos. Conclusão, se o filme é em 3D, ela não vai. Não vai por não ter opção de assistir ao mesmo filme em 2D.
    Infelizmente, não vejo nenhuma perspectiva de melhora. Não imagino mais cinemas de rua inagurando, pelo contrário, vejo é cinemas sendo planejados em Supermercados.
    Hoje em dia, cinema é pra quem gosta… gosta muito!

  4. Concordo com tudo que disse. Para mim ir ao cinema é uma coisa eventual. Infelizmente não é algo que posso fazer sempre e somente faço quando realmente há filme que valha a pena e quando o bolso permite. Quando não recorro ao DVD seja ele oficial ou do mercado negro.

  5. Onde é que eu assino? xDDD

  6. Excelente texto, cara! Eu ainda acrescentaria mais um item à lista: a falta de formação de público. Raramente temos na cidade eventos, mostras, cineclubes ou qualquer coisa minimamente capaz de te fazer se interessar por um filme, e quando temos são apenas voltados para o lado artístico do cinema. Fora isso, os estúdios e distribuidoras ainda não perceberam que, em Belém, as pessoas também precisam de algo mais do que um cartaz no shopping ou uma caneca decorada com o pôster do filme. Os jornais e portais locais se tornaram bancos de releases, os sites dos cinemas nos presenteiam com 5 linhas a respeito de cada filme e um link com o trailer, e a coisa toda vai cada vez mais sendo encarada como um passatempo na cabeça de toda uma geração que parece ter banalizado o próprio ato de se aquietar na cadeira e prestar atenção na porra do filme.

  7. Concordo com cada palavra. Passei por um problema em Elysium: um cara sentou na cadeira e abriu bem as pernas, que atrapalhava a pessoa do lado (eu) e quase brigou (sair no tapa) com o cara da frente bem no meio do film. Saudades do cinema de rua….e olha que na Argentina passa filmes em 3D em CINEMAS DE RUA/CALÇADA!!!! Esse sim, que ia em cinemas de rua era quem gostava mesmo de cinema.

    OBS:a tradução do filme Pacific Rim, já que foi o próprio Del Toro que definiu esse título para o Brasil , já que é o nome em português da fenda do Pacífico.

  8. Ótimo texto, reflete o corre-corre que vivemos hoje quase com exatidão…rs
    Sou de Goiânia-Goiás, e vejo que o problema é no país todo, pois vi problemas daqui descritos no texto e nas opiniões abaixo dele…
    Tem mais de 2 meses que não vou ao cinema, mas todo fds vejo filmes pela internet…

    Gnd abraço a todos!

  9. Compartilho da mesma opinião em relação ao cinema.
    Porém, discordo da parte do teatro. Faço teatro há 10 anos em Belém e, dificilmente, passou um final de semana sem ter uma peça de teatro na cidade. Infelizmente (por culpa dos próprios governantes da cidade que não dão muito valor a nossa cultura), a grande massa só fica sabendo dos espetáculos com o justos atores globais. Acredite, nosso teatro paraense dá de mil em muitos espetáculos desses que chegam aqui.
    Mas, em relação ao cinema, infelizmente, é isso mesmo que acontece. Bom texto!

  10. Não me incomodo muito com essas coisas, o que falta mesmo é grana pra ir, hehehe. Em filmes pipoca eu até gosto do público gritando! E sempre compro os ingressos pela internet, só apareço meia hora antes pra garantir um bom lugar.

  11. MArcus PEssoa, em algumas salas dá até pra você escolher o lugar pela internet.

  12. Verdade, Sergio, mas aqui em Belém ainda não vi.

  13. Concordo com tudo que você falou, as vezes preciso ir duas ou até três vezes pra conseguir ver o filme que eu quero no horário que eu tenho livre isso quando consigo

  14. Gostei da parte sobre não ter nada p/ fazer aqui na cidade. Uma triste verdade, mas faltou falar tbm dos eventos d cultura pop q rolam por aqui e d como eles caíram na mesmice! São sempre os mesmos eventos voltados p/ otakus, com td igual, só mudando o nome p/ algo pop/nerd só p/ chamar atenção! Bom, talvez esse seja um tema p/ um próximo texto, mas no geral esse ficou muito bom, parabéns!!!

  15. Existem varias maneiras de evitar tudo isso que vc colocou. E não concordo com nenhum de seus motivos. 1 hj ja pode comprar ingressos sem entrar em filas. Os filmes brasileiros sao muito bons, ao contrário do q vc insinua. E 3 existem meios de vc evitar que uma pessoa (classe C como vc disse) faça alguma besteira dentro da sala, basta tomar atitude…Em fim, nao vou mais comentar para nao ter um infarto no miocardio,

  16. Para evitar os pentelhos e afins a solução é simples, a muitos e muitos anos ñ vou a estreias e nos dias posteriores, quando me interesso por algum filme sempre vou uns 10/15 dias depois.

  17. OBS: Filmes dublados por globais, TÔ FORA!

    Abro uma exceção para o filme nacional “Uma História de Amor e Fúria”.

  18. Concordo em parte com o que você pronunciou. E a minha discordância está na inserção do debate sobre a ‘classe C’, achei bem ‘nada a ver’ com o texto em si. Deu a impressão de que inseristes esse debate só para ter que encher linguiça. Ficou bem desconexo com o texto.

  19. […] E para vocês verem a diferença do que é um público que realmente  quer ir ao cinema, mesmo com a sala completamente lotada, não tivemos problema algum de bagunça, barulho, sujeira, dentre outras perturbações já descritas pelo nosso amigo Roberto Segundo aqui. […]

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