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100Grana viu: O Homem de Aço – Crítica por Sérgio Fiore

Pela primeira vez, tenho a chance de fazer uma crítica de filme de Superman quando ele sai nos cinemas. Vejamos o que vai acontecer. E não tem SPOILERS.

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Eu me senti meio Clark Kent ao começar a escrever essa resenha. Não sabia nem por onde começar a escrever. Geralmente, isso dá a entende que se está falando de um filme ruim. E com certeza, não é o caso. Vou logo dizendo que não é um filme perfeito. Mas, digo que vale o ingresso.

A segunda coisa que eu digo é que eu fico feliz que esse filme tenha saído. Depois de tantos tempo, e sete anos após a última tentativa, aquele considerado o mais importante herói dos quadrinhos (sim, apesar de todo o hype em cima desse e daquele outro personagem), ganhou uma versão nova e atualizada para os novos tempos do cinemão hollywoodiano.

Verdade seja dita, por mais que eu reverencie a era Reeve/Donner do personagem, este conceito envelheceu. Era preciso trazer este conceito de uma forma retrabalhada. A atual geração, acostumada a reverenciar as aventuras irreverentes e tecnológicas do Homem de Ferro, a atmosfera das trevas do Batman, etc, etc. ainda reluta em se desvencilhar de preconceitos para abraçar o conceito de um homem que é um Deus entre nós, mas que decidiu nos defender. E o desafio do filme (e das continuações confirmadas) agora é se enraizar no imaginário do público, da mesma forma que a trilogia de Christopher Nolan o fez.

Passado esse primeiro momento, chega a hora de falar sobre o filme em si. No meu entender, O Homem de Aço ganhou o seu primeiro ponto comigo ao, visivelmente, romper as amarras com tudo o que já fora feito com o personagem nos cinemas.  Bryan Singer teve a chance de fazer um bom filme, mas um de seus maiores pecados foi não ter a ousadia de fazer tudo do zero, sem se prender ao passado e assim conquistar os saudosistas dos filmes antigos. Zack Snyder, por sua vez, vindo de duas adaptações de HQs, 300 e Watchmen, sabia da responsa e não seguiu o mesmo caminho.

A história básica da origem, desde seu nascimento até a chegada em nosso planeta, e como ele aprende que suas escolhas determinarão o seu destino e o do mundo, já é mais do que batida. Como trazer isso novamente à baila sem soar repetitivo?

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Simples, explorando situações até então apenas subentendidas e mencionadas brevemente no passado. Em seu primeiro ato, a impressão que temos é ver mais  um longa de ficção-científica do que uma adaptação de HQ de herói. Aliás, em boa parte do filme também. E é nesse ambiente sci-fi que entendemos melhor a série de acontecimentos que levaram à destruição de um planeta, e o envio de um de seus para longe.

A cronologia dos acontecimentos também pesa muito. Para evitar a repetição de certos acontecimentos da origem, alguns fatos não são mostrados diretamente, dando preferência a flashbacks em momentos cruciais mostrando situações que moldam o caráter de Clark Kent.

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E esse Clark Kent/Kal-El/ Superman teve a sorte de ter um intérprete convincente. O britânico Henry Cavill parece ter sido destinado para esta produção, dado os vários “nãos” que recebeu(relembre esta história aqui). Ele descartou a “escoteirice” que muitos atores adotavam em sua interpretação, para ter um ar de sobrevivente, alguém que aprende sobre a responsabilidade em seus ombros e quer a todo momento entender seu lugar neste mundo.

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Do outro lado da moeda, temos o General Zod. Esqueça o conquistador arrogante e tirano imortalizado pelo Terence Stamp. Nas mãos de  Michael Shannon, o vilão ganha ares de fanático, extremista politico-militar. E ajudado pelos recursos de CG, a escala de sua ameaça é visível.

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Falando em escala, a deste filme faz enfim, justiça ao nível de poder do Superman. Não apenas por enfim, colocar o herói contra um adversário(s) à altura (ao invés de mostrá-lo em salvamentos e deixando a confrontação com Lex Luthor armado com uma kritponita), mas também por explorar a destruição ao redor que isso acarreta.

Bem, eu disse que não era um filme perfeito. Por quê?

A culpa também é do Zack Snyder, para variar. Mesmo sem os slow-motions de sempre, a edição do filme é corrida, o espaço entre certos acontecimentos é tão estranho que, quando em determinado momento, uma cena está rolando, cheguei a me perguntar: égua, como eles chegaram ali? São acontecimentos muito rápidos que existe uma certa dificuldade para absorver e compreender. Somente quando saí da sessão, conversando com os amigos que estavam comigo, fui me re-esclarecer.

E a mesma ação que eu elogio, também é a vilã. A escala de destruição que mostra o real poder do Superman e seus inimigos, também é mostrada de uma forma que você questiona o exagero. Destruição essa que afeta a nossa avaliação do herói, invariavelmente.

O que leva a uma questão controversa neste filme. Leio quadrinhos há muito tempo. Boa parte deles foi do Superman. E tem coisas que que chegaram a net, acerca do filme que geraram polêmica. Duas em específico, sendo que uma delas ocorre no ato final. E francamente, nenhuma delas me incomodou, porque foram coisas que eu já vi acontecerem e/ou serem mostradas de relance. Compreendo que o filme abre, para muitos opinadores, certos precedentes para o herói nos cinemas, mas cabe ao público entender que não são fatos inéditos, independente da forma pela qual foi mostrado.

No mais, elogio também os demais membros do elenco, em especial o Russell Crowe, embora eu questione realmente o tempo dele em cena, mesmo que ele tenha sido impecável, no meu entender. Menção também para a Amy Adams, voltando ao universo do Superman (lembra dela em Smallville? )para adentrar o hall das Lois Lanes do imaginário popular, ao trazer uma versão mais ativa na trama, mesmo com certas hipérboles  na sua participação.

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A missão mais “fácil”, que era garantir continuação, foi feita. A dúvida agora é se os erros cometidos serão consertados, ou pelo menos, abordados de forma a se tornarem mínimos. A nova jornada do Superman começou, e que venha o futuro.

Cotação: 7,5

Aguardem também as demais criticas  de membros do  blog.

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17 comentários em “100Grana viu: O Homem de Aço – Crítica por Sérgio Fiore

  1. Não vi o filme, mas muita gente comentou que o fato de haver muito “efeito colateral” [jeito fofo de dizer matança massiva de humanos!] não é típico do Super – que tinha que ter mais cenas dele salvando a galera.

    Isso pra mim não influencia negativamente, já que todos sabem que essa é uma abordagem realista de mostrar dois deuses lutando. Segundo que, todos se esquecem que esse é um Super em início de carreira, um Superman Begins, tentando lidar com seu poder. Nada mais natural que ele sofra com essas questões.

    Creio que isso será levado em considerado na continuação.

  2. Segundo sua crítica, ha 3 problemas em “man of…”: a destruição em massa, a montagem ( que eu tbm concordo que é estranha com certos acontecimentos) e Lois Lane e suas ‘hipérboles’! Mas por isso o filme merece 7,5?! Isso é que é estranho! No mais, um grande abraço ao pessoal do 100grana! Mesmo com essa observação a sua crítica, saiba que leio vcs ha muito tempo…

  3. A “babaquice” de um herói muito bom contra um vilão muito mal do tipo pau q nasce torto nunca se indireta, tipicamente americano vindo da tradição Calvinista, o que bate direto contra a ideia q o super e tantos outros heróis “passam” de que n pode matar, prende e espera… sem falar na destruição em massa e exageros em cima dos pobres prédios, me fazendo lembrar de revistas da era de prata e mais recentemente tokusatsus, e ainda vem monte de vagabundo falar que o filme é “inovadorrrrrrrrrr para o personagem”. inovador para mim foi ele ter o poder do inazuman e reconstruir as edificações no terceiro filme…

    Realmente o filme está bom, os exageros e roteiro hyper corrido tambem são um grande problema, o mesmo plot do batman beg não deu muito certo no super, mostrar o passado e uma transformação de uma pessoa num herói e tendo q enfrentar um ou mais vilões q tiveram relação direta com isso tudo, os mesmos erros do C. Nolam se repetem e a mesma expectativa de que as cagadas desse vão ser minimizadas e q grandes possibilidades se abrem para as sequencias, e a mesma frase em todas as boas resenhas ” o filme não é perfeito!”

    acho q o filme ainda sim merece um 8, pelo q tivemos em Thor, Batman 3 e homem de lata 3, esse filme foi um colírio, uma pena que não se usa roteiristas de revistas em filmes, e q o super de novo n conseguiu honrar nem por 2 minutos o significado de DC.

    Assistam dublado a diferença emocional da voz do G.Briggs no super é brutal para o resultado do filme, uma das mais preciosas vantagens em ser brasileiro, e sem falar que vo6 vão ver um filme de um cara q voa super rápido e “luta no ar”.

    Tratando apenas da figura do super, a influencia dos novos 52 praticamente foi no uniforme, foi um super que manteve a idéia dos outros supers, das séries, revistas, filmes, tirando o ambiente destruído ou não que o super vive no filme, e os vilões, os pais, a figura do superman ou clark, se mantiveram do jeito que tem que ser!

    Homem de aço não passa de assuntos burocráticos da indústria de cinema, esse filme é sim o “Superman beguins/zero/remake”

  4. A única personagem interessante em Man Of Stell é o General Zod de Michael Shannon. A certa altura você se percebe quase torcendo por ele e contra o protagonista.

    Esse Supermand e Zack Snyder não tem humor, romance e o que é pior, não tem muito cérebro.

    Sob a ótica do Snyder, Superman acaba resolvendo tudo na base da porrada.

  5. A única personagem interessante em Man Of Stell é o General Zod de Michael Shannon. A certa altura você se percebe quase torcendo por ele e contra o protagonista.

    Nesse Supermand do Zack Snyder não tem espaço pra humor, romance e o que é pior, não tem muito cérebro também.

    Sob a ótica do Snyder, Superman acaba resolvendo tudo na base da porrada.

    O filme é visualmente atraente, deve realmente ser visto nas salas de cinema.

  6. Esse aqui continua sendo o Jor-El definitivo. http://cl.ly/image/2Z1W3f1W183L

  7. Perdão, Man of Steel (erro de digitação).

  8. outra crítica irritante sobre MoS é: “ah, mas a destruição do filme lembrou muito o 11/9, tá errado!!”. Faça-me o favor! ¬¬

    Acho que o povo percebeu que a era da inocência acabou. Apesar de adorar os dois primeiros filmes [vi o segundo no cinema!], aceito uma nova visão. Não vou dizer que é melhor ou pior, apenas diferente. Seria inútil comparar, é outra época, outros tempos. Não adianta se prender ao passado. Brando e Reeves já tão eternizados, agora temos outras propostas, vamos seguir em frente.

  9. […] Of Steel” estreia oficialmente no dia 12 de julho no Brasil e nós já temos a crítica do Sérgio Fiore aqui. Eu ainda estou digerindo o filme para escrever a minha […]

  10. Já assisti e gostei do filme. Tem seus defeitos. Mas é o mlhoer filme de Superman que já foi feito. Gostei de terem explorado o gênero ficção cientifica, ajudou muito no roteiro. Quem não gostou que faça um filme melhor.

  11. Tonico, eu só preciso dos mesmo 225 milhões dos doletas investidos no filme. Passa pra mim ou para o Danilo passos que a gente faz um filme bem melhor hahahahaha!

  12. Meu colegas, vamos deixar de purismo e saudosismo! E mesmo que a produção anunciando que seria um filme q ignorava os anteriores – portanto, de origem – qual é o problema em fazer uma homenagem – muito bela por sinal – ao grande Reeves? Caramba… E já deu… tantas resenhas tirando sarro do filme, procurando defeitos (até possui problemas de montagem e resolução apressada em certas partes do enredo), mas vamos ASSISTIR AO FILME!
    Colegas, os antigos possuem tanta coisa estranha no enredo, principalmente o Super 2… mas ninguém comenta aqui! Eu poderia listar trunfos do Mos, comparando com Super do Donner, mas teria spoiler. Então, se permitirem, eu posto aki… abraço…

  13. nos novos 52 o super e sua incrível sabedoria alien de resolver so na porrada!

  14. Snyderzetes me envergonham. Ficam possessas quando alguém critica a obra seminal desse gênio incompreendido..Nolan devia ter botado um freio nesse cara. Esse filme ficou um pouco melhor que Watchmen. Não é um elogio.

  15. O filme ficou muito bom. Alguns esquecem que mesmo os anteriores, da época reeves, tiveram tropeços, e piores que deste.
    Agora sobre as destruições extremas e a violência: não reclamavam justamente da falta disso nos outros filmes, principalmente no ultimo, como já tão achando ruim agora?

    ps.: alguém viu o batman andando por lá?

  16. […] o cara que mais gostou do filme foi o Sérgio Fiore e o que odiou de coração foi o Danilo […]

  17. […] filme. Vídeo diz tudo Hhahahahah. Mas se quiser saber o que a gente achou é só ler a crítica do Sérgio Fiore ou a minha clicando […]

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